Viajar com os colegas de trabalho e não gastar nada com passagens, hospedagem ou alimentação é um benefício que há alguns anos poderia parecer inimaginável, mas tem sido adotado por empresas que investem em férias corporativas para oferecer melhores condições aos seus funcionários.
A tendência acompanha a ampliação das vantagens corporativas, que vão além de vale-refeição e plano de saúde para incluir opções como flexibilização do trabalho, subsídios para academia, programas educacionais e assistência psicológica.
Benefícios que vão além do óbvio
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) destaca que as vantagens oferecidas aos colaboradores são fatores decisivos na escolha de um local de trabalho.
Além de atraí-los, esses benefícios ajudam a mantê-los na empresa e a aumentar a produtividade.
Inicialmente, o subsídio para viagens era mais comum entre empresas do setor de turismo. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o Airbnb, por exemplo, oferece anualmente US$ 2 mil (cerca de R$ 11,5 mil) em créditos de viagem para seus funcionários.
No entanto, companhias de outros segmentos também estão implementando essa vantagem, como a multinacional FI Group, que organiza viagens anuais com tudo pago para os colaboradores.
A empresa já levou seus funcionários para destinos como Trancoso, Angra dos Reis, Cartagena e até para um cruzeiro de quatro dias pelo litoral brasileiro.
Iniciativas como essa promovem o bem-estar dos funcionários e proporcionam momentos de lazer que ajudam a desconectar da rotina corporativa.
Em vez de preocupações com prazos e reuniões, a dúvida passa a ser sobre quais passeios fazer ou o que levar na mala, como casacos para dias de frio ou maiôs elegantes para curtir a praia.
Integração, descanso e pertencimento
A gerente de Recursos Humanos (RH) da FI Group, Vanessa Montagnoli, explica que parar a empresa para uma viagem no final do ano é um desafio, mas que acreditam que faz toda a diferença.
“Esse momento permite que as pessoas vivenciem a nossa cultura e fortaleçam conexões. Somos um país continental e é difícil juntar alguém de Manaus com alguém de Porto Alegre”, acrescenta, em entrevista à imprensa.
O programa “Não Inviabilize”, da contadora de história Déia Freitas, também investe nesse tipo de experiência.
Em 2023, a equipe viajou para a Europa, passando por Espanha, França e Inglaterra, com os gastos custeados pela empresa. No ano passado, o destino foi Punta Cana, na República Dominicana.
Os planos para 2025 já estão definidos, quando os funcionários viajarão para Nova Iorque, nos Estados Unidos, com a organização custeando também o processo de visto norte-americano, conforme conta Déia.
Além de promover integração entre os times, essas viagens também incentivam os funcionários a aproveitarem experiências que talvez não tivessem por conta própria, seja por falta de tempo ou condição financeira.
Para muitos, é a chance de conhecer novos destinos, explorar praias paradisíacas e até renovar o guarda-roupa para a ocasião, escolhendo itens como biquínis cintura alta para os dias de descanso à beira-mar.
Cenário favorece o surgimento de serviços voltados para benefícios de turismo
A valorização do bem-estar e do equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal também tem impulsionado o surgimento de novas soluções no mercado de benefícios corporativos. A Férias & Co, fundada pelo empresário Bruno Carone, é um exemplo dessa tendência.
A empresa foi lançada em 2022 com um modelo semelhante ao de um plano de saúde, no qual empregadores e funcionários contribuem mensalmente determinada quantia.
Esta é transformada em créditos, dos quais os funcionários podem usar em viagens.
O modelo permite flexibilidade para os colaboradores, que podem optar por diferentes faixas de contribuição para aumentar seus créditos e utilizá-los da forma que desejarem dentro da plataforma, seja para passagens aéreas ou hospedagens no Brasil e no exterior.
No primeiro ano de operação, 50 empresas aderiram ao serviço, somando cerca de 2 mil assinantes. Em 2023, o número cresceu para 130 empresas e 8 mil beneficiados.
Para Carone, essa expansão reflete uma mudança no mercado de trabalho.
“Principalmente depois da pandemia, as pessoas querem um maior equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. Então, as empresas também estão olhando muito para isso”, comentou à imprensa.
Equilíbrio pós-pandemia: o que os profissionais realmente valorizam

A pandemia redefiniu prioridades. Mais do que salário, profissionais buscam equilíbrio, tempo de qualidade e experiências que tragam sentido ao trabalho.
As férias corporativas dialogam diretamente com essa nova realidade, sendo percebidas não só como mimo, mas como uma forma de reconhecer o esforço e estimular a permanência no time.
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Vale a pena investir em férias corporativas?
O investimento inicial pode parecer alto, mas os retornos vão muito além do financeiro. Ao promover experiências únicas, as empresas fortalecem o vínculo emocional com o colaborador, aumentam o engajamento e reduzem o turnover.
Para o RH, é uma forma concreta de humanizar a gestão, tornar a cultura mais viva e atrativa — dentro e fora da organização.
