Estamos vivendo a era da inteligência artificial, um período marcado por mudanças rápidas e profundas que desafiam nossa maneira de liderar, trabalhar e nos relacionar nas organizações.
A tecnologia avança em ritmo acelerado, mas o verdadeiro diferencial competitivo continuará sendo a inteligência humana — a capacidade de criar, empatizar e conectar pessoas.
No StartSe Leadership Experience, evento em que tive a honra de participar, líderes de diversos setores discutiram exatamente esse equilíbrio essencial entre inovação tecnológica e humanidade aplicada ao trabalho.
O evento, que contou com mais de 10 horas de conteúdo sobre inovação, IA e os impactos da tecnologia nas organizações, trouxe debates ricos e inspiradores.
Entre os palestrantes, estiveram nomes de peso do mercado, como Bob Wollheim, parceiro da CI&T e referência em liderança e inovação, e Bia Bottesi, CMO (Chief Marketing Officer) da Meta.
Ao lado da Ana Cláudia Peixoto, nossa Gerente de Gente na Sólides, acompanhei de perto as discussões para refletirmos sobre como aplicar esses aprendizados em nosso dia a dia.
Liderança: do controle para a cocriação

Um dos pontos centrais do debate, apresentado por Bob Wollheim, é a necessidade urgente de superarmos o modelo tradicional de liderança baseado no controle rígido e na hierarquia vertical.
Em tempos de incertezas e rápidas mudanças tecnológicas, o líder do século XXI precisa se tornar um “orquestrador” que cria espaços para a inteligência coletiva florescer.
Isso significa escutar mais e falar menos, abrir espaço para o diálogo genuíno e libertar o potencial das pessoas.
É uma liderança que dança com a mudança, desaprende práticas antigas e se reinventa constantemente.
Como ele destacou, “o chefe tradicional acha que sabe tudo. O líder inspirador fala sobre si mesmo. O orquestrador do futuro está preparado para cocriar.”
Na prática, para quem atua com Gestão de Pessoas, essa transformação exige uma mudança de postura. É preciso deixar de lado as políticas engessadas e as hierarquias rígidas.
No lugar, promover ambientes de trabalho mais colaborativos, com comunicação aberta e processos flexíveis — que acolham a diversidade de pensamentos e experiências.
Desafios na era da inteligência artificial para a Gestão de Pessoas
Outro tema que marcou o evento foi a provocação sobre a verdadeira conexão humana no ambiente de trabalho.
Quem aqui não sente a pressão para inspirar, mas não encontra espaço para se conectar de fato? Vivemos um paradoxo: a busca por qualidade e produtividade muitas vezes sufoca a empatia e a autenticidade.
Bia Bottesi trouxe uma visão muito importante ao destacar que o sucesso profissional não depende apenas das competências técnicas, mas, sobretudo, da humanidade aplicada ao trabalho.
Ou seja, as habilidades que conectam pessoas, promovem confiança e criam um ambiente psicológico seguro são as que diferenciam profissionais e organizações.
Para mim, essa é uma mensagem fundamental para o RH hoje: “a tecnologia pode automatizar processos, mas só o toque humano constrói cultura, engaja talentos e transforma o trabalho em propósito.”
IA e o Futuro do Trabalho: o papel do RH
A inteligência artificial já é parte do nosso cotidiano e tende a crescer exponencialmente nos próximos anos.
Bob Wollheim destacou que, embora a IA automatize muitas tarefas, ela não pode substituir aquilo que é inerente ao ser humano: criatividade, empatia, ética e intuição.
Nesse contexto, o papel do RH é estratégico: redesenhar funções e repensar métricas.
É preciso priorizar habilidades como pensamento crítico, adaptabilidade e colaboração, que não podem ser replicadas por máquinas.
Da mesma forma, os KPIs precisam ir além da simples eficiência operacional e também medir o impacto humano, o clima organizacional e o desenvolvimento das pessoas.
Na Sólides, acreditamos que inovação e humanidade caminham juntas. O RH do futuro é um curador das experiências humanas, que combina dados avançados com escuta ativa e empatia para tomar decisões que verdadeiramente valorizam as pessoas.
Como liderar a transformação?

Bob Wollheim apresentou um modelo prático para liderar mudanças chamado “UN-RE”, que envolve três passos essenciais para a transformação:
- Desconstruir modelos mentais (UN-Pattern Mental Constructs): A verdadeira liderança não está em certezas, mas na capacidade de desaprender. A rigidez mental é o maior bloqueio à inovação. Quanto mais nos apegamos ao que “sabemos”, mais rápido nos tornamos obsoletos. No RH, isso significa estimular líderes a questionarem crenças limitantes e a se libertarem de padrões antigos para construir um futuro com coragem e visão.
- Conectar-se com os outros (UN-Wind Your EGO): O ego é o inimigo do crescimento. A ideia do “minha equipe, minha ideia” está ultrapassada. O futuro é da inteligência coletiva. Para o RH, isso pode ser traduzido na criação de fóruns de cocriação entre áreas, na prática de feedback 360° para reduzir vieses hierárquicos e no estímulo a uma cultura de colaboração aberta.
- Reconstruir para o futuro (UN-Learn the Past): O modelo tradicional de trabalho está em transformação.O futuro se constrói em conjunto. Para isso, é preciso revisar regras e políticas, como as de trabalho remoto e híbrido, focando nas necessidades reais dos colaboradores, não apenas em normas antigas, para criar ambientes flexíveis e humanos.
5 Ações para líderes de pessoas
Além da estrutura para espaço e mudança, Wollheim propôs passos práticos para líderes que querem fazer a diferença:
- Divorcie-se do seu sucesso: Reflita se suas “melhorias” recentes realmente libertaram a equipe ou apenas aceleraram processos ultrapassados.
- Saia do modo máquina: Pergunte-se quais tarefas do seu trabalho dependem do seu coração e quais poderiam ser feitas por uma IA.
- Escolha a presença: Crie espaços para honestidade e diálogo genuíno, não apenas para cumprir checklist.
- Seja criativo na incerteza: As melhores ideias surgem do desconhecido, não da zona de conforto.
- Confie na intuição: Questione verdades que foram abandonadas só porque não tinham dados claros.
Leia também:
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- O papel dos profissionais de RH na construção de uma cultura centrada na experiência do cliente
- O RH na era da inteligencia artificial
- Inteligência artificial como aliada dos processos de recrutamento e seleção
A coragem de desaprender e colocar as pessoas no centro

A palestra encerrou com uma mensagem que ecoa profundamente no meu trabalho e na cultura da Sólides: liderança não é sobre controlar, mas sobre criar espaço — espaço para intuição, empatia, ética.
Essas não são soft skills: são as qualidades que a IA não pode falsificar.
Para a Sólides e para mim, fica claro que o futuro pertence aos líderes que têm a coragem de desaprender, que se conectam genuinamente e colocam as pessoas no centro das decisões, especialmente em tempos de revolução tecnológica.
Para quem quiser se aprofundar, recomendo acompanhar o evento completo no link oficial: StartSe Leadership Experience.
