Explosão de buscas por ‘demissão voluntária’ e ‘demissão’ no Google revela nova postura dos trabalhadores brasileiros

Volume de pesquisas por “demissão voluntária” e “demissão” cresceu 173% em 12 meses; jovens lideram os pedidos de desligamento voluntário e impulsionam transformações nas relações de trabalho.
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pedido de demissão

No mês em que se celebra o Dia do Trabalho, um dado chama a atenção: a palavra “demissão voluntária” e “demissão” no geral nunca foi tão buscada no Google. 

Entre março de 2024 e março de 2025, o termo registrou 819,2 mil pesquisas, segundo levantamento da Onlinecurriculo — um aumento de 173% em relação ao período anterior.

O salto expressivo nas buscas coincide com um movimento real no mercado de trabalho: os pedidos voluntários de desligamento — ou demissão voluntária — bateram recorde no primeiro bimestre de 2025. 

Dados do FGV Ibre revelam que 38% das demissões com carteira assinada ocorreram por iniciativa do trabalhador — o maior índice desde o início da série histórica, em 2020. Foram 1,625 milhão de pedidos, crescimento de 15,5% em comparação a 2024.

A geração Z tem liderado essa mudança. São jovens entre 18 e 29 anos, com maior nível de escolaridade e mais atentos à saúde mental, flexibilidade e qualidade de vida. 

Eles estão reavaliando (ou melhor, reposicionando) suas prioridades profissionais — e, muitas vezes, optando por sair.

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Demissão voluntária: planejada, mas cercada de dúvidas

Apesar de refletir um movimento consciente e, em muitos casos, estratégico, o pedido de demissão ainda gera muita insegurança. 

O levantamento da Onlinecurriculo revela que a maioria das perguntas no Google não se limita ao “como fazer”, mas expressa receios concretos sobre direitos, finanças e consequências.

Entre as 12 dúvidas mais comuns, 9 são relacionadas ao desligamento voluntário. O que recebo ao pedir demissão? Posso sacar o FGTS? Tenho direito ao seguro-desemprego? Como funciona o aviso prévio? As respostas a essas perguntas somam mais de 700 mil buscas. 

PosiçãoPerguntaVolume de Buscas
1como pedir demissão85.900
2o que recebo quando peço demissão77.200
3qual o melhor dia para pedir demissão68.400
4como calcular rescisão pedindo demissão59.600
5quem pede demissão recebe FGTS?49.100
6quem pede demissão tem direito a seguro desemprego?46.800
7aviso prévio pedindo demissão44.500
8como fazer carta de demissão42.200
9prazo para pagamento da rescisão após demissão39.900
10quem é demitido por justa causa recebe o quê?37.600
11acordo de demissão como funciona?35.300
12o que perde ao pedir demissão?32.700

O volume evidencia uma preocupação legítima: o impacto financeiro da decisão. O ranking aponta que dúvidas sobre valores e benefícios representam 60% das consultas. 

Já as perguntas sobre trâmites legais — como formalizar a saída e qual o melhor momento para fazer isso — somam 224 mil buscas.

Trabalho com propósito, mas com segurança

o desafio da liderança

A crescente onda de pedidos de demissão revela algo além da insatisfação com salários ou ambientes tóxicos. 

Há uma mudança no perfil do trabalhador brasileiro — mais exigente, mais informado e mais disposto a buscar realização pessoal e profissional.

Entretanto, a pesquisa também deixa claro que essa transformação vem acompanhada de ansiedade. 

Muitos profissionais querem mudar, mas ainda esbarram em dúvidas sobre direitos, estabilidade e futuro. É uma demissão “com pé no chão”, que exige preparo e informação.

O que você precisa saber antes de pedir demissão

Para quem está pensando em seguir esse caminho, entender os direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é essencial. Confira os principais pontos:

  • Aviso prévio: deve ser cumprido por 30 dias ou negociado com a empresa. Se for dispensado, o valor pode ser descontado das verbas rescisórias.
  • Direitos garantidos:
    • Saldo de salário pelos dias trabalhados
    • Férias vencidas + 1/3 (se houver)
    • Férias proporcionais + 1/3
    • 13º salário proporcional
  • Direitos não garantidos:
    • Saque do FGTS (exceto em casos previstos por lei)
    • Multa de 40% sobre o FGTS
    • Seguro-desemprego

Especialistas recomendam que o pedido seja feito após o 5º dia útil do mês, para garantir o recebimento correto do salário anterior e evitar confusões no cálculo das verbas.

E se for um acordo?

A Reforma Trabalhista de 2017 criou a opção de acordo de demissão, em que empregado e empregador negociam o desligamento. 

Nessa modalidade, o trabalhador tem direito a sacar 80% do FGTS, recebe metade do aviso prévio e da multa de 40%, mas não pode solicitar o seguro-desemprego.

Mudanças à vista?

como sacar fgts retido

Atualmente, quem pede demissão só consegue sacar o FGTS em situações específicas, como aquisição de imóvel ou aposentadoria. 

No entanto, o governo federal estuda flexibilizar esse acesso, permitindo que trabalhadores que saiam por vontade própria retirem o saldo da conta. A proposta ainda está em análise.

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Perguntas frequentes sobre demissão voluntária

O que é desligamento voluntário?

É quando o próprio trabalhador decide encerrar seu vínculo com a empresa. O pedido parte do funcionário, e não do empregador, por isso também é conhecido como demissão voluntária.

Como funciona o programa de demissão voluntária (PDV)?

O PDV é uma iniciativa da empresa para oferecer condições especiais a quem quiser se desligar. 

Normalmente, envolve benefícios adicionais, como indenizações, plano de saúde temporário e apoio na recolocação. A adesão é opcional e depende da concordância do trabalhador.

Quais são os 3 tipos de demissão?

  1. Demissão sem justa causa: feita pela empresa, sem motivo grave.
  2. Demissão por justa causa: feita pela empresa, com base em falta grave do empregado.
  3. Demissão voluntária (ou a pedido): feita pelo próprio trabalhador.

O que é um acordo de demissão voluntária?

É o desligamento negociado entre empresa e funcionário, criado pela Reforma Trabalhista. 

O trabalhador pede demissão, mas com condições diferentes: recebe parte dos direitos da demissão sem justa causa (como metade do aviso prévio e saque parcial do FGTS), mas não tem direito ao seguro-desemprego.

Para o RH, um sinal de alerta (e oportunidade)

O crescimento nas buscas e nos pedidos de demissão voluntária reforça um recado claro para as empresas: não basta reter talentos, é preciso engajá-los com propósito, autonomia e bem-estar.

Nesse novo cenário, o papel do RH é ainda mais estratégico — ouvindo, entendendo e antecipando as necessidades de um time cada vez mais consciente de suas escolhas.

Especialista em Gestão Comportamental, facilitadora e responsavel pela Formação Analista Comportamental Profiler na Sólides

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