Modelo de gestão: mecanicista, orgânico e cerebral

Nos ambientes corporativos, os modelos de gestão desempenham um papel crucial na estruturação e condução das organizações rumo aos seus objetivos. Entender o que são esses modelos, conhecer os diferentes tipos disponíveis e saber qual deles implantar são questões fundamentais para os gestores e líderes.
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modelos de gestão para sua equipe

O modelo de gestão ideal para cada negócio é uma decisão relevante, para que seja possível identificar quais cuidados adotar para que o negócio tenha a máxima eficiência.

Não há uma resposta que sirva para todos os negócios. Por isso, existem tantos modelos de negócios.

Para que tenha uma visão geral sobre o tema, trouxemos 3 modelos: mecanicista, orgânico e cerebral.

Dessa forma, poderá ter uma visão abrangente sobre o assunto, aumentando suas possibilidades de adotar o modelo de gestão que seja mais compatível com a sua demanda atual.

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O que é um modelo de gestão?

Antes de tudo, é importante compreender que o modelo de gestão representa um conjunto de estratégias que orientam como a empresa será conduzida.

Independentemente do modelo adotado, ele deve servir como guia para a tomada de decisões, oferecendo diretrizes claras para que toda a equipe atue de forma alinhada.

Ter um modelo de gestão bem definido é essencial para que os colaboradores saibam como se posicionar diante dos desafios do mercado.

Com um direcionamento claro, a alocação de recursos — sejam eles humanos, financeiros, tecnológicos ou materiais — torna-se mais eficiente. E essa organização é fundamental para manter a empresa em constante evolução e crescimento.

Como fazer um modelo de gestão?

Você não precisa criar um modelo de gestão do zero para o seu negócio. O mais importante é investir em planejamento para compreender a fundo a empresa e identificar qual modelo melhor se encaixa à sua realidade.

Ao analisar as dinâmicas internas de forma individualizada, é possível escolher um modelo de gestão alinhado às estratégias financeiras, mercadológicas e à cultura organizacional da empresa.

Mais do que isso, o modelo escolhido deve estar em total sintonia com os objetivos do negócio. Quando não há coerência entre modelo de gestão e metas organizacionais, a implementação se torna insustentável — o que pode comprometer o desempenho da equipe e gerar prejuízos.

Por isso, antes de tentar encaixar sua empresa em um modelo considerado ideal, é essencial conhecer profundamente sua operação, cultura, recursos e objetivos. Essa compreensão é o que garante decisões assertivas e sustentáveis a longo prazo.

Quais os tipos de modelo de gestão?

É muito normal ter dúvida sobre quais são os modelos de gestão organizacional com os quais contar.  Existem dezenas de modelos! 

Alguns deles são:

  • Gestão democrática;
  • Gestão meritocrática;
  • Gestão com foco em resultados;
  • Gestão por cadeia de valor;
  • Gestão por desempenho;
  • Gestão comportamental.

Além de muitos outros modelos que podem ser utilizados no cotidiano de um negócio. A escolha sempre deve ser pautada pela análise de sua empresa.

De modo que, entenda a importância do modelo de gestão e possa identificar qual é o modelo compatível com a sua demanda atual.

Afinal, não há um modelo que seja melhor que o outro em todos os casos. Todavia, é importante perceber que existem modelos que se encaixam melhor em alguns negócios que outros.

Modelo de gestão mecanicista

O modelo de gestão mecanicista é o modelo ideal para as organizações que têm a produção em série como sua meta principal, quer seja no setor primário, secundário ou terciário.

Os exemplos mais conhecidos são a linha de montagem da indústria automobilística e as grandes franquias, como McDonald’s.

Outro exemplo menos conhecido, mas muito atual, que também poderia ser citado, é a Revista Veja, que circula semanalmente em todo território nacional, que por muitos anos obrigou a Editora Abril a terceirizar sua impressão para algumas indústrias gráficas.

A medida de escolher gráficas distribuídas pelas cinco regiões do Brasil, se tornou a única alternativa de atender à demanda de seu produto, dentro dos padrões de qualidade e prazos exigidos.

Este modelo de gestão é o mais indicado quando a precisão, a segurança e a responsabilidade são valorizadas.

Por outro lado, mesmo trabalhando com uma plataforma de baixo custo, o Modelo de Gestão Mecanicista é muito “engessado” para os dias atuais de economia globalizada.

Uma vez que, as organizações enfrentam um ambiente extremamente volátil, que exige constantes mudanças e adaptações a novos cenários.

Além dessa limitação, este modelo é conhecido como desumanizante e irracional, em função de estar focado no resultado, sem se importar com outros aspectos, como a geração e manutenção de postos de trabalho, desenvolvimento humano, dentre outros.

O que é Modelo de Gestão Orgânico?

Entenda como é realizado um modelo de gestão orgânico!

O modelo de gestão orgânico surgiu como resposta à crescente necessidade de adaptação das organizações diante de um mercado cada vez mais instável, competitivo e dinâmico. Diferente do modelo mecanicista, o modelo orgânico enxerga a organização como um sistema aberto, capaz de evoluir continuamente por meio da interação com o ambiente externo.

Esse modelo prioriza a flexibilidade organizacional, incentivando estruturas menos rígidas, com processos decisórios descentralizados e hierarquias mais horizontais. Como resultado, promove maior autonomia, estímulo à inovação e oportunidades reais de desenvolvimento humano dentro das equipes.

Entre as principais características das organizações que adotam esse modelo, destacam-se:

  • Redefinição constante dos cargos, conforme as necessidades da empresa;
  • Maior amplitude de comando por parte dos supervisores;
  • Valorização da comunicação informal como ferramenta de alinhamento e troca;
  • Estímulo à interação lateral e horizontal entre os colaboradores;
  • Ênfase em boas relações humanas e na construção de um ambiente colaborativo.

Um exemplo notável de empresa que adotou o modelo de gestão orgânico é a IBM (International Business Machines). Após enfrentar sérios prejuízos enquanto operava com um modelo mecanicista, a empresa reformulou sua estrutura, adotando práticas mais flexíveis e adaptáveis para continuar competitiva.

Apesar dos benefícios, o modelo orgânico também recebe críticas — especialmente pela forma como busca reproduzir a lógica da natureza nas organizações, assumindo que sistemas sociais e empresariais seguem princípios objetivos e previsíveis. Essa visão, muitas vezes, não se sustenta na complexidade das relações humanas e organizacionais.

Se você deseja se aprofundar no tema, aproveite para fazer um curso completo sobre Gestão por Competências — um excelente complemento para quem busca entender modelos organizacionais contemporâneos.

Modelo de Gestão Cerebral

O Modelo de Gestão Cerebral encontra-se em desenvolvimento e ainda é uma expectativa de superação das limitações encontradas nos modelos comentados anteriormente.

Segundo Gareth Morgan (1996), esse modelo se destaca por valorizar o processamento de informações, a aprendizagem contínua e a inteligência organizacional. A ideia central é que a organização funcione como um “cérebro coletivo”, capaz de aprender, adaptar-se e evoluir constantemente por meio do conhecimento e da análise crítica.

Baseado em quatro pilares fundamentais, o modelo propõe uma abordagem avançada de gestão que, apesar de promissora, ainda é de difícil aplicação na maioria das organizações atuais:

Organizações como sistemas de aprendizagem:

 O modelo defende que organizações inovadoras devem ser planejadas como sistemas de aprendizado, nos quais a investigação constante e a autocrítica ocupem papel central na construção de soluções e estratégias.

Gestão estratégica voltada ao aprender a aprender:

Em vez de apenas resolver problemas, a administração deve ser estruturada para ensinar a organização a aprender continuamente, promovendo a evolução do pensamento estratégico.

Superação da racionalidade limitada:

 O modelo sugere que é possível ultrapassar os limites da racionalidade tradicional ao incorporar outras formas de cognição — como o pensamento holístico, analógico, intuitivo e criativo — nos processos decisórios.

Uso da tecnologia como estímulo organizacional:

 Com os avanços da computação e do microprocessamento, o modelo propõe que a tecnologia seja usada como aliada na criação de novas estruturas organizacionais, mais adaptáveis, inteligentes e colaborativas.

Limitações do modelo de gestão

Mesmo ainda em fase de desenvolvimento, Goreth Morgan aponta as seguintes limitações neste Modelo de Gestão:

1. “Perigo de não se considerar importantes conflitos entre os requisitos da aprendizagem e auto-organização por um lado e das realidades de poder e controle por outro”.

2. Qualquer movimento no sentido da auto-organização deve ser acompanhado por importantes mudanças de atitudes e valores ou as realidades do poder podem ser reforçadas pela inércia, que vem de suposições e crenças existentes”.

Por fim, é possível concluir que um modelo de gestão não invalida o outro e que para se escolher um determinado modelo.

É importante sempre considerar algumas variáveis relevantes: objetivos estratégicos, mercado, tecnologia, recursos, cultura, clima, localização etc. Não existe um modelo ideal, porque não existem organizações iguais.

O que faz com que o bom gestor seja aquele que está sempre atento ao mercado e que busca evolução contínua para o negócio.

Afinal, empresas são organismos vivos que precisam de constante atualização para que não fiquem obsoletas no mercado, perdendo espaço para os concorrentes diretos.

Em tempos voláteis as empresas precisam se reinventar

Quando o assunto são os modelos de gestão, é importante que a equipe entenda que um modelo jamais deve ser o responsável por engessar a operação.

Caso contrário, ao invés de beneficiar o negócio, a escolha do modelo de gestão poderá ser responsável por sua ruína.

Em tempos como os atuais, no qual a volatilidade é parte do mercado, é fundamental que a empresa tenha um modelo que não sufoque a criatividade da equipe.

Em resumo, a capacidade de inovar, surpreender e atender as expectativas dos clientes é fundamental para negócios se manterem relevantes em seus mercados.

Em um mercado cada vez mais dinâmico e desafiador, não existe um modelo de gestão perfeito — existe aquele que melhor se alinha ao momento, à cultura e aos objetivos do seu negócio. Mais do que seguir fórmulas prontas, empresas bem-sucedidas são aquelas que sabem se adaptar, evoluir e aprender continuamente.

Um modelo de gestão não deve engessar a operação, mas sim impulsionar a inovação, dar espaço à criatividade da equipe e orientar decisões estratégicas com clareza. Afinal, organizações são organismos vivos — e, como tal, precisam se reinventar para seguir crescendo e se mantendo relevantes.

Psicóloga, pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos, atuando há mais de 6 anos em empresas de tecnologia, desde o recrutamento e seleção, até ao desenvolvimento de competências e retenção de pessoal. Desenvolvimento de ações de fortalecimento da cultura organizacional, implementação e acompanhamento de feedbacks contínuos, Okr’s, treinamentos.

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