Atestado médico falso: o que caracteriza, quais os riscos e como as empresas podem agir

Apresentar atestado médico falso é crime e pode levar à demissão por justa causa. A matéria explica o que diz a lei, como identificar fraudes e quais medidas as empresas podem adotar para se proteger.
5 min. de leitura
afastamento pelo INSS

A apresentação de um atestado médico falso é uma prática que, além de comprometer a relação de confiança entre colaborador e empresa, pode configurar crime e gerar sérias consequências trabalhistas e penais. 

Em tempos em que a tecnologia permite checagens rápidas, o mercado informal de atestados falsificados preocupa empregadores e órgãos reguladores.

A falsificação de documentos médicos tem sido facilitada por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens, onde grupos e perfis oferecem atestados prontos por valores que variam conforme a quantidade de dias de “licença” desejada. 

A prática tem sido alvo de medidas de fiscalização mais rigorosas e gerado debate sobre os direitos e deveres das partes envolvidas.

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É crime fazer atestado médico falso?

Sim. A emissão ou apresentação de um atestado médico falso é considerada crime. 

Quando o próprio colaborador falsifica o documento ou faz uso de um atestado adulterado, ele pode ser enquadrado por falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal). 

Nesse caso, a pena prevista é de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa.

Se o atestado for emitido por um profissional da saúde que faz uso indevido do CRM ou fornece o documento sem ter realizado o atendimento, também pode haver responsabilização. 

O médico pode responder por infração ética junto ao Conselho Regional de Medicina e até mesmo ser penalizado criminalmente.

Leia também: Conheça os principais tipos de atestados médicos

É fácil descobrir atestado falso?

Embora alguns documentos falsificados se assemelhem bastante aos atestados verdadeiros, diversos sinais podem levantar suspeitas. 

Entre os indícios mais comuns estão:

  • Falta de assinatura médica ou CRM incompatível
  • Erros gramaticais e de formatação
  • Dados do paciente divergentes
  • Datas incoerentes com o expediente da clínica ou hospital

Além disso, com o avanço da digitalização na saúde, o uso da plataforma Atesta CFM, lançada pelo Conselho Federal de Medicina, facilita a conferência de atestados médicos. 

A ferramenta permite que empresas consultem a autenticidade dos documentos diretamente no sistema.

A plataforma funciona tanto para médicos quanto para empregadores e pacientes, e passou a ser obrigatória para todos os profissionais da saúde desde março de 2025. 

Tem como a empresa descobrir um atestado falso?

o que é saúde financeira

Sim, e cada vez com mais facilidade. Além da conferência manual dos dados no documento, as empresas podem:

  1. Entrar em contato com a unidade de saúde citada no atestado para confirmar se o colaborador esteve de fato no local na data informada;
  2. Usar plataformas digitais como a Atesta CFM para verificar autenticidade;
  3. Checar a regularidade do CRM do profissional emissor no site do Conselho Regional de Medicina;
  4. Solicitar contraprova em caso de suspeita fundamentada.

Vale lembrar que, mesmo com a possibilidade de verificação, a empresa deve agir com cautela para evitar constrangimentos e ilegalidades

Qualquer abordagem ao colaborador precisa estar embasada em evidências e seguir o devido processo disciplinar.

O que diz a CLT sobre atestado falso?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trata a falsificação de documentos como falta grave, passível de demissão por justa causa

O artigo 482, alínea “a”, prevê a dispensa do trabalhador em caso de ato de improbidade, o que inclui a apresentação de documentos falsos.

Quando a justa causa é aplicada, o colaborador perde o direito:

  • Ao aviso prévio;
  • À multa de 40% sobre o FGTS;
  • Ao saque do FGTS;
  • Ao seguro-desemprego;
  • Às férias proporcionais (se ainda não adquiridas);
  • Ao 13º proporcional (se ainda não adquirido).

Contudo, férias e 13º salário já adquiridos não podem ser retirados. Ainda assim, a perda financeira e de direitos pode ser significativa, e comprometer futuras oportunidades profissionais, já que o histórico de demissão por justa causa impacta a reputação do profissional.

Consequências para o profissional e para o médico

O uso de atestado falso não é apenas uma questão trabalhista. O colaborador pode ser acionado na esfera criminal, respondendo por falsidade ideológica, e ainda arcar com indenizações civis, caso haja prejuízos comprovados para a empresa.

Do lado dos profissionais da saúde, a penalização é igualmente rigorosa. Médicos que emitem atestados falsos ou sem avaliação clínica séria podem sofrer advertências, suspensão do direito de exercer a medicina e até mesmo a cassacão do registro profissional.

Leia também:

Uso de tecnologia no combate a fraudes

atestado de antecedentes criminais

O Conselho Federal de Medicina tem apostado na tecnologia para inibir a falsificação. 

Com o Atesta CFM, além de validar atestados, é possível emitir documentos diretamente da plataforma, inclusive por telemedicina, com envio automático para o paciente e para o empregador.

A ferramenta permite ainda:

  • Personalização do atestado (com logotipo, marca e design);
  • Registro do histórico de consultas;
  • Cancelamento de documentos indevidos;
  • Integração com sistemas de prescrição digital já existentes.

Recomendações para o RH

  • Oriente os colaboradores sobre as conseqüências legais da apresentação de documentos falsos
  • Tenha um procedimento formal de conferência de atestados, principalmente os que geram dúvidas
  • Utilize ferramentas oficiais de verificação
  • Documente todas as etapas da apuração antes de tomar qualquer medida disciplinar

A prevenção e a transparência são aliadas importantes para evitar conflitos e manter a segurança jurídica nas relações de trabalho.


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