O Google, empresa da Alphabet, demitiu centenas de funcionários de sua divisão de plataformas e dispositivos, segundo uma reportagem publicada pelo The Information nesta sexta-feira (11).
A fonte citada é uma pessoa com conhecimento direto da situação, que revelou que os cortes atingem setores responsáveis pelo Android, pelos smartphones Pixel, pelo navegador Chrome e outros aplicativos e produtos vinculados a essas equipes.
As demissões ocorreram após o Google oferecer, em janeiro, um programa de saída voluntária para funcionários dessas divisões.
Em comunicado enviado à imprensa, um porta-voz da empresa afirmou: “Desde que combinamos as equipes de plataformas e dispositivos no ano passado, nos concentramos em nos tornar mais ágeis e operar de forma mais eficaz, o que incluiu algumas reduções de empregos, além do programa de saída voluntária.”
A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da agência Reuters.
Como a Google trata seus funcionários?
Nos últimos anos, o Google foi amplamente reconhecido por sua cultura organizacional voltada ao bem-estar dos colaboradores, oferecendo benefícios como alimentação gratuita, espaços de convivência e programas de incentivo à inovação.
Contudo, diante do cenário econômico global e da reestruturação interna para focar em tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, a companhia vem passando por mudanças.
As recentes demissões fazem parte desse processo de reorganização.
Embora a empresa ainda mantenha altos índices de satisfação entre os colaboradores, segundo rankings de empregabilidade, as demissões sucessivas vêm gerando questionamentos sobre o equilíbrio entre produtividade, eficiência e valorização da força de trabalho.
Quantos funcionários tem a empresa Google?

Até o início de 2024, a Alphabet, controladora do Google, contava com aproximadamente 182 mil funcionários globalmente.
Em janeiro de 2023, a empresa havia anunciado a demissão de cerca de 12 mil colaboradores, o que representava cerca de 6% da força de trabalho global à época.
Desde então, outras rodadas de demissões aconteceram em unidades específicas, como a divisão de nuvem e agora, as áreas ligadas ao Android e Pixel.
Ainda que o número exato de funcionários após os cortes atuais não tenha sido divulgado, estima-se que a força de trabalho tenha sido ajustada em resposta à crescente demanda por realocação de investimentos e à busca por mais eficiência operacional.
Como o Google foi criado?
O Google foi fundado em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, então estudantes de doutorado na Universidade de Stanford.
A ideia surgiu de um projeto de pesquisa que tinha como objetivo melhorar a maneira como informações eram buscadas na internet.
O diferencial do buscador era o uso de algoritmos que avaliavam a relevância das páginas com base em backlinks — páginas que linkavam outras.
A empresa rapidamente se consolidou como a principal ferramenta de busca da internet e, com o passar dos anos, expandiu seu portfólio de produtos e serviços: Gmail, YouTube, Google Maps, Google Drive, Android, entre muitos outros.
Em 2015, foi criada a holding Alphabet, com o objetivo de separar as operações principais do Google de outros projetos, como carros autônomos (Waymo) e ciências da vida (Verily).
Quais são as principais empresas do Google?
Sob o guarda-chuva da Alphabet, o Google é a principal empresa, mas há diversas outras subsidiárias importantes:
- YouTube: plataforma de vídeos adquirida em 2006, é hoje uma das maiores fontes de receita publicitária da Alphabet.
- Android: sistema operacional móvel utilizado pela maioria dos smartphones do mundo.
- Google Cloud: divisão de serviços de computação em nuvem, considerada estratégica para a disputa com Amazon Web Services e Microsoft Azure.
- Waymo: empresa de desenvolvimento de veículos autônomos.
- Verily: voltada à tecnologia aplicada à saúde.
- DeepMind: braço de pesquisa em inteligência artificial.
- Fitbit: adquirida em 2019, opera na área de dispositivos vestíveis.
Essas empresas representam a diversificação dos negócios da Alphabet, que vem buscando reduzir a dependência da receita de anúncios digitais com investimentos em outras frentes tecnológicas.
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O contexto das demissões em big techs
O Google não é a única empresa de tecnologia que tem realizado cortes. Nos últimos anos, diversas big techs reavaliaram suas estratégias de crescimento.
A Meta, por exemplo, demitiu cerca de 5% dos seus funcionários com desempenho mais baixo em janeiro de 2024, ao mesmo tempo em que intensificava a contratação de engenheiros de inteligência artificial.
A Microsoft, por sua vez, cortou 650 postos de trabalho em sua unidade Xbox em setembro de 2023.
A Amazon também demitiu funcionários em várias unidades, incluindo comunicação. Já a Apple eliminou aproximadamente 100 funções em seu grupo de serviços digitais no ano passado, segundo veículos de imprensa.
A tendência é clara: com o avanço da inteligência artificial e a necessidade de investimento massivo em infraestrutura para suportar o desenvolvimento e uso de modelos generativos, como o Gemini (do próprio Google) ou o ChatGPT (da OpenAI, apoiada pela Microsoft), as empresas estão readequando seus orçamentos.
Isso inclui cortes em áreas menos estratégicas ou que estão passando por reestruturações.
E agora?
Com o anúncio recente, cresce a atenção em torno dos movimentos estratégicos do Google.
A unificação das equipes de plataformas e dispositivos visa otimizar processos e alinhar esforços para enfrentar uma nova era digital marcada pela IA e pela computação em nuvem.
Os próximos passos da Alphabet devem manter esse foco em inteligência artificial e serviços em nuvem, com apostas crescentes em produtos como o Bard, o Gemini e novos recursos integrados ao ecossistema do Google.
Embora as demissões gerem impacto no curto prazo, especialistas apontam que elas fazem parte de um movimento mais amplo de reorganização do setor de tecnologia para manter competitividade em um mercado altamente dinâmico.
O desafio, agora, será equilibrar inovação, rentabilidade e o cuidado com as pessoas que fazem essas inovações acontecerem.
