Apesar da motivação para aprender estar presente entre os profissionais brasileiros, a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em treinamentos corporativos ainda é um desafio significativo.
Um estudo inédito da consultoria newnew revela que 57% dos profissionais estão motivados a aprender, mas 60% não conseguem aplicar o que aprendem no dia a dia do trabalho.
O dado escancara um problema que vai além da motivação: os treinamentos corporativos oferecidos pelas empresas muitas vezes são genéricos, desatualizados e desconectados da realidade prática das equipes.
O que é treinamento corporativo?
Treinamento corporativo é um conjunto de ações estruturadas pelas empresas com o objetivo de capacitar os colaboradores em habilidades técnicas, comportamentais ou estratégicas.
Ele é essencial para manter a competitividade da organização, melhorar o desempenho das equipes e preparar os profissionais para novos desafios.
Mais do que uma ferramenta de desenvolvimento, o treinamento e capacitação corporativa deve estar alinhado à cultura da empresa e às necessidades reais do negócio.
No entanto, o estudo da Newnew mostra que existe um abismo entre o que é oferecido e o que realmente agrega valor no cotidiano profissional.
A pesquisa destaca que muitos treinamentos não consideram o contexto da organização, o perfil dos colaboradores e o momento da carreira em que se encontram.
Quais são os tipos de treinamentos corporativos?

Os treinamentos corporativos podem ser divididos em quatro grandes tipos, de acordo com seu objetivo principal:
- Treinamento de Integração: visa ambientar novos colaboradores à cultura da empresa, políticas internas, processos e equipes.
- Treinamento Técnico: tem foco na capacitação de habilidades técnicas específicas para a função exercida.
- Treinamento Comportamental: desenvolve competências socioemocionais, como liderança, comunicação, empatia e resiliência.
- Treinamento de Desenvolvimento Gerencial: prepara profissionais para assumirem cargos de liderança e gestão.
Quais são os tipos de treinamento mais utilizados pelas empresas?
Segundo artigo da Alura Para Empresas, os treinamentos mais aplicados nas organizações atualmente são:
- Treinamento técnico (hard skills): representa 55% das ações de capacitação, com foco em habilidades operacionais, como ferramentas digitais, processos e conhecimentos específicos.
- Treinamento comportamental (soft skills): representa 40%, com foco em desenvolvimento humano e competências interpessoais.
- Treinamento de compliance: voltado à ética profissional, conduta e políticas internas.
- Treinamento de vendas e atendimento ao cliente: cada vez mais frequente, principalmente com o crescimento do digital.
Esses formatos são fundamentais, mas muitas vezes são aplicados de forma padronizada, sem personalização ou adaptação à realidade dos participantes.
E é justamente essa abordagem genérica que compromete o engajamento e os resultados dos treinamentos.
Quais são os 4 tipos de treinamento?
De forma complementar, é possível classificar os treinamentos também pelo formato de entrega:
- Presencial: proporciona maior interação entre os participantes e favorece o aprendizado coletivo.
- Online (EAD): oferece flexibilidade de tempo e local, com acesso a conteúdos gravados ou ao vivo.
- Híbrido: combina momentos presenciais com trilhas online, equilibrando teoria e prática.
- On the Job: realizado durante a execução do trabalho, com orientação direta de colegas ou líderes.
Segundo a Alura, o formato híbrido tem se mostrado o mais eficaz, pois combina o melhor dos dois mundos: a flexibilidade do digital e a conexão do presencial.
No entanto, o estudo da Newnew aponta que muitas empresas ainda não encontraram esse equilíbrio e tendem a apostar apenas no online, o que pode dificultar a fixação e aplicação do conteúdo.
Motivação alta, aplicação baixa
O dado mais alarmante da pesquisa da Newnewé o contraste entre motivação e eficácia: 57% dos profissionais se dizem motivados para aprender, mas 60% não conseguem aplicar o que aprendem.
Isso indica que o problema não está na falta de interesse dos colaboradores, mas na forma como os treinamentos são estruturados.
Entre os principais fatores que explicam esse gap estão:
- Liderança ineficaz: a ausência de líderes inspiradores, que estimulem o aprendizado contínuo e ofereçam feedbacks construtivos, limita o engajamento e a aplicação do conteúdo.
- Falta de personalização: conteúdos genéricos, que não consideram o contexto do time, tendem a ser vistos como irrelevantes.
- Foco em resultados imediatos: a pressão por produtividade muitas vezes impede que os profissionais dediquem tempo à reflexão e à prática do que foi aprendido.
Leia também:
- Por que a cultura de pertencimento nas empresas é o novo diferencial competitivo?
- Treinamento profissional: qual a melhor forma de preparar a sua equipe?
- Treinamento De Integração
- Capacitação – O melhor investimento
- Aprendizagem digital: criação de conteúdos interessantes e motivação para estudar mais
Slow learning: o poder da aprendizagem com profundidade

O estudo da Newnew também destaca a importância do conceito de “slow learning”, que propõe uma ruptura com a lógica da aprendizagem acelerada e superficial.
Em vez de consumir conteúdos de forma rápida, o slow learning sugere mais tempo para reflexão, experimentação e integração do conhecimento ao cotidiano.
Essa abordagem favorece a aprendizagem significativa, pois valoriza o tempo necessário para compreender, testar e adaptar o que foi aprendido.
Em um ambiente corporativo, isso significa ir além de cursos rápidos e módulos prontos — e apostar em experiências mais profundas e conectadas com os desafios reais da equipe.
Liderança inspiradora é peça-chave
Outro ponto fundamental apontado pela pesquisa é o papel da liderança no sucesso dos treinamentos corporativos.
Líderes que incentivam a cultura de aprendizado, oferecem feedbacks contínuos e aplicam os conhecimentos adquiridos no dia a dia funcionam como modelo para os times.
Segundo a Alura, empresas que têm uma cultura de aprendizado forte conseguem:
- Aumentar a retenção de talentos
- Elevar a produtividade
- Melhorar o clima organizacional
- Agilizar a inovação interna
A ausência dessa cultura — ou a liderança que não a reforça — contribui para a desconexão entre conteúdo e prática.
Flexibilidade e autonomia importam (muito)
Um estudo global citado pela pesquisa da Newnew indica que mais da metade dos profissionais no mundo (53%) e 60% no Brasil preferem aprender por conta própria, com autonomia sobre o conteúdo, o formato e o momento do aprendizado.
Essa tendência mostra que não basta oferecer cursos e treinamentos padronizados. É necessário criar trilhas personalizadas, com diferentes formatos e ritmos, para que os profissionais escolham como e quando querem aprender.
A flexibilidade é essencial para aumentar o engajamento e garantir a aplicação prática dos conteúdos.
O que as empresas podem fazer para melhorar?

Para superar os desafios dos treinamentos corporativos e garantir que o aprendizado se converta em performance, as empresas podem adotar algumas estratégias:
- Diagnóstico preciso das necessidades: antes de investir em qualquer conteúdo, é fundamental entender as lacunas de conhecimento e os objetivos estratégicos da empresa.
- Cocriação de trilhas: envolver os colaboradores na escolha e construção dos treinamentos ajuda a garantir mais aderência e relevância.
- Acompanhamento da aplicação prática: criar projetos ou metas relacionadas ao conteúdo aprendido, com acompanhamento dos gestores, reforça a fixação.
- Apostar em metodologias ativas: como estudo de caso, simulações e gamificação, que favorecem a prática e o engajamento.
- Formação contínua de líderes: investir no desenvolvimento de liderança para que sejam agentes do aprendizado.
Capacitação sob nova perspectiva
Os treinamentos corporativos estão longe de cumprir seu papel quando não consideram as reais necessidades dos profissionais, ignoram o contexto das equipes e se apoiam em formatos genéricos.
A pesquisa da Newnew revela um cenário em que a motivação existe, mas a prática ainda não acompanha — e isso pode comprometer a inovação, a performance e a retenção de talentos nas empresas.
Para transformar esse cenário, é preciso repensar o modelo de capacitação, equilibrar o digital com o presencial, empoderar a liderança e garantir mais autonomia para quem aprende.
Afinal, mais do que ensinar, o desafio agora é garantir que o conhecimento faça sentido e se transforme em resultado.
