A engenharia continua sendo uma das profissões mais promissoras no Brasil.
Segundo o Estudo de Demanda por Profissionais de Nível Superior no Brasil 2023-2030, elaborado pelo Ipea em parceria com o Ministério da Educação, o país precisará de cada vez mais engenheiros.
Essa demanda será essencial para sustentar o crescimento de setores estratégicos para a economia e o desenvolvimento nacional.
Para quem busca entender como se destacar na engenharia, conhecer esse cenário é o primeiro passo.
“A engenharia é e sempre será uma das profissões mais estratégicas para o desenvolvimento do Brasil”, afirma o consultor de empresas Alexandre Loureiro.
Segundo ele, as áreas mais promissoras são engenharia de software e computação, elétrica e de energia, mecânica e de produção, civil e de infraestrutura, agronômica, minas e geologia, ambiental e sanitária.
Mas o que é preciso para entrar e se destacar nesta área que demanda tantos profissionais? Afinal, como se destacar na engenharia?
Alexandre Loureiro, especialista em educação empresarial, explica que não basta somente o domínio técnico.
“Ele precisa desenvolver uma série de competências complementares, como visão sistêmica e pensamento crítico, atualização tecnológica, conhecimento sobre as normas técnicas, legislação e responsabilidade profissional.”
Acrescentem-se aí, na avaliação do consultor, a capacidade de liderança e gestão de projetos, fluência em inglês e outro idioma, experiência internacional e certificações profissionais.
Ele reforça a necessidade de aprendizado contínuo para os engenheiros se manterem atualizados. Isso envolve quebrar paradigmas, participar de cursos e acompanhar eventos técnicos como congressos e seminários.
Além disso, é importante engajar-se em associações técnicas e grupos de inovação, bem como desenvolver competências digitais essenciais, como CAD 3D, BIM, Python, IoT, IA e metodologias ágeis.
Tudo isto para suprir o déficit de 75 mil engenheiros apurado em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feita em 2023.
“Esta situação é reflexo de um descompasso histórico entre a formação de engenheiros e a retenção no mercado. Apesar de o Brasil formar atualmente mais de 40 mil engenheiros por ano, apenas 50%, aproximadamente, continuam atuando na área, segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). O índice de evasão é altíssimo, pois criou-se ‘o mito salarial do engenheiro’ que o mercado não acompanha”, diz Alexandre Loureiro.
Ele lembra que o Brasil chegou a formar, em 2017, quase 140 mil engenheiros.
“Como o mercado não absorveu os profissionais, pois estávamos no auge de uma crise econômica e política, houve excesso de mão de obra, contribuindo para a oferta de salários menores. Até porque, muitos engenheiros já experientes e com bagagem profissional estavam livres no mercado.”
De acordo com o consultor, as razões para esse descompasso incluem a dificuldade de inserção na profissão, especialmente para recém-formados.
Outro fator é a falta de programas de estágio e trainee bem estruturados.
A desvalorização profissional também contribui para esse cenário, assim como a carência de habilidades sociais (soft skills) por parte dos profissionais, que são cada vez mais exigidas pelas empresas.
“Por outro lado, esta lacuna representa uma grande oportunidade para profissionais preparados, especialmente nas áreas promissoras”, afirma Alexandre Loureiro, formado engenharia civil e especializações em administração pública municipal, MBA em marketing, mestrado em economia mineral, escritor, master coach e partner associate da Thompson Management Horizons.
Ele diz que o cenário atual da engenharia no Brasil é desafiador e promissor ao mesmo tempo.
O consultor aponta algumas tendências importantes para a engenharia. Uma delas é o foco em soluções sustentáveis e energias limpas.
Outra tendência é a crescente integração da engenharia com dados e inteligência artificial no mercado de trabalho. Além disso, há uma expansão notável da engenharia biomédica e genética.
Por fim, observa-se o crescimento do conceito de engenheiro-empreendedor, com a criação de startups e o desenvolvimento de soluções inovadoras.
“Como engenheiro há 37 anos e mentor de engenheiros, acredito que a engenharia brasileira tem tudo para ocupar um papel de protagonismo no desenvolvimento do país. Mas isso só será possível com uma nova mentalidade, um novo mindset que acompanhe a evolução e a velocidade das transformações do mundo, que valorize a performance, a adaptabilidade e a capacidade de gerar resultados com ética e excelência.”
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