As profissões ameaçadas pela IA estão no centro do novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que revela como o avanço da inteligência artificial está transformando radicalmente o mercado de trabalho.
O estudo ‘IA Generativa e Empregos: um Índice Global Refinado de Exposição Ocupacional’ detalha, pela primeira vez, quais carreiras enfrentam maior risco de automação e em quais países o impacto será mais severo.
No relatório ‘IA generativa e Empregos: Um Índice Global Refinado de Exposição Ocupacional’, a OIT apresenta dados impactantes.
A estimativa é que 25% das profissões em todo o mundo enfrentarão impactos consideráveis, com sérios riscos de desemprego ou reestruturação profunda, tudo por causa da IA generativa e de ferramentas como o ChatGPT.
O documento da OIT ressalta que esses dispositivos tecnológicos têm a capacidade de automatizar tarefas e processos que antes eram exclusivamente humanos, gerando uma onda de incerteza e temor sobre o que virá pela frente para milhões de trabalhadores.
No panorama global, cerca de 3,3% do emprego mundial está na faixa de maior exposição e possibilidade de desemprego devido à IA.
Essa porcentagem, embora possa parecer pequena em um primeiro momento, representa milhões de postos de trabalho e um impacto significativo em setores específicos.
O relatório da OIT categoriza as profissões ameaçadas pela IA em diferentes níveis de exposição, oferecendo um panorama detalhado de quais áreas podem ser mais ou menos afetadas.
Quais profissões ameaçadas pela IA?
A OIT divide as profissões em grupos com base no seu nível de exposição à IA, desde aquelas com maior risco de substituição ou automação até as que terão um impacto mais brando, ou até mesmo complementar, com o avanço da tecnologia.
É importante entender que “afetada” não significa necessariamente “substituída”, mas sim que a natureza do trabalho pode mudar radicalmente.
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Grupo de alta exposição: as profissões mais ameaçadas pela IA

Este é o grupo que a OIT identifica com maior probabilidade de ser diretamente impactado pela IA.
São profissões que envolvem tarefas repetitivas, processamento de dados e atividades baseadas em regras, que a IA pode executar com alta eficiência.
- Digitadores de entrada de dados: A automação de sistemas e a IA podem processar grandes volumes de informações, eliminando a necessidade de inserção manual.
- Datilógrafos e operadores de processamento de texto: Ferramentas de reconhecimento de voz e geração de texto por IA tornam essa função menos relevante.
- Escriturários de contabilidade e escrituração: Softwares contábeis avançados e IA podem automatizar a maioria das tarefas de registro e reconciliação.
- Escriturários de estatística, finanças e seguros: A análise de dados e a geração de relatórios podem ser feitas por algoritmos.
- Corretores de títulos e finanças: Embora o relacionamento humano ainda seja um diferencial, a análise de mercado e a execução de ordens podem ser automatizadas.
- Trabalhadores de apoio administrativo não classificados em outras categorias: Funções de back-office que envolvem organização, arquivamento e rotinas administrativas são suscetíveis.
- Analistas financeiros: Tarefas de análise de mercado e criação de modelos preditivos podem ser otimizadas pela IA.
- Escriturários de folha de pagamento: A automação de todo o ciclo de folha de pagamento é uma realidade em muitas empresas.
- Vendedores de call center: Chatbots e assistentes virtuais baseados em IA podem lidar com um volume significativo de interações de clientes.
- Desenvolvedores web e multimídia: Embora criativa, a geração de código e a automação de layouts podem reduzir a demanda por algumas funções.
- Agentes de crédito e empréstimos: A avaliação de risco e a aprovação de créditos podem ser automatizadas.
- Escriturários de escritório geral: Funções administrativas amplas e rotineiras.
- Escriturários de pessoal: Tarefas administrativas relacionadas à gestão de funcionários, como registro de dados e processamento de formulários.
Segundo grupo: profissões com considerável exposição e transformação
Este grupo também enfrentará grandes desafios, mas as funções podem ser mais transformadas do que completamente eliminadas. A IA atuará como um co-piloto, exigindo novas habilidades dos profissionais.
- Tradutores, intérpretes e outros linguistas: Ferramentas de tradução automática avançaram significativamente, exigindo que esses profissionais se foquem na revisão, localização e interpretação simultânea de alta complexidade.
- Secretários: Tarefas de agendamento, organização e comunicação podem ser automatizadas, exigindo que se tornem mais “assistentes executivos” focados em estratégia e relacionamento.
- Caixas de banco e escriturários relacionados: Autoatendimento e plataformas digitais reduzem a necessidade de interações físicas.
- Atendentes de call center: Funções mais complexas ou que exigem empatia profunda permanecerão, mas a triagem e problemas básicos serão resolvidos por IA.
- Escribas e trabalhadores relacionados: Funções de documentação e transcrição são altamente automatizáveis.
- Consultores financeiros e de investimentos: A análise de dados para aconselhamento pode ser auxiliada pela IA, mas o relacionamento com o cliente e a tomada de decisões éticas são humanos.
- Programadores de aplicativos: A geração de código por IA pode agilizar o processo, mas a arquitetura e a inovação dependerão do humano.
- Designers e administradores de bancos de dados: A IA pode otimizar a gestão de dados, mas o design e a estratégia de dados exigem expertise humana.
- Administradores de sistemas: A automação de tarefas de manutenção e monitoramento pode liberar esses profissionais para funções mais estratégicas.
- Profissionais associados em estatística e matemática: A IA pode realizar cálculos complexos, mas a interpretação e modelagem de dados exigem o pensamento crítico.
- Agentes de despacho e encaminhamento: A otimização logística pode ser feita por algoritmos.
- Atendentes de informações: Chatbots e IA podem fornecer informações básicas.
- Recepcionistas: A interação humana e a resolução de problemas complexos mantêm a função, mas o atendimento inicial pode ser automatizado.
- Matemáticos, atuários e estatísticos: A IA pode realizar cálculos, mas a criação de modelos e a interpretação de riscos são humanas.
- Consultores de viagens e escriturários: A pesquisa e o agendamento de viagens podem ser automatizados, exigindo foco em experiências personalizadas.
- Profissionais de publicidade e marketing: A criação de conteúdo e a análise de campanhas podem ser auxiliadas pela IA, mas a estratégia e o pensamento criativo são humanos.
- Desenvolvedores de software e analistas de aplicativos (não classificados em outras categorias): Similar aos programadores de aplicativos.
- Bibliotecários e profissionais de informação relacionados: A organização e busca de informações podem ser automatizadas, exigindo foco na curadoria e orientação especializada.
- Economistas: A análise de dados e a previsão econômica podem ser auxiliadas pela IA, mas a interpretação e a formulação de políticas são humanas.
- Autores e escritores relacionados: A IA pode gerar textos, mas a criatividade, a originalidade e a profundidade narrativa são humanas.
- Secretários jurídicos: A organização de documentos e a pesquisa legal podem ser auxiliadas pela IA.
- Entrevistadores de pesquisas e estudos de mercado: A coleta de dados pode ser automatizada, mas a análise de nuances e o desenvolvimento de questionários complexos são humanos.
- Meteorologistas: A previsão do tempo pode ser aprimorada pela IA, mas a interpretação de fenômenos complexos é humana.
- Jornalistas: A coleta de informações e a escrita básica podem ser auxiliadas pela IA, mas a investigação, a ética e a narrativa aprofundada são humanas.
- Secretários administrativos e executivos: Funções de apoio de alto nível que exigem organização complexa e comunicação.
- Operadores de telefonia: O atendimento telefônico pode ser automatizado.
- Desenvolvedores de software: Funções de desenvolvimento de software em geral.
- Representantes de seguros: A venda e a gestão de seguros podem ser auxiliadas por IA, mas o relacionamento com o cliente e a negociação são humanos.
- Secretários médicos: A organização de prontuários e agendamentos pode ser automatizada.
- Técnicos web: Manutenção e desenvolvimento de sites.
- Profissionais de redes de computadores: A automação pode otimizar a gestão de redes.
- Técnicos de registros médicos e informações de saúde: A organização e acesso a registros de saúde podem ser automatizados.
- Contadores: A automação de tarefas de registro e conciliação bancária.
- Profissionais de vendas de tecnologia da informação e comunicação: A venda e a gestão de clientes podem ser auxiliadas pela IA, mas o relacionamento humano e a negociação são cruciais.
- Recepcionistas de hotéis: O check-in/check-out pode ser automatizado, mas a experiência do cliente e a resolução de problemas são humanas.
- Revisores e copidesques: A revisão de texto pode ser auxiliada pela IA, mas a nuances de estilo e a correção contextual são humanas.
- Profissionais de vendas técnicas e médicas: A venda de produtos complexos exige conhecimento aprofundado e relacionamento.
- Escriturários de transporte: A organização de rotas e logística pode ser otimizada pela IA.
Terceiro grupo: profissões com certa exposição, mas maior garantia de presença humana

Este grupo terá alguma interação com a IA, mas a essência de suas funções depende muito mais de habilidades humanas insubstituíveis.
- Designers gráficos e multimídia: A IA pode criar elementos, mas a visão artística e a direção criativa são humanas.
- Analistas de sistemas: A automação pode otimizar sistemas, mas a análise de necessidades de negócio e o design de soluções são humanos.
- Profissionais de bancos de dados e redes (não classificados em outras categorias): Gerenciamento e estratégia de infraestrutura.
- Profissionais associados em contabilidade: Funções de contabilidade que exigem análise e tomada de decisão.
- Representantes comerciais: A venda consultiva e o relacionamento com o cliente são cruciais.
- Funcionários fiscais do governo: A análise e fiscalização exigem julgamento humano.
- Engenheiros de telecomunicações: O design e a manutenção de redes.
- Sociólogos, antropólogos e profissionais relacionados: A pesquisa social e a compreensão do comportamento humano são essenciais.
- Planejadores de eventos e conferências: A organização e a coordenação de eventos complexos.
- Agiotas e emprestadores de dinheiro: A avaliação de risco e o relacionamento com o cliente.
- Gerentes de filiais de serviços financeiros e seguros: A gestão de equipes e o relacionamento com o cliente.
- Instrutores de tecnologia da informação: O ensino e a capacitação exigem interação humana.
- Arquivistas e curadores: A organização e preservação de informações.
- Filósofos, historiadores e cientistas políticos: A pesquisa e a análise crítica.
- Apresentadores de rádio, televisão e outras mídias: A comunicação e a interação humana.
- Técnicos de suporte ao usuário: A resolução de problemas complexos e o atendimento empático.
- Analistas de gestão e organização: A consultoria e o design de processos organizacionais.
- Escriturários de biblioteca: O atendimento e a organização de materiais.
- Vendedores porta a porta: A venda direta e o relacionamento humano.
- Profissionais de recursos humanos e carreiras: O relacionamento, a empatia, a estratégia de talentos e a gestão de cultura são insubstituíveis.
- Avaliadores e peritos de perdas: A avaliação de danos e a tomada de decisão.
- Funcionários de benefícios sociais do governo: A interação com o público e a gestão de casos complexos.
- Apostadores, crupiês e trabalhadores relacionados: O jogo e a interação humana.
- Gerentes de serviços de TIC: A gestão de equipes e a estratégia de TI.
- Gerentes de varejo e atacado: A gestão de equipes e o relacionamento com o cliente.
- Cartógrafos e agrimensores: A coleta e análise de dados geoespaciais.
- Corretores comerciais: A negociação e o relacionamento.
- Agentes de serviços empresariais (não classificados em outras categorias): Funções de apoio a negócios.
- Escriturários de produção: A organização e o planejamento de produção.
- Profissionais de relações públicas: A comunicação estratégica e o relacionamento com a mídia.
- Supervisores de escritório: A gestão de equipes e a organização.
- Funcionários de licenciamento do governo: A emissão de licenças e a interação com o público.
- Técnicos de operações de TIC: A manutenção e operação de sistemas.
- Técnicos de redes e sistemas de computadores: A manutenção e o suporte a sistemas.
- Cobradores de dívidas e trabalhadores relacionados: A negociação e o relacionamento com o cliente.
- Lojistas: A gestão de lojas e o relacionamento com o cliente.
- Gerentes de serviços e administração empresarial (não classificados em outras categorias): A gestão de serviços e a administração.
- Engenheiros eletrônicos: O design e o desenvolvimento de sistemas eletrônicos.
- Trabalhadores de informação ao cliente (não classificados em outras categorias): O atendimento e a resolução de problemas de clientes.
- Demonstradores de vendas: A demonstração de produtos e a interação com o cliente.
- Gerentes de vendas e marketing: A estratégia de vendas e marketing.
- Profissionais de treinamento e desenvolvimento de pessoal: O ensino e a capacitação exigem interação humana e empatia.
- Carteiros e classificadores de correspondência: A entrega e a logística.
- Biólogos, botânicos, zoólogos e profissionais relacionados: A pesquisa científica e análise.
Grupo de baixa exposição: profissões mais seguras da automação

Este é o grupo com o menor grau de contato com a IA e, portanto, menos suscetível a ter sua vida profissional afetada diretamente pela automação, pois suas funções dependem fortemente de habilidades interpessoais, criatividade complexa, julgamento ético ou trabalho físico que a IA não pode replicar.
- Especialistas em métodos de educação: O ensino e a interação com alunos, a personalização do aprendizado.
- Psicólogos: O aconselhamento, a terapia e a compreensão da mente humana.
- Profissionais jurídicos e associados: Embora a IA possa auxiliar na pesquisa, o julgamento ético, a argumentação e a representação legal são humanos.
- Fotógrafos: A criatividade, a visão artística e a interação com o cliente.
- Caixas e Balconistas de bilhetes: Interações diretas e a capacidade de lidar com situações inesperadas.
- Físicos e Astrônomos: A pesquisa científica e a formulação de teorias.
- Técnicos em Ciências da Vida: O trabalho laboratorial e a manipulação de materiais.
- Assistentes de vendas em lojas: A interação direta com o cliente e a personalização da experiência de compra.
- Técnicos de Pré-Impressão: O trabalho manual e a atenção aos detalhes.
- Leitores de medidores e coletores de máquinas de venda automática: O trabalho físico e a interação com equipamentos.
- Gerentes de hotéis: A gestão de equipes, o relacionamento com o cliente e a resolução de problemas complexos.
- Técnicos de galerias, Museus e Bibliotecas: A organização e a manutenção de acervos.
- Arquivistas: A organização e a gestão de documentos físicos.
- Mensageiros, entregadores de pacotes e carregadores de bagagem: O trabalho físico e a interação com o público.
- Assistentes médicos: A interação com pacientes e o apoio a profissionais de saúde.
- Vendedores de barracas e mercados: A venda direta e o relacionamento com o cliente.
- Motoristas de carros, táxis e furgões: Embora os carros autônomos sejam uma realidade em evolução, a condução em ambientes complexos ainda depende de motoristas humanos.
O cenário para o RH e a Gestão de Pessoas
O relatório da OIT não deve ser visto como uma sentença de “desemprego em massa”, mas sim como um alerta e um guia para a reestruturação do trabalho. Para os profissionais de RH e gestão de pessoas, essa análise é fundamental.
A principal implicação é a necessidade urgente de investir em requalificação (reskilling) e aprimoramento de habilidades (upskilling).
O RH precisa liderar a transformação da força de trabalho, focando no desenvolvimento das soft skills e das competências humanas que a IA não consegue replicar: como criatividade, pensamento crítico, inteligência emocional, resolução de problemas complexos, liderança e capacidade de inovação.
Além disso, a gestão de pessoas terá um papel crucial na transição e no suporte aos colaboradores cujas funções serão mais afetadas.
Isso envolve programas de outplacement, aconselhamento de carreira e a criação de uma cultura de aprendizado contínuo, onde a adaptabilidade é a principal moeda.
O futuro do trabalho com IA não é sobre humanos versus máquinas, mas sim sobre humanos e máquinas trabalhando em colaboração.
O sucesso das empresas dependerá da sua capacidade de integrar a IA de forma ética e eficiente, ao mesmo tempo em que valoriza e desenvolve o potencial único de seus colaboradores, transformando as profissões ameaçadas pela IA em profissões reinventadas e mais estratégicas.
Para Bill Gates, cofundador da Microsoft e um dos maiores visionários da tecnologia, o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) não é apenas mais um avanço; ele a considera tão fundamental quanto a criação dos microprocessadores, dos computadores pessoais, da Internet e dos smartphones.
Em seu blog pessoal, Gates sintetiza a abrangência dessa transformação. “A inteligência artificial irá mudar a forma que as pessoas trabalham, aprendem, viajam, têm acesso à saúde e se comunicam entre si. Indústrias inteiras irão se remodelar ao entorno. Negócios irão se distinguir pelo o quão bem a utilizam.”
