Deepfakes nas entrevistas de emprego: como o RH pode detectar e combater candidatos falsos

Deepfakes em entrevistas de emprego são uma ameaça crescente, com IA criando candidatos falsos realistas. Profissionais de RH devem adotar técnicas de verificação, como testar interações e verificar identidades, para combater essa ameaça.
8 min. de leitura
deepfake

A inteligência artificial tem transformado a forma como conduzimos processos seletivos, mas também trouxe consigo desafios que os profissionais de Recursos Humanos precisam enfrentar, como os deepfakes em entrevistas de emprego.

Com o avanço das tecnologias de deepfake, que permitem criar imagens e vídeos de pessoas falsas de forma extremamente realista, o RH se depara com uma nova ameaça: candidatos falsos gerados por IA.

De acordo com a consultoria Gartner, até 2028, um em cada quatro candidatos a vagas será falso.

Essa projeção já começa a ser visível, com o uso crescente de deepfakes em processos seletivos. Isso coloca em risco a integridade das informações coletadas durante entrevistas de emprego e pode resultar em sérios problemas para empresas que não estão preparadas para detectar essas fraudes.

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O que são deepfakes e como eles funcionam?

Os deepfakes são vídeos ou áudios manipulados com o uso de inteligência artificial, onde a aparência e a voz de uma pessoa podem ser simuladas para que pareçam reais. 

Inicialmente, a tecnologia foi utilizada para fins de entretenimento, como criar vídeos de celebridades ou políticos em situações fictícias. 

No entanto, com o tempo, a tecnologia se tornou mais acessível e seus usos se expandiram para outras áreas, incluindo fraudes em processos seletivos.

Em um processo seletivo, um candidato pode usar a tecnologia de deepfake para criar uma versão falsa de si mesmo, com vídeos altamente realistas, para tentar enganar o recrutador. 

Isso é possível graças a ferramentas de IA que conseguem gerar imagens de rostos, movimentos corporais e expressões faciais que parecem naturais, tornando extremamente difícil identificar que se trata de uma simulação.

Leia também: Vagas Fantasmas: o que são, por que empresas usam e como identificar?

Como identificar um deepfake em entrevistas de emprego por vídeo?

ferramenta de IA

Com a tecnologia de deepfake ficando mais sofisticada a cada dia, os recrutadores precisam estar atentos a sinais de que podem estar conversando com um impostor. 

Abaixo, apresentamos algumas dicas essenciais para identificar candidatos falsos durante entrevistas de emprego:

1. Peça ações que desafiem as limitações da IA

Em um vídeo criado por IA, ainda existem limitações técnicas que podem ser exploradas para identificar um deepfake. 

Uma das maneiras mais eficazes de verificar a autenticidade de um candidato é pedir para ele realizar ações simples que desafiem a tecnologia. 

Dawid Moczadło, CTO da Vidoc Security Lab, compartilhou em um post no LinkedIn que desconfiou de um candidato que estava usando deepfake quando ele se recusou a colocar a mão na frente do rosto durante a entrevista. 

Quando Moczadło fez o pedido, o candidato se mostrou evasivo, o que levantou suspeitas.

Você pode adotar abordagens semelhantes:

  • Solicite interações entre rosto e mãos: Peça para o candidato tocar o nariz ou a orelha, ou colocar a mão na frente do rosto. A IA ainda tem dificuldades em simular esses movimentos de maneira realista.
  • Teste ângulos de visão diferentes: Solicite que o candidato vire a cabeça para os lados ou faça movimentos rápidos com o pescoço para observar a fluidez dos movimentos.
  • Peça alterações no ambiente: Durante a entrevista, solicite que o candidato ajuste a luz ou a câmera, ou segure um objeto. Isso pode fazer com que a tecnologia de deepfake mostre falhas na adaptação ao novo cenário.

2. Observe inconsistências técnicas e visuais

Embora a tecnologia de deepfake em entrevistas de emprego tenha evoluído consideravelmente, ela ainda deixa sinais que podem ser percebidos por observadores atentos. 

É importante que os recrutadores fiquem atentos a inconsistências técnicas e visuais durante as entrevistas:

  • Contornos do rosto e iluminação: Preste atenção em falhas onde o rosto encontra o fundo, e em diferenças na iluminação entre o rosto e o ambiente. Deepfakes muitas vezes falham em sincronizar esses aspectos, criando bordas irregulares.
  • Sincronia de áudio e vídeo: Se os movimentos labiais do candidato não corresponderem ao áudio ou se houver atrasos no áudio, isso pode ser um sinal de que o vídeo foi manipulado.
  • Movimentos estranhos: Olhos robóticos, piscadas irregulares ou expressões faciais excessivamente suaves, sem as características naturais da interação humana, são sinais típicos de deepfakes.

3. Implemente protocolos de verificação de identidade

Para cargos remotos, principalmente os que envolvem acesso a sistemas sensíveis, é essencial ter protocolos rigorosos de verificação de identidade. 

Isso pode incluir uma combinação de medidas antes e durante a entrevista:

  • Verifique a identidade do candidato com documentos: Solicite documentos oficiais, como identidade ou passaporte, e compare-os com a imagem do candidato durante a entrevista.
  • Aplique testes práticos ao vivo: Para funções técnicas, aplique exercícios interativos durante a entrevista. Isso ajuda a observar a resolução de problemas em tempo real e é algo difícil de falsificar.
  • Crie políticas claras de verificação: Estabeleça protocolos obrigatórios para todas as entrevistas, incluindo verificações prévias de identidade e de conhecimentos técnicos, e compartilhe isso com os candidatos antes da entrevista.

4. Faça perguntas contextuais e culturais

Uma característica comum entre os deepfakes é que os golpistas frequentemente falham em responder perguntas inesperadas ou em demonstrar conhecimento contextual e cultural. 

Isso ocorre porque, muitas vezes, a IA gera respostas baseadas em dados e não em experiências reais. 

Durante a entrevista, considere fazer perguntas que testem o conhecimento local e situacional:

  • Teste conhecimentos geográficos: Se o candidato afirma ter vivido em uma determinada região, faça perguntas sobre pontos de referência ou costumes locais. Isso pode revelar se ele realmente conhece o local ou se está apenas repetindo informações superficiais.
  • Aprofunde em experiências anteriores: Pergunte sobre vivências profissionais de forma a exigir compreensão real e não apenas fatos decorados. Por exemplo, em vez de perguntar “Quais tecnologias você usou na Empresa X?”, pergunte “Como você resolveu um desafio técnico específico na Empresa X?”.
  • Peça exemplos situacionais: Perguntas que exigem o raciocínio prático do candidato são mais difíceis de falsificar. Por exemplo, “Qual foi a situação mais difícil que você enfrentou em seu último emprego e como resolveu o problema?”

5. Analise indicadores técnicos

Além dos sinais visuais e comportamentais, há alguns indicadores técnicos que podem ajudar a identificar um deepfake:

  • Verifique o endereço IP: Compare a localização informada pelo candidato com a origem do endereço IP. Se o candidato diz estar em São Paulo, por exemplo, mas o IP aponta para outro país, isso deve acender um alerta.
  • Desconfie de preferências por plataformas incomuns: Se o candidato insiste em usar plataformas de vídeo menos conhecidas ou de difícil acesso, isso pode ser um indicativo de que ele está tentando usar softwares de deepfake.
  • Reconheça padrões de alvo: Empresas de tecnologia e startups são alvos frequentes de golpistas que usam deepfakes, já que contratam trabalhadores remotos e lidam com informações valiosas.

Veja também: Indicadores de recrutamento e seleção: quais e como analisar

O Futuro da contratação na era da IA

recrutamento e seleção

A inteligência artificial e os deepfakes estão remodelando a maneira como os recrutadores conduzem as entrevistas de emprego. 

A evolução das tecnologias de IA significa que é cada vez mais difícil distinguir entre uma pessoa real e uma falsificação digital. 

Isso exige que as empresas adotem abordagens mais sofisticadas e camadas de verificação para evitar que impostores se infiltrarem em seus processos seletivos.

O risco dos candidatos falsos mais perigosos não é apenas a sua identificação, mas também a possibilidade de que eles passem despercebidos. 

Empresas devem estar cientes de que, além de identificar os deepfakes, é crucial ter medidas preventivas em vigor para proteger dados sensíveis e garantir a segurança das informações confidenciais.

Leia mais:

A proteção da sua organização contra deepfakes em entrevistas de emprego

A detecção de deepfakes em processos seletivos exige uma abordagem multifacetada que combine ferramentas tecnológicas com a intuição humana. 

A IA trouxe inovações que podem facilitar a vida dos recrutadores, mas também trouxe novos desafios. 

Ao identificar candidatos falsos, as empresas estão protegendo sua segurança cibernética e garantindo que contratem pessoas qualificadas e confiáveis.

Investir em medidas preventivas, como protocolos de verificação de identidade e treinamento para os recrutadores, é essencial para proteger a integridade do processo seletivo. 

O futuro da contratação dependerá da habilidade das empresas em adaptar-se a essas novas tecnologias, garantindo que os melhores candidatos sejam selecionados e que a segurança da organização seja preservada.

Psicóloga, pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos, atuando há mais de 6 anos em empresas de tecnologia, desde o recrutamento e seleção, até ao desenvolvimento de competências e retenção de pessoal. Desenvolvimento de ações de fortalecimento da cultura organizacional, implementação e acompanhamento de feedbacks contínuos, Okr’s, treinamentos.

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