Muito se fala sobre ESG (Environmental, Social and Governance) no setor industrial, mas, na prática, o foco ainda está quase todo no “E”, ou seja, no compromisso ambiental das empresas.
Redução de emissões de carbono, compra de créditos e combate ao desmatamento dominam os debates, enquanto os pilares de governança e social, essenciais para uma sustentabilidade real, continuam pouco explorados.
O foco no meio ambiente é fundamental, mas ESG não é apenas isso.
Os 3 pilares são interdependentes: sem boas práticas de governança, não há transparência, compliance ou segurança nos processos; sem investimento no social, faltam inclusão, desenvolvimento comunitário e qualidade de vida para os trabalhadores.
Para que o ESG funcione de verdade, é preciso equilíbrio entre esses fatores.
No setor industrial, onde atuo, a governança é um elemento decisivo, principalmente em grandes plantas como refinarias, siderúrgicas, fábricas petroquímicas e complexos de mineração. São ambientes de alto risco, com muitos trabalhadores operando equipamentos pesados e desempenhando funções críticas.
Nessas operações, é essencial garantir uma gestão eficiente da mão de obra, o cumprimento rigoroso das normas de segurança, o controle de acesso a áreas críticas e o monitoramento do tempo de exposição a riscos.
A governança e o cuidado com as pessoas, bem aplicadas, não apenas garantem integridade operacional, mas também minimizam acidentes, melhoram o bem-estar dos trabalhadores e, como consequência, aumentam a competitividade da empresa.
O que é ESG na indústria e exemplos?
Em uma indústria com dois mil trabalhadores, por exemplo, como garantir que todos estão onde deveriam estar e cumprindo suas funções de forma segura?
Como evitar que alguém acesse áreas de risco sem permissão? Essas são perguntas que podem ser respondidas com o uso de tecnologia.
Com dispositivos de rastreamento e sensores IoT, conseguimos monitorar, em tempo real, a localização dos trabalhadores e as atividades sendo executadas, sempre de forma anonimizada e em conformidade com todas as leis aplicáveis.
Enquanto a governança cuida da segurança e eficiência, o aspecto social do ESG está diretamente ligado ao bem-estar dos trabalhadores.
Muitas dificuldades do dia a dia simplesmente passam despercebidas pelos gestores porque faltam dados para embasar mudanças.
Um exemplo prático disso é a logística interna. No ambiente em que atuo, já vimos casos em que funcionários perdiam 40 minutos do horário de almoço caminhando sob sol forte para o refeitório porque o transporte interno não estava ajustado à jornada de trabalho.
Com um simples ajuste nos horários dos ônibus, conseguimos reduzir esse desgaste e aumentar a satisfação da equipe.
Pode parecer um detalhe, mas, para quem está no chão de fábrica, isso faz toda a diferença. E, quando transformamos essa perda de tempo em custos operacionais, o impacto financeiro para a empresa é enorme.
Outro problema comum é a quebra de planejamento operacional. Muitas vezes, os trabalhadores precisam se deslocar várias vezes entre a área de trabalho e o almoxarifado porque faltam ferramentas ou insumos.
Em algumas indústrias, as equipes precisavam fazer esse trajeto três ou quatro vezes ao dia, o que resultava em desgaste físico, menor produtividade e maior risco de acidentes.
Quando analisamos os dados, percebemos que o problema não era a equipe, mas a falta de estrutura. Com a tecnologia, conseguimos corrigir isso e tornar as operações muito mais eficientes.
A exposição a substâncias perigosas é outro ponto crítico.
Muitas normas determinam limites de tempo para trabalhadores em áreas com agentes químicos agressivos, mas esse controle ainda é feito, na maioria das empresas, de forma manual.
Com nosso sistema, conseguimos monitorar esses tempos automaticamente e emitir alertas quando alguém se aproxima do limite seguro, protegendo a saúde do trabalhador e evitando penalizações para a empresa.
Além disso, a evacuação em emergências se torna muito mais eficiente com tecnologia.
Grandes empresas dos setores químico, agroindustrial, siderúrgico, minerador, da construção civil e petrolífero já estão adotando essas soluções.
Com dispositivos simples, que não exigem treinamento ou recarga, é possível monitorar a movimentação de equipes e garantir que todos saiam das áreas de risco com rapidez.
Assim, pequenos ajustes como esses têm um impacto gigantesco.
Veja também:
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Posso citar estudos como o da McKinsey, que mostram que empresas que investem no bem-estar dos funcionários registram um aumento de produtividade de até 25%, além de reduzir a rotatividade e os afastamentos médicos.
Já a Gallup aponta que práticas de bem-estar bem estruturadas podem elevar o engajamento dos colaboradores em até 21%.
A governança eficiente e o uso de dados também trazem ganhos operacionais. Segundo a Deloitte, empresas que investem nessas áreas podem reduzir seus custos em até 20%.
No aspecto social, iniciativas voltadas ao bem-estar dos trabalhadores aumentam a satisfação da equipe em até 40%, segundo a Harvard Business Review.
A indústria, no geral, ainda tem uma visão muito mecânica do trabalhador. Mas ele não é uma máquina.
Se está desgastado, sem suporte ou trabalhando em condições inadequadas, a produtividade cai, os erros aumentam e a segurança fica comprometida.
Nossa missão é usar tecnologia para dar visibilidade a esses problemas e gerar soluções que beneficiem tanto os trabalhadores quanto as empresas.
No fim das contas, cuidar do social e da governança não é só uma questão ética, é também uma decisão inteligente para o negócio.
