O Fórum Econômico Mundial publicou um relatório no início deste ano chamado Future of Jobs Report 2025 que trouxe diversas previsões sobre o futuro do trabalho.
A expectativa é que, até 2030, sejam criados 170 milhões de novos empregos, enquanto 92 milhões tendem a se esvair, gerando um saldo de 78 milhões de novas vagas.
Estima-se que, para se adaptar a este novo cenário, 59% da força de trabalho precisará de requalificação profissional.
O que significa requalificação?
A requalificação profissional acontece quando um profissional adquire novas habilidades sobre determinada área que ele já tem um conhecimento prévio.
Essa preparação pode acontecer por meio de cursos de atualização ou programas de treinamento, internos ou externos, por exemplo.
O objetivo é capacitar o profissional para atuar com uma técnica que, até então, não era exigida ou solicitada na sua trajetória.
Geralmente, a requalificação profissional acompanha as evoluções e transformações do mercado de trabalho e pode se voltar para habilidades técnicas ou comportamentais.
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Por que a requalificação é importante?
Existem diversos motivos que mostram porque é importante que um profissional passe por requalificação, a principal delas sendo o crescimento de carreira.
Pessoas que investem na ampliação de suas habilidades tendem a prosperar.
Isso porque se mantêm mais ativas diante das necessidades do mercado de trabalho — tornando-se mais competitivas e aptas a disputar vagas ou conquistar cargos com melhor progressão salarial.
Além disso, têm menores chances de ficarem desempregados. Para as empresas, investir na requalificação de profissionais já contratados se torna um diferencial competitivo.
Essa estratégia favorece a retenção de talentos e reduz a necessidade — e os custos — de contratar novos colaboradores.
O estudo também trouxe outros insights relevantes, especialmente ligados à área de Tecnologia.
Impulsionadas pelo acesso digital ampliado, pelo avanço da inteligência artificial e pelas demandas de sustentabilidade, algumas profissões devem crescer nos próximos anos.
Entre elas estão especialistas em big data, engenheiros e desenvolvedores de IA e aprendizado de máquina.
Profissionais da saúde, como enfermeiros e cuidadores, e professores universitários também ganham destaque.
Por outro lado, funções como assistente administrativo, caixa, operador, atendente de telemarketing e bancário tendem a ser substituídas, sobretudo pela automação e pela inteligência artificial.
“A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho, acelerando mudanças nas habilidades exigidas e automatizando tarefas repetitivas. Ao mesmo tempo, abre oportunidades para atuar com inovação, resolver problemas em escala global e impactar setores como saúde, educação, finanças e entretenimento”, comenta Ana Letícia Lucca, CRO da Escola da Nuvem, uma organização social sem fins lucrativos focada em capacitar e empregar pessoas em situação de vulnerabilidade social para carreiras em Tecnologia e Computação em Nuvem.
Segundo o estudo, o domínio emocional também será um destaque importante dentre as habilidades interpessoais, principalmente pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade e agilidade.
Para se adaptar a essas novas demandas, não só os profissionais terão que se qualificar, como também as empresas precisarão executar mudanças para atrair e reter os talentos.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, 89% das empresas investirão na requalificação dos funcionários, enquanto 64% também focarão na saúde e bem-estar dos colaboradores.
Não só a requalificação será importante, mas também a atualização profissional, embora a diferença entre esses dois termos seja sutil.
O que é uma atualização profissional?

A atualização profissional é o processo de adquirir novas habilidades importantes para o mercado de trabalho.
Ou seja, quem está se requalificando, está também passando pelo processo de atualização profissional, pois é por meio dela que é possível demonstrar a sua relevância, enquanto profissional, para o mercado de trabalho e que você domina ou é especialista na área em que atua.
Aqui, é importante frisar que a atualização profissional não serve apenas para adquirir habilidades técnicas, mas também para melhorar a própria postura enquanto profissional.
Ao se atualizar, é possível desenvolver habilidades de negociação e comunicação, por exemplo, que são importantes para gerar autoridade e relevância na empresa, mas também para um melhor relacionamento interpessoal como um todo.
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- Há futuro para o mercado de tecnologia sem cultura organizacional diversa?
- Desenvolvimento profissional: como acompanhar as tendências e garantir resultados duradouros?
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Como requalificar trabalhadores?
O estudo ISG Provider Lens™ Future of Work – Services and Solutions 2024 para o Brasil, produzido e distribuído pela TGT ISG, mostrou um movimento crescente entre empresas de Tecnologia.
Elas têm investido em programas de desenvolvimento profissional e bem-estar dos empregados, com iniciativas voltadas à saúde física e mental dos trabalhadores.
Uma das estratégias usadas é fazer parcerias com universidades e laboratórios de inovação, pensando na preparação e capacitação dos profissionais.
Para que estratégias como essas sejam efetivas, é importante também que as organizações façam um planejamento sobre quais são as habilidades necessárias para sustentar a estratégia organizacional pretendida a longo prazo.
Ao identificar quais profissionais estão melhor preparados para lidar com determinada demanda, elas podem direcionar os colaboradores, muito também ao perceber o que tem faltado para a potencialidade da organização.
Aqui, a aprendizagem prática é bastante valorizada, assim como uma cultura de aprendizado contínuo.
“As empresas precisam entender as necessidades dos funcionários se quiserem retê-los. É mais estratégico e econômico treinar quem já está dentro, conhece a rotina e tem vínculo com a organização, do que demitir e buscar alguém mais qualificado no mercado. Quando for necessário contratar, o ideal é fazer isso por meio de parcerias com organizações e institutos especializados em capacitação técnica e comportamental na área de Tecnologia”, comenta Ana Letícia.
Outra tendência apontada pelo Future of Jobs Report 2025 foi a presença, acima da média mundial, de empresas brasileiras com iniciativas de Diversidade e Inclusão.
No país, o número de organizações que têm como prioridade a D&I chega a 92%, enquanto no mundo este número atinge 83%.
“A diversificação das fontes de talentos é essencial para garantir uma força de trabalho preparada e sustentável no longo prazo. O mercado de tecnologia precisa se abrir para formar novos profissionais e investir no desenvolvimento de talentos em estágio inicial de carreira. Isso inclui a criação de programas de treinamento, estágios e parcerias com organizações que trabalham com grupos sub-representados e em situação de vulnerabilidade, como a Escola da Nuvem”, acrescenta a especialista.
Ainda de acordo com o estudo ISG Provider Lens™ Future of Work – Services and Solutions 2024 para o Brasil, produzido e distribuído pela TGT ISG, o futuro do trabalho será caracterizado por várias qualidades.
Ele será híbrido, colaborativo, conectado, autônomo, inteligente, seguro e sustentável. Esses aspectos estão sendo moldados por uma combinação de fatores tecnológicos, econômicos e sociais.
Segundo o relatório, o engajamento dos trabalhadores e a democratização da tecnologia são essenciais para o sucesso das organizações, mesmo diante de possíveis restrições orçamentárias.
“Ao investir na formação de novos profissionais e ampliar as oportunidades para perfis diversos, como LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, pessoas negras, indígenas e mulheres, as empresas poderão não apenas preencher suas necessidades de curto prazo, mas também construir um pipeline de talentos que alimentará o crescimento da indústria nos próximos anos. É importante haver uma colaboração entre empresas, governos e organizações da sociedade civil para criar um ecossistema inclusivo e sustentável de tecnologia, beneficiando pessoas em situação de vulnerabilidade e promovendo um crescimento econômico mais equitativo”, finaliza Ana.
