Quem trabalha com RH em startups e PMEs conhece de perto a pressão por entregar resultados com recursos limitados, pouco tempo e, muitas vezes, equipe enxuta.
Durante o RH Summit, maior evento híbrido de RH do Brasil, Ana Cláudia Peixoto, Gerente de Gente na Sólides Tecnologia, compartilhou sua experiência no painel “RH em Startups e PMEs: como fazer muito com pouco e ainda entregar impacto” — uma verdadeira aula prática sobre como estruturar o setor de forma inteligente e realista.
Com mais de 20 anos de atuação e domínio sobre todos os subsistemas de RH, de Recrutamento e Seleção (R&S) a Remuneração e Performance, Ana Cláudia representou a Sólides.
Ela abordou os principais dilemas de quem vive o RH na prática, especialmente em empresas com crescimento acelerado.
“Quem nunca contratou de manhã, fez folha à tarde e criou uma política à noite… não sabe o que é ser RH em startup”, afirmou a executiva em tom descontraído, mas realista, ao abrir sua fala.
A provocação não é à toa: segundo dados do CB Insights (2023), 62% das startups não possuem uma estrutura formal de RH até o terceiro ano de existência.
Nesse cenário, não é raro que uma única pessoa responda por toda a frente de Gente e Gestão — é o famoso modelo de “EUquipe”.
Primeira pergunta-chave: por onde começar?
A primeira grande dúvida de quem assume o RH em startups é: qual o primeiro passo? Para Ana Cláudia, a resposta está em começar pequeno, mas com foco.
“Antes de pensar em grandes plataformas ou estruturas complexas, é preciso garantir o básico funcionando.”, afirma.
Ela listou os 5 elementos que, segundo sua experiência, devem ser priorizados:
- Fluxo básico de admissão e demissão;
- Centralização de informações, mesmo que em ferramentas simples como Google Drive ou Notion;
- Processo de contratação claro e minimamente estruturado;
- Acordo de cultura e valores, ainda que informal;
- Rotina mínima de escuta e feedback.
“A pergunta não é ‘quem vai fazer?’, mas ‘o que precisa existir para a empresa funcionar’”, reforçou Ana.
Em outras palavras: não se trata de volume de tarefas, mas de intenção estratégica.
O que terceirizar e o que internalizar?

Outra dúvida frequente: o que vale a pena terceirizar e o que deve ser internalizado?
Ana Cláudia foi enfática: “Terceirize tudo que for possível, exceto cultura e gente”.
Isso porque a cultura não se terceiriza — ela se constrói no dia a dia, no contato com os times e nas pequenas decisões.
Dados mostram que startups com forte alinhamento cultural crescem até três vezes mais rápido na fase de tração.
Isso não significa criar manuais longos e engessados, mas sim desenvolver rituais leves, comunicação clara e valores reais que sejam vividos e não apenas estampados na parede.
Benefícios flexíveis: como gerar valor com pouco recurso?
A questão orçamentária é um dos principais desafios enfrentados por startups e PMEs na hora de oferecer benefícios.
A dica da especialista é simples: invista em benefícios que façam sentido para o time e sejam sustentáveis para a empresa.
Alguns exemplos de benefícios de baixo custo (ou até sem custo) que geram valor real:
- Horários flexíveis;
- Reconhecimento público;
- Parcerias locais com comércios ou serviços;
- Kit de onboarding simples, mas acolhedor;
- Programas como o Sólides Benefícios.
“Benefício bom é aquele que o time valoriza — e que a empresa consegue manter no longo prazo”, pontuou Ana.
Contratação ágil e sem perder qualidade
Contratar rápido é importante, mas contratar bem é essencial.
Segundo Ana Cláudia, o segredo está em fazer um levantamento claro da real necessidade da vaga, ter um alinhamento profundo com o gestor responsável e focar em comportamentos durante o processo seletivo.
O dado do LinkedIn Talent Insights de 2023 reforça a importância dessa estrutura, mesmo que simples: 74% das PMEs que adotam processos estruturados de contratação reduzem o turnover no primeiro ano.
Além disso, outro dado levantado pela Sólides no Panorama de Gestão de Pessoas mostra que 32% dos candidatos apontam a falta de transparência nas responsabilidades da vaga como um dos principais problemas no processo seletivo.
“O alinhamento de expectativas precisa acontecer desde o início”, reforçou Ana.
O case da Sólides: aprendizados na prática
Durante o painel, Ana também compartilhou aprendizados práticos vividos na própria Sólides.
Um dos principais erros que muitas startups cometem, segundo ela, é tentar parecer grandes demais desde o início.
“O RH de startup não precisa replicar uma multinacional. Ele precisa responder às dores reais da empresa, com os recursos que ela tem agora.” afirma.
Na Sólides, as soluções foram sendo construídas com base nesse raciocínio: fazer o melhor possível com o que se tem.
Isso inclui desde o uso de ferramentas gratuitas até a priorização de processos simples, mas bem definidos.
O foco sempre foi manter a cultura viva e garantir que as pessoas certas estivessem nos lugares certos.
“Não é sobre tamanho, é sobre intenção. Um RH pequeno pode transformar uma empresa inteira”, concluiu.
RH Summit: a força do encontro e da troca

A fala de Ana Cláudia integrou a programação do RH Summit, realizado nos dias 3 e 4 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo.
Considerado o maior da sua história, o evento triplicou de tamanho em relação à edição anterior, consolidando-se como um dos principais palcos para discutir o futuro do trabalho, da gestão de pessoas e do próprio papel do RH.
Criado em 2016 como um evento 100% online, o RH Summit já impactou mais de 450 mil profissionais ao longo dos anos.
Em 2024, reuniu mais de dois mil visitantes por dia, 130 palestrantes e mais de 40 empresas patrocinadoras.
A expectativa é de que, até 2026, o evento atinja a marca de seis mil participantes e 170 marcas parceiras.
Com uma proposta que une conteúdo relevante, experiências digitais integradas e muito espaço para networking, o encontro reflete a força da troca entre profissionais da área — e tem como uma de suas lideranças mais inspiradoras o CEO e Curador do evento, Léo Kaufmann.
Reconhecido como uma das principais vozes no LinkedIn e também colunista do RH Portal, Léo utiliza o humor como ferramenta para provocar reflexões e fomentar discussões sobre liderança, cultura corporativa e diversidade.
A mensagem que fica
A fala de Ana Cláudia não apenas representou a Sólides com propriedade, como também trouxe alívio e inspiração para quem vive o RH na pele, com todas as suas complexidades.
Em vez de fórmulas prontas, ela entregou caminhos possíveis. Em vez de parecer distante, aproximou-se. Afinal, como ela mesma destacou:
“RH de verdade não é sobre fazer tudo, é sobre fazer o que importa.”
