As micro e pequenas empresas (MPEs) seguem como protagonistas da geração de empregos formais no Brasil em 2025.
Responsáveis por mais de 546 mil admissões com carteira assinada entre janeiro e abril, essas empresas representaram cerca de 60% do total de vagas criadas no país no período, segundo dados do Caged analisados pelo Sebrae.
Serviços impulsionam contratações nas micro e pequenas empresas
Em abril, as MPEs criaram mais de 171,2 mil vagas formais, o equivalente a 66,5% dos postos de trabalho abertos no mês.
O setor de Serviços foi o principal motor dessa expansão, com 83,8 mil novas contratações. Em seguida, vieram o Comércio (37,9 mil) e a Construção (29,2 mil).
A atuação intensa desses setores entre os pequenos empreendimentos está ligada à forte demanda urbana por serviços diversos, à dinâmica de consumo das famílias e ao perfil das empresas com maior capacidade de absorver mão de obra qualificada ou em transição de carreira.
O que é considerado uma micro e pequena empresa?
Segundo a Lei Complementar 123/2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, uma microempresa (ME) é aquela com receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360 mil.
Já uma empresa de pequeno porte (EPP) possui receita bruta anual superior a R$ 360 mil e igual ou inferior a R$ 4,8 milhões.
Essas empresas têm acesso facilitado ao regime tributário do Simples Nacional, além de linhas de crédito e programas de apoio à formalização e à capacitação empresarial.
Qual a diferença entre micro e pequenas empresas?

A principal diferença entre micro e pequenas empresas está no faturamento anual. Microempresas (MEs) podem faturar até R$ 360 mil por ano, enquanto as Pequenas Empresas (EPPs) podem faturar até R$ 4,8 milhões anualmente.
Essa distinção impacta diretamente o porte operacional, o número de funcionários e as obrigações fiscais de cada tipo de negócio.
Apesar das diferenças, ambas representam o segmento de pequenos negócios e são essenciais para a distribuição de renda, redução do desemprego e dinamismo econômico regional.
Desempenho das MPEs acompanha melhora geral do mercado de trabalho
O avanço das micro e pequenas empresas na geração de empregos reflete a tendência de recuperação sustentada do mercado de trabalho.
A PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE, indicou que o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou 39,6 milhões no trimestre encerrado em abril — o maior da série histórica.
Houve crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior e de 3,8% frente ao mesmo período de 2024.
A taxa de desocupação ficou em 6,6%, sinalizando estabilidade no emprego formal.
Redução da informalidade e avanço da formalização
Outro dado positivo é a queda da informalidade. De acordo com o IBGE, a taxa de informalidade caiu de 38,3% para 37,9% no trimestre encerrado em abril.
O número de trabalhadores sem carteira assinada permaneceu em 13,7 milhões e os autônomos somaram 26 milhões.
Esse cenário sugere que as micro e pequenas empresas estão contribuindo para conter o crescimento da informalidade, absorvendo mão de obra em condições mais estruturadas.
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Políticas públicas impulsionam o crescimento das MPEs

Especialistas associam o desempenho das micro e pequenas empresas a iniciativas de apoio ao empreendedorismo, como programas de microcrédito, simplificação tributária e acesso facilitado a serviços de gestão.
O Simples Nacional, por exemplo, permite arrecadação unificada de tributos e reduz a carga fiscal para MPEs.
Além disso, o Sebrae atua com capacitação, orientação técnica e consultoria para fortalecer a gestão desses negócios.
MPEs como protagonistas da economia brasileira
As micro e pequenas empresas representam 99% dos CNPJs ativos no Brasil e respondem por mais de 54% dos empregos formais no setor privado.
Também têm papel fundamental na arrecadação tributária municipal e no desenvolvimento local.
Em muitas cidades de pequeno porte, as MPEs são a principal fonte de emprego e renda, sendo essenciais para a manutenção de atividades econômicas e serviços.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
A expectativa é de que o ritmo de contratações se mantenha estável ou em leve alta nos próximos meses.
Segmentos como alimentação fora do lar, transporte, comércio varejista e construção devem continuar liderando o saldo de admissões.
Fatores como controle inflacionário, estímulo ao consumo e expansão do crédito devem contribuir para aquecer ainda mais os pequenos negócios.
Impacto nas atividades contábeis e gestão de pessoas
Com o aumento das contratações formais, contadores e profissionais de RH se tornam ainda mais essenciais na gestão das micro e pequenas empresas.
As MPEs precisam cumprir obrigações acessórias, gerir folhas de pagamento, adequar-se à LGPD e adotar boas práticas de retenção de talentos.
Esse movimento também gera oportunidades para escritórios contábeis e consultorias que oferecem soluções em gestão de pessoas e compliance trabalhista.
Cenário aponta para estabilidade e inclusão
O avanço das micro e pequenas empresas na contratação formal é um indicativo importante da capacidade de recuperação do mercado de trabalho brasileiro.
A manutenção de um ambiente favorável à atividade empreendedora será decisiva para a geração de empregos com carteira assinada e redução da informalidade.
Com participação expressiva no PIB e protagonismo na inclusão social, as micro e pequenas empresas seguem como pilar da economia nacional em 2025.
