Dor física no trabalho é uma realidade para muitos profissionais, mas mais da metade não recebe suporte adequado da empresa para aliviar o mal-estar ao longo do expediente.
Postura inadequada, insônia e dores no corpo são algumas das principais queixas.
Um estudo da plataforma de currículos Onlinecurrículo, realizado com 500 profissionais, revela que 68% dos brasileiros sentem desconforto físico frequentemente devido ao trabalho.
A pesquisa buscou analisar os efeitos que o trabalho corporativo tem no corpo dos profissionais, contrastando os dados com o aumento nos afastamentos por doenças ocupacionais em 2024.
Segundo o Ministério da Previdência Social, foram 1 milhão de brasileiros afastados no ano passado (sendo a dor na coluna a líder do ranking de problemas desde 2023).
Apesar do aumento dos afastamentos e do número significativo de profissionais sentindo desconforto constante, a pesquisa traz outra porcentagem alarmante: mais da metade dos entrevistados (51%) não recebem nenhuma forma de suporte ou benefício dos empregadores para lidar com esses desconfortos e dores cotidianas.
O resultado é apelar para soluções de alívio próprio.
O que é dor física?
A dor física é uma resposta do organismo a um estímulo que pode ser prejudicial ao corpo. Ela pode ser classificada em diferentes tipos e intensidades, dependendo da causa e da duração.
Qual a diferença entre dor física e dor emocional?
Enquanto a dor física tem uma origem concreta, como lesões, esforço repetitivo ou inflamações, a dor emocional está relacionada a fatores psicológicos, como estresse, ansiedade e depressão.
Ambas, no entanto, podem estar interligadas, já que a dor emocional pode se manifestar fisicamente no corpo.
Quais são os 3 tipos de dor?
A dor pode ser classificada em:
- Dor aguda: Surge de forma repentina e está associada a lesões ou doenças temporárias.
- Dor crônica: Persiste por longos períodos, geralmente mais de três meses, e pode indicar problemas de saúde prolongados.
- Dor neuropática: Causada por danos nos nervos, muitas vezes resultando em formigamento, queimação ou sensação de choque elétrico.
Quando a dor emocional se torna dor física?
A dor emocional pode se manifestar fisicamente quando o estresse e a ansiedade constantes desencadeiam tensão muscular, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e outros sintomas.
A interconexão entre mente e corpo reforça a necessidade de cuidar tanto do bem-estar mental quanto do físico.
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Onde dói?
Em alinhamento com os dados do Ministério da Previdência Social, a dorsal é a região que mais se afeta pelo trabalho: 50% dos entrevistados relatam dores devido à má postura durante o expediente.
A dor de cabeça (48%) e a vista cansada (46%) vêm em seguida, causadas pela exposição prolongada às telas, movimentos repetitivos e o estresse do ambiente.
Confira o ranking completo:

(Onlinecurrículo/Divulgação)
Soluções para reduzir o problema
Para mudar esse cenário, os participantes defendem pausas regulares para alongamento ou descanso (52%) sugeridas e incentivadas pela empresa.
Também acreditam que áreas de descanso e espaços de relaxamento e descompressão nos escritórios fariam diferença na rotina.
Para 41% dos profissionais em home office, melhorias no mobiliário ergonômico (cadeiras, mesas e apoios para os pés) são prioridade.
Essas mudanças são produtivas não só para os colaboradores. É o que argumenta Amanda Augustine, especialista em carreiras da Onlinecurrículo.
Segundo a especialista, além de garantir o bem-estar dos colaboradores, o investimento em saúde pode reduzir custos, fortalecer o engajamento e a satisfação das equipes.
“Com as novas regulamentações reforçando o direito ao apoio psicossocial, os empregadores têm uma oportunidade real de transformar a forma como o trabalho é vivenciado por suas equipes. Priorizar o bem-estar emocional no ambiente de trabalho não é apenas uma boa prática — é também uma decisão estratégica”, diz.
Mudanças na NR-1
Essa discussão está diretamente ligada às mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entraram em vigor recentemente.
A atualização enfatiza o gerenciamento proativo de riscos ocupacionais, com destaque para a inclusão de riscos psicossociais, ampliando o alcance das regulamentações de saúde ocupacional no Brasil.
Já a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 reconhece o impacto significativo que eles podem ter na produtividade, no aumento do absenteísmo e no índice de doenças ocupacionais, como estresse, síndrome do burnout, ansiedade e depressão.
Esses problemas não só afetam trabalhadores, mas também geram custos elevados para as empresas decorrentes de afastamentos, baixa produtividade e processos judiciais.
Uma pesquisa realizada pelo InfoJobs no último ano revelou que 86% dos funcionários no país consideram trocar de emprego por conta da saúde mental.
É um número alarmante e preocupante se considerarmos que, se nada for feito, essa porcentagem pode aumentar ainda mais.
