No Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), celebrado em 27 de junho pela Organização das Nações Unidas (ONU), o RH Portal traz uma reportagem exclusiva sobre a Mileto.
Essa HR Tech brasileira vem ganhando destaque ao propor uma nova abordagem no recrutamento de jovens talentos do ensino técnico.
A startup acaba de captar R$ 1,2 milhão em uma rodada de investimento anjo e se prepara para escalar suas operações em todo o país.
Dia internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas: Da dor à solução
A origem da Mileto remete à vivência de seus fundadores com educação, mercado de trabalho e juventude.
Giuliano Amaral e seu sócio, que também têm passagens por empresas de tecnologia e instituições de ensino, identificaram que muitas empresas relutam em contratar estagiários por não enxergarem retorno imediato.
Ao mesmo tempo, jovens tecnicamente bem formados enfrentam dificuldades para conseguir uma vaga por falta de preparo para processos seletivos ou ausência de soft skills.
A Mileto foi criada para mediar essa relação, oferecendo uma jornada completa.
Funciona assim: os jovens são recrutados por meio de parcerias com escolas técnicas e redes públicas de ensino. Ao entrarem na plataforma, recebem suporte com:
- Mentorias individuais com especialistas de mercado;
- Bolsa integral no Descomplica Enem, para suporte acadêmico;
- Trilhas de desenvolvimento pessoal e profissional;
- Acompanhamento após a contratação, garantindo adaptação e performance no estágio.
Essa abordagem torna o processo mais atrativo para as empresas, que passam a ter acesso a um pipeline de talentos já preparados e alinhados culturalmente com suas necessidades.
A Mileto trabalha no modelo B2B, cobrando das empresas pelo serviço de conexão e desenvolvimento, o que permite manter o acesso gratuito para os estudantes.
“Muitas empresas erram ao pensar que estágio é sinônimo de mão de obra barata. A gente mostra que estágio pode e deve ser uma via estratégica para formar talentos do zero, com valores e competências alinhadas”, comenta Giuliano.
Investimento com propósito

A rodada de investimento anunciada em abril marca um novo capítulo para a startup.
Com R$ 1,2 milhão captados, a Mileto mira na expansão para novas regiões do Brasil, melhorias na plataforma de acompanhamento e no fortalecimento de seu time pedagógico.
Entre os investidores estão nomes de peso do ecossistema de educação e tecnologia, como:
- Mario Ghio – ex-CEO da Somos Educação.
- Anderson Morais – fundador do Descomplica.
- Simmon Nam – investidor-anjo ativo no setor edtech.
Além do capital, os investidores trazem know-how e networking estratégico.
Todos eles, segundo Giuliano, já atuaram como líderes diretos dos fundadores da Mileto no passado; uma chancela relevante ao time de empreendedores.
“Mais do que o valor financeiro, o que nos empolga é contar com pessoas que conhecem profundamente os desafios da educação e acreditam que o estágio técnico pode ser um vetor de transformação social”, reforça.
Jovens talentos técnicos: uma aposta que pode transformar o futuro do trabalho
Uma das inovações da Mileto é a matriz de competências própria desenvolvida para mapear o “match” entre jovens e empresas.
Ao cruzar habilidades técnicas, perfis comportamentais e valores culturais, a startup consegue indicar talentos com alto potencial de adaptação e desempenho.
Esse resultado é especialmente valioso em um momento em que o turnover de estagiários preocupa o setor de Recursos Humanos.
De acordo com dados internos da startup, 95% dos jovens atendidos pela plataforma se veem trabalhando nas empresas após o estágio, enquanto 91% dos gestores pretendem efetivá-los.
O nível de satisfação, tanto dos estudantes quanto dos líderes, mostra que o modelo tem gerado impacto real.
Para complementar, a Mileto acompanha os estagiários nos três primeiros meses de atuação com check-ins quinzenais, escuta ativa e apoio no desenvolvimento de metas.
Esse suporte também serve para educar os gestores, principalmente aqueles em cargos de liderança pela primeira vez.
“Preparar o jovem é só metade do caminho. Também estamos ajudando empresas a evoluírem em sua cultura de desenvolvimento. A experiência do estágio precisa ser positiva para os dois lados”, pontua Giuliano.
Formação técnica: estigma ou oportunidade?

Embora países como Alemanha, Canadá e Japão tenham o ensino técnico como base para a formação de mão de obra qualificada, no Brasil o modelo ainda carrega um estigma.
Muitas vezes, é visto como um “plano B” para quem não consegue ingressar na universidade. Giuliano acredita que chegou a hora de mudar essa mentalidade.
Segundo o Censo Escolar, apenas 12,6% dos alunos do ensino médio no Brasil estão matriculados em cursos técnicos integrados, enquanto a média dos países da OCDE é de 41%.
A baixa adesão e a falta de inserção prática nas empresas comprometem a efetividade desse modelo de ensino.
“O jovem técnico não é um profissional pela metade. Ele é alguém que aprendeu com prática, tem agilidade e quer trabalhar. Falta o mercado reconhecer esse potencial e criar oportunidades reais de crescimento”, diz o CEO.
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A Mileto como ponte: entre escola, jovem e mercado
A Mileto atua, de forma prática, como uma ponte tripla: entre escolas técnicas, jovens aprendizes e empresas contratantes.
Seu diferencial está em ir além da intermediação.
A startup cria comunidades de aprendizagem, encontros de integração entre alunos e mentores, e fomenta um ambiente de pertencimento para que os jovens se vejam como protagonistas.
O nome “Mileto” vem da antiga cidade grega onde nasceram filósofos como Tales, conhecidos por questionar o senso comum e buscar novos caminhos para explicar o mundo.
A escolha não é à toa: a empresa quer desafiar o modelo tradicional de contratação e desenvolvimento de talentos.
“Quando um jovem técnico é contratado e se sente valorizado, ele volta para casa acreditando que pode crescer. Isso muda não só a trajetória dele, mas de toda a sua comunidade”, relata Giuliano.
Próximos passos e futuro da educação corporativa

Com a nova rodada de capital, a Mileto planeja fortalecer sua tecnologia, ampliar a atuação para mais de dez estados brasileiros até o fim de 2025 e lançar um programa de capacitação para empresas parceiras.
A meta é ajudar os RHs a estruturarem programas de estágio mais estratégicos e inclusivos, com base em dados e práticas de gestão ágil.
A empresa também vai investir em novas parcerias com secretarias estaduais de educação e instituições de ensino técnico para garantir mais acesso e capilaridade.
“Nosso sonho é que nenhuma empresa precise procurar no escuro quando quiser contratar um jovem técnico. E que nenhum jovem preparado fique de fora do mercado por falta de conexão”, finaliza Giuliano.
Reflexão para o mercado
No Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, é impossível ignorar o papel que startups como a Mileto desempenham na reconstrução do mercado de trabalho.
Com um modelo de negócio escalável, foco em impacto social e visão de futuro, a empresa representa uma nova geração de empreendedores: aqueles que veem o lucro como consequência de gerar valor real.
Para o RH, fica o convite: rever seus programas de estágio, olhar com mais atenção para os talentos técnicos e construir pipelines mais diversos, inclusivos e duradouros.
