Apesar da popularização do home office nos últimos anos, o modelo 100% presencial voltou a ser o mais adotado pelas empresas brasileiras em 2024.
É o que aponta o estudo “Modelos de Trabalho: Panorama comparativo entre certificadas GPTW e o mercado”, realizado pelo Great Place To Work com mais de 1.300 respondentes.
A pesquisa revela que 48% das organizações no país já operam nesse formato, enquanto o trabalho remoto foi reduzido a apenas 10%.
O levantamento também indica como empresas de diferentes portes e certificações têm lidado com a escolha dos modelos de trabalho.
O que é um modelo de trabalho?
Um modelo de trabalho refere-se à forma como as atividades laborais são organizadas dentro de uma empresa.
Isso inclui a estruturação da carga horária, hierarquias, setores e cargos, bem como a definição do local e da forma de execução das tarefas.
A jornada de trabalho, que determina o número de horas dedicadas ao trabalho, é um componente essencial desse modelo.
No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define jornadas padrão de 8 horas diárias e 44 horas semanais, mas também permite regimes alternativos, como o modelo de 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso.
Com o tempo, surgiram outros modelos para atender tanto às necessidades das empresas quanto às preferências dos colaboradores, como a jornada de 40 horas semanais, que oferece maior flexibilidade e pode ser aplicada por meio de acordos ou convenções coletivas.
Esses diferentes formatos de jornada refletem a busca por um equilíbrio entre a qualidade e produtividade no ambiente de trabalho.
Quais são os modelos de trabalho?

Atualmente, os principais modelos de trabalho adotados pelas empresas incluem:
1. Presencial
O modelo tradicional, onde os colaboradores desempenham suas funções nas instalações da empresa durante todo o expediente.
É comum em setores que exigem presença física, como manufatura, saúde e varejo.
2. Remoto (Home Office)
Neste modelo, os colaboradores trabalham fora das instalações da empresa, geralmente de casa, utilizando tecnologias de comunicação e colaboração.
É comum em áreas como tecnologia da informação, marketing digital e consultoria.
3. Híbrido
Combina elementos dos modelos presencial e remoto, permitindo que os colaboradores alternem entre trabalhar no escritório e remotamente.
Esse modelo busca equilibrar flexibilidade e interação presencial.
Quais são os 7 tipos de trabalho?
Além dos modelos de trabalho mencionados, é possível categorizar os tipos de trabalho com base na natureza do vínculo e da atividade desempenhada:
- Trabalho Formal: Relação empregatícia regida pela CLT, com direitos e deveres definidos.
- Trabalho Informal: Atividades laborais sem registro formal, muitas vezes sem garantias legais.
- Trabalho Autônomo: Profissionais que prestam serviços por conta própria, sem vínculo empregatício.
- Trabalho Freelancer: Prestação de serviços pontuais ou por projeto, com maior flexibilidade.
- Trabalho Temporário: Contratação por período determinado para atender a demandas específicas.
- Trabalho Voluntário: Atividades realizadas sem remuneração, geralmente em organizações sociais.
- Trabalho Terceirizado: Serviços prestados por empresas contratadas para executar atividades específicas.
Panorama atual dos modelos de trabalho no Brasil
Dados do relatório “Tendências de Gestão de Pessoas 2024”, elaborado pelo Great Place To Work, revelam um movimento de retorno ao modelo presencial no país.
Entre as empresas ouvidas, 51% operam no formato 100% presencial, enquanto 41% adotam o modelo híbrido e apenas 9% mantêm o trabalho totalmente remoto. A tendência indica uma preferência das organizações por maior controle e interação presencial — ainda que a flexibilidade continue sendo um diferencial valorizado por muitos profissionais.
A análise mais recente da Sólides também confirma esse cenário. Segundo o estudo de empregabilidade da HR Tech, há uma tendência de retorno ao presencial, impulsionada pela busca por produtividade e colaboração mais próxima.
O levantamento aponta que, mesmo com a possibilidade do trabalho remoto, a preferência da maioria dos profissionais recai sobre o modelo híbrido — revelando que a socialização no ambiente de trabalho segue sendo um fator relevante.
Empresas de tecnologia e setores administrativos seguem liderando a adoção do modelo remoto, enquanto áreas como saúde e varejo mantêm práticas mais presenciais.
Outro destaque é a disposição dos profissionais para mudar de regime de trabalho caso isso envolva salários mais atrativos — ou mesmo uma redução salarial, desde que o modelo preferido seja oferecido.
Os profissionais da geração Boomer, por exemplo, são os mais propensos a aceitar uma vaga remota com menor remuneração (38%) e também os mais dispostos a trocar esse modelo por um salário maior (50%).
Além disso, nove em cada dez pessoas demonstraram disposição para mudar de cidade em busca de novas oportunidades. As regiões Centro-Oeste (44%) e Nordeste (43%) lideram a intenção de mobilidade geográfica por motivos profissionais.

Impactos e desafios dos modelos de trabalho
1. Retenção de Talentos
Empresas que oferecem maior flexibilidade, como modelos híbridos ou remotos, tendem a ter mais facilidade na atração e retenção de talentos, especialmente entre as gerações mais jovens que valorizam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
2. Comunicação Interna
A comunicação no ambiente de trabalho tornou-se um desafio central, especialmente em modelos híbridos e remotos.
O relatório do GPTW destaca que a comunicação interna foi apontada como o principal desafio por 33% das empresas em 2024.
3. Saúde Mental
A saúde mental dos colaboradores ganhou destaque, com 32% das empresas identificando-a como uma prioridade. Modelos de trabalho que promovem o bem-estar e oferecem suporte psicológico são cada vez mais valorizados.
4. Desenvolvimento de Lideranças
O desenvolvimento de lideranças eficazes é essencial para navegar pelas complexidades dos diferentes modelos de trabalho.
Empresas estão investindo em treinamento e capacitação para líderes que possam gerenciar equipes de forma empática e adaptável.
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Tendências para o futuro dos modelos de trabalho

As tendências apontam para uma maior personalização e flexibilidade nos modelos de trabalho:
- Semana de 4 dias: Algumas empresas estão experimentando jornadas reduzidas para melhorar a produtividade e o bem-estar dos colaboradores.
- Flexibilidade geográfica: A possibilidade de trabalhar de qualquer lugar continua sendo uma demanda crescente, especialmente em setores de tecnologia e serviços.
- Tecnologia e automação: O uso de ferramentas digitais para facilitar a colaboração e a gestão de equipes distribuídas está se tornando padrão.
- Cultura organizacional: Empresas estão focando em construir culturas organizacionais fortes que transcendam a presença física, promovendo engajamento e pertencimento.
Os modelos de trabalho em 2025 refletem uma busca por equilíbrio entre as necessidades das empresas e as expectativas dos colaboradores.
Enquanto o modelo presencial ainda é predominante, a flexibilidade e o bem-estar continuam sendo fatores cruciais para o sucesso organizacional.
Empresas que conseguem adaptar seus modelos de trabalho para atender a essas demandas estão mais bem posicionadas para atrair e reter talentos, além de promover ambientes de trabalho saudáveis e produtivos.
A compreensão e a implementação eficaz dos diferentes modelos de trabalho são essenciais para o desenvolvimento sustentável das organizações no cenário atual e futuro.
