Fim da escala 6×1: entenda os impactos na jornada de trabalho no Brasil

A PEC propõe substituir a escala 6x1, que prevê seis dias de trabalho e um de folga, por um modelo 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
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fim da escala 6x1

A PEC que quer colocar fim à escala 6×1 será protocolada com a presença de representantes do Movimento VAT e de movimentos sociais aliados

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala de trabalho 6X1. 

Ainda, a proposta tem ganhado grande apoio nas redes sociais e conseguiu reunir 234 assinaturas, ultrapassando o mínimo necessário de 171 deputados para iniciar a tramitação.

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O que diz a proposta do fim da escala 6×1?

A PEC busca alterar as regras estabelecidas na Constituição Federal e na Consolidação das Leis do Trabalho, que datam de 1943. 

Atualmente, a CLT permite que um trabalhador tenha seis dias consecutivos de trabalho, desde que tenha ao menos um dia de descanso semanal remunerado de 24 horas.

Além disso, a Constituição Federal garante o direito ao “repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos”, mas não especifica a duração mínima desse descanso. 

No artigo 7º, também está previsto que a duração do dia trabalhado não deve ultrapassar oito horas e que a jornada semanal não pode exceder 44 horas.

A proposta da deputada sugere reduzir essa carga horária para 36 horas semanais, viabilizando uma semana de quatro dias de trabalho, sem redução salarial ou de benefícios.

Ainda, a PEC propõe o fim da escala 6×1, que estabelece seis dias consecutivos de trabalho para um de folga, substituindo esse formato por um modelo de quatro dias de trabalho e três de descanso (escala 4×3).

Como é a escala 6×1 hoje?

A escala 6×1 permite que o trabalhador atue por seis dias consecutivos e tenha descanso no sétimo dia. 

Esse formato é comum em diversos setores, especialmente no comércio, indústria e serviços, garantindo que empresas possam operar durante toda a semana.

Desde a criação da CLT, diversas reformas trabalhistas foram implementadas, como a de 2017, que introduziu o trabalho intermitente e flexibilizou a compensação de horas extras. 

No entanto, o modelo de um único descanso semanal remunerado de 24 horas consecutivas permaneceu inalterado.

A Constituição já passou por alterações na duração da jornada de trabalho. Antes, era de 48 horas semanais e foi reduzida para 44 horas com a Constituição de 1988.  Agora, Erika Hilton propõe mais uma atualização para 36 horas semanais.

Escala 4×3: lições internacionais e desafios 

A adoção da escala 4×3 no Brasil pode trazer uma transformação significativa, especialmente para os setores de indústria, comércio e serviços, com alta demanda de mão de obra.

Essa mudança pode exigir a reestruturação de turnos, ampliação do quadro de funcionários e revisão de processos operacionais, resultando em custos iniciais consideráveis.

Experiências internacionais oferecem aprendizados valiosos sobre a redução da jornada de trabalho. 

Na Islândia, por exemplo, entre 2015 e 2019, programas-piloto reduziram a carga horária para 35 a 36 horas semanais sem diminuição salarial, envolvendo cerca de 1% da população trabalhadora. 

Os resultados indicaram manutenção ou aumento da produtividade, além de maior satisfação e motivação no trabalho, com redução dos níveis de estresse.

De forma semelhante, no Reino Unido, um estudo com 61 empresas de diversos setores implementou a semana de quatro dias sem cortes salariais. 

A maioria das empresas registrou manutenção ou crescimento da produtividade, enquanto os trabalhadores relataram melhorias no equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Na Alemanha, um teste utilizando o modelo 100-80-100 (100% do salário, 80% do tempo trabalhado e manutenção de 100% da produtividade) mostrou resultados promissores, com 73% das empresas demonstrando interesse em adotar permanentemente o formato.

O Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), criado por Rick Azevedo, vereador mais votado pelo PSOL no Rio de Janeiro nas eleições de 2024, tem sido um dos principais articuladores da PEC nas redes sociais. 

Ainda, o movimento, que conta com 1,3 milhão de apoiadores, argumenta que a redução da carga horária traria mais qualidade de vida aos trabalhadores e impulsionaria a produtividade.

A PEC foi protocolada na Câmara com a presença de representantes do Movimento VAT e de outros movimentos sociais aliados. 

O debate sobre a escala 6×1 promete gerar discussões intensas no Congresso Nacional, principalmente entre setores empresariais e defensores dos direitos trabalhistas.

Divisões de opiniões e o futuro do trabalho no Brasil

A PEC que propõe mudanças na jornada de trabalho divide opiniões entre diferentes setores da sociedade. 

De um lado, empresas e empresários veem o modelo mais flexível como uma oportunidade para reduzir custos e aumentar a produtividade, defendendo que a adaptação a novos formatos de trabalho pode ser essencial para a competitividade. 

Por outro lado, sindicatos, trabalhadores e partidos de esquerda levantam preocupações sobre a precarização dos direitos trabalhistas e a insegurança gerada por uma possível flexibilização excessiva. 

Ainda, o debate promete moldar o futuro do do trabalho no Brasil, com implicações diretas na qualidade de vida e na estabilidade dos colaboradores.

Quando começa a valer a nova escala 6×1?

A PEC ainda precisa passar por todas as etapas de tramitação no Congresso antes de se tornar lei. Caso seja aprovada, haverá um prazo para sua implementação, que pode variar conforme definição dos parlamentares.

É verdade que a escala 6×1 acabou?

Ainda não. A proposta foi apenas protocolada e precisa ser discutida e aprovada nas duas casas legislativas.

O que vai acontecer com a escala 6×1?

Se aprovada, a escala 6×1 seria substituída por uma jornada de trabalho reduzida, limitando-se a 36 horas semanais.

Como vai ficar a escala 6×1 agora?

Por enquanto, a legislação trabalhista vigente continua a mesma. As mudanças dependerão da aprovação da PEC e da definição de sua implementação pelo Congresso.

Desafios e adaptações na implementação da escala 4×3

Os resultados indicaram melhorias no bem-estar dos trabalhadores, com redução do estresse e aumento da motivação, além da manutenção da produtividade. 

No entanto, a adoção em larga escala enfrenta resistências, evidenciando os desafios na implementação.

Esses resultados mostram que fatores como o setor de atuação e a cultura organizacional, tanto do país quanto da corporação, têm impacto significativo, ressaltando a necessidade de adaptações conforme o contexto.

No Brasil, projetos-piloto podem testar a viabilidade do modelo 4×3, permitindo ajustes e identificação de desafios por setor.

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Como a tecnologia e o diálogo podem facilitar a adoção da escala 4×3 no Brasil?

O uso de tecnologias focadas em automação e eficiência operacional pode reduzir custos e ajudar as empresas a manter sua produtividade e competitividade. 

O diálogo entre governo, sindicatos e empresas, por sua vez, é essencial para alinhar expectativas e criar um modelo que atenda às necessidades de todas as partes envolvidas.

Empresas internacionais no Brasil podem precisar ajustar práticas locais e revisar políticas de gestão de trabalho para adotar a escala 4×3.

Para multinacionais que já implementam jornadas reduzidas em outros países, essa mudança pode representar uma oportunidade para expandir suas iniciativas globais. 

Além disso, pode fortalecer sua posição como empregadoras de destaque, atraindo talentos que valorizam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Embora os custos iniciais sejam inegáveis, os benefícios, tanto sociais quanto econômicos, podem ser significativos. 

Exemplos do Reino Unido e da Islândia mostram que, com planejamento, a redução da jornada de trabalho pode aumentar a produtividade e alinhar o Brasil às tendências globais.

Psicóloga, pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos, atuando há mais de 6 anos em empresas de tecnologia, desde o recrutamento e seleção, até ao desenvolvimento de competências e retenção de pessoal. Desenvolvimento de ações de fortalecimento da cultura organizacional, implementação e acompanhamento de feedbacks contínuos, Okr’s, treinamentos.

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