
*Por Denise Brasil
O assunto da semana foi o Quiet Quitting e você pode ter passado batido por alguém mencionando o termo e não parou para saber do que se tratava. O Quiet quitting foi um termo cunhado nos EUA para um movimento recente de profissionais que denomina uma “desistência silenciosa” ou “demissão silenciosa” onde o colaborador desiste de sua função e silenciosamente sem pedir demissão.
Apesar da sugestão do nome Quiet quitting, em que supostamente a pessoa queira ser demitida, há um grande número de relatos em redes sociais como Twitter e Tik Tok onde os mesmos alegam que o movimento quer apenas cumprir o que foi acordado: não trabalhar além do expediente, não trabalhar finais de semana e não acumular funções extras, ou seja, cumprir o contrato de trabalho.
Em um momento em que recentemente vivemos um outro movimento maior que é denominado a Grande Renúncia (Great Resignation) e ocorre também nos EUA e no Brasil é preciso que as empresas liguem seus alertas.
Segundo um estudo da FIRJAN (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) entre janeiro e maio de 2022, 2,9 milhões de brasileiros pediram demissão apontados no CAGED, o maior índice da série histórica registrado.
No Brasil o turnover está elevado em várias empresas de segmentos diferentes e em carreiras diferentes. Se antes a rotatividade se dava em áreas que nunca desaqueceram como TI, hoje isso não é mais um fenômeno isolado e passa por áreas técnicas, como Engenharia, Produção e também por áreas administrativas como Finanças, Recursos Humanos, etc.
É certo que a pandemia fez com que as pessoas reorganizassem suas prioridades e adotassem muitas vezes uma nova forma de ver a vida e priorizar a família, a saúde trazendo uma nova perspectiva para o que realmente importa para si e para os seus.
Porém, além de ser uma resposta das pessoas à necessidade de mais qualidade de vida, também é um alerta para as condições de trabalho que vivem atualmente.
Quiet quitting: especialista explica o movimento
O autor Adam Grant* publicou recentemente: “Quiet quitting não é preguiça. Fazer o mínimo é uma resposta comum há empregos ruins, chefes abusivos e salários baixos. Quando não se sentem cuidados, as pessoas eventualmente param de se importar.”
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As questões de saúde mental como o número de pessoas diagnosticadas com Burnout também pode ser apontada como uma possível causa do movimento. Os limites antes da pandemia e do trabalho remoto foram transpostos por uma falta de limite entre uma jornada e outra.
Além de todas estas questões é preciso também aprofundarmos na cultura organizacional e a real aderência das pessoas ao discurso x prática exercido pelas empresas. O propósito da organização pode ser descrito como nobre, mas se na prática isso não se concretiza, as pessoas questionam a cultura e passam a seguir o código não dito da empresa, o que de fato é praticado.
Tudo isso está diretamente ligado à transformação social que vivemos e precisa ser urgentemente cuidada pelas lideranças. Embora o termo sugira que a pessoa esteja “buscando sua demissão” não é um fenômeno claro e pode realmente comprometer o resultado das empresas.
É preciso olhar para a cultura social do trabalho em excesso, da ultra produtividade pois isso está diretamente relacionado ao bem-estar das pessoas.
O grande ponto é a necessidade iminente de se olhar a relação de trabalho com os colaboradores, o quanto se sobrecarrega pessoas enquanto se prioriza cortes de custos, a saúde delas – mental e física e se são realmente remuneradas de maneira justa pelo que fazem.
A agenda é urgente e irá ditar os próximos passos do mundo do trabalho.
*Adam Grant é um autor americano de títulos Best Seller como Originais e Pense de Novo, além de ser professor na Universidade Wharton na Pensilvânia é especialista em Psicologia Organizacional.
Fontes:
*Denise Brasil é Top Voice LinkedIn Carreira e Creators for LinkedIn l Podcaster l Gestão de Pessoas l Palestras l Parcerias

