Vício em ‘bets’ prejudica famílias, afeta produtividade no trabalho

O crescimento exponencial das plataformas de apostas online levanta preocupações urgentes sobre o vício em "bets", com implicações diretas no ambiente de trabalho e para todas as gerações. Saiba como o RH e a gestão de riscos podem atuar proativamente.
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bets

Recentemente, o Brasil tem testemunhado um crescimento exponencial das plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”. 

Essa expansão, evidenciada até mesmo por depoimentos de influenciadores digitais na chamada CPI das Bets, tem ampliado significativamente as preocupações sobre o vício em bets no trabalho. 

Paralelamente, observa-se uma adesão expressiva da Geração Z a esse universo digital, impulsionada pela familiaridade com a tecnologia, o marketing agressivo e a influência de figuras online.

No entanto, essa crescente popularidade esconde um problema sério, com implicações diretas no ambiente de trabalho para todas as gerações. 

Trata-se do vício em apostas, ou ludopatia, como é clinicamente denominado esse tipo de dependência, que pode afetar o desempenho, a saúde mental e a segurança das organizações.

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A Geração Z e o mundo das bets: uma conexão perigosa?

Nascidos na era digital, os jovens da Geração Z encontram nas plataformas de apostas um entretenimento acessível e fácil, com a ilusão de ganhos rápidos. 

A influência de streamers e influenciadores que promovem as apostas, aliada à busca por pertencimento a comunidades online de apostadores, cria um cenário de alta vulnerabilidade.

Dados recentes e relatos jornalísticos, como os da Inter TV Grande Minas (G1), apontam para números preocupantes. 

Uma mãe, que preferiu não se identificar em reportagem do G1, viu a filha perder mais de R$ 200 mil em prejuízos devido às apostas, chegando a negligenciar a alimentação para sustentar o jogo. 

Estima-se que uma parcela significativa da Geração Z brasileira já experimentou apostas online, e uma porcentagem considerável demonstra sinais de comportamento problemático.

O tempo dedicado a essa atividade e os recursos financeiros investidos podem ter um impacto devastador em suas vidas pessoais e, consequentemente, em seu desempenho profissional.

O vício em bets que atravessa gerações

geração z no mercado de trabalho

A preocupação com o vício em bets vai além da Geração Z, atingindo todas as faixas etárias. 

Isso ocorre devido ao design envolvente dos jogos, sua crescente acessibilidade e também aos complexos aspectos sociais e psicológicos que os envolvem.

Embora as preferências de jogos e o contexto social possam variar entre as gerações, os mecanismos de recompensa cerebral e a pressão social online continuam influenciando o comportamento dos jogadores. 

A reportagem do G1 destaca o depoimento de uma mulher cujo casamento terminou porque o marido “passava mais tempo jogando e deixava de lado as tarefas que eram importantes, até a profissão dele”. 

O psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em entrevista à Inter TV Grande Minas, alerta: “As pessoas começam achando que vão ganhar dinheiro fácil e passam horas apostando. 

Isso afeta o funcionamento do cérebro de forma semelhante às drogas e ao álcool”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o vício em apostas como um transtorno grave. 

Segundo o Dr. Antônio Geraldo, “o problema começa quando a pessoa deixa de lado atividades do dia a dia: não presta atenção em quem chega em casa, falha no trabalho. Assim, horas e horas do dia passam a ser dedicadas exclusivamente ao jogo”.

A psicóloga Aldelúcia Castro complementa que a busca por ganhos fáceis, influenciada por figuras públicas, ativa a dopamina, podendo substituir atividades saudáveis por um comportamento compulsivo. 

Por isso, a conscientização, a definição de limites saudáveis e a promoção de um estilo de vida equilibrado são cruciais para mitigar o risco de vício em jogos em todas as gerações, garantindo que essa forma de entretenimento permaneça uma atividade saudável e controlada.

Os custos ocultos do vício em bets para as empresas

O vício em bets não é apenas um problema individual; seus efeitos reverberam profundamente no ambiente corporativo, comprometendo tanto o bem-estar dos colaboradores quanto os resultados da empresa. 

Para os departamentos de Recursos Humanos e a gestão de riscos, é crucial estar atento aos seguintes impactos. Confira!

Queda de produtividade e absenteísmo

A preocupação constante com apostas, a necessidade de acompanhar resultados em tempo real e os problemas financeiros decorrentes do vício levam à dificuldade de concentração, atrasos e faltas. 

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Felipe Tavares, mencionado na reportagem do G1, cita relatos de funcionários jogando durante o expediente, afetando diretamente a qualidade e produtividade.

Problemas financeiros e potenciais desvios

Colaboradores endividados pela compulsão por apostar podem se envolver em comportamentos antiéticos, como fraudes ou desvios, na tentativa desesperada de cobrir suas perdas. 

A CNC estima que, só em 2024, o setor varejista perdeu R$ 109 bilhões devido às apostas, e em Minas Gerais, a perda pode chegar a R$ 30 bilhões, reduzindo o PIB estadual em R$ 18 bilhões – o que reflete o impacto econômico geral do problema.

Impacto na saúde mental

Ansiedade, depressão, irritabilidade e isolamento social são comorbidades frequentes do vício em bets. Estes transtornos afetam o clima organizacional e aumentam os custos com planos de saúde. 

É fundamental lembrar que os riscos psicossociais foram incluídos na nova redação da NR-1, reforçando a responsabilidade das empresas. 

O Ministério da Previdência Social, segundo o G1, registrou 402 concessões de benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos relacionados ao jogo em 2024.

Riscos de reputação e segurança da informação

A associação da empresa a problemas de vício entre seus colaboradores e o potencial acesso a dados sensíveis por indivíduos em situação financeira delicada representam riscos significativos para a imagem e a segurança da informação da organização.

RH e Gestão de Riscos: A hora de agir!

profissional de RH

As empresas não podem ignorar essa realidade. É fundamental que os departamentos de Recursos Humanos e a gestão de riscos adotem uma postura proativa para mitigar os impactos do vício em bets:

  • Conscientização e educação: Implementar programas de conscientização sobre os riscos do jogo patológico, utilizando linguagem e canais relevantes para a Geração Z e para as demais gerações. Isso inclui abordar o tema de forma aberta e sem julgamentos.
  • Políticas internas claras: Definir diretrizes sobre o uso de dispositivos e acesso a sites de apostas durante o horário de trabalho. É crucial que essas políticas sejam comunicadas de forma efetiva e justa.
  • Treinamento de lideranças: Capacitar líderes para identificar sinais de alerta do vício em bets e abordar o tema com sensibilidade e sigilo, sabendo como direcionar o colaborador para o apoio adequado.
  • Programas de Apoio ao Empregado (PAE): Oferecer suporte psicológico e, quando aplicável, orientação financeira aos colaboradores com problemas de vício, garantindo um caminho confidencial para a ajuda.
  • Monitoramento de riscos: Incluir o vício em bets nas análises de risco da empresa, considerando seu potencial impacto na produtividade, segurança e clima organizacional.
  • Parcerias com especialistas: Buscar colaboração com profissionais e instituições especializadas no tratamento do jogo patológico, como psiquiatras e psicólogos, conforme sugerido pelo Dr. Antônio Geraldo no G1, para oferecer suporte qualificado.

Um investimento no bem-estar e na sustentabilidade

Abordar o problema do vício em bets no ambiente de trabalho não se trata apenas de uma questão de responsabilidade social corporativa. 

Na verdade, também representa uma estratégia inteligente para proteger o capital humano e a saúde financeira da empresa. 

Ao criar um ambiente de trabalho informado, oferecer suporte e implementar políticas preventivas, as organizações investem diretamente no bem-estar de seus colaboradores. 

Essa estratégia não só fortalece a cultura organizacional, mas também garante a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.

“A gente fica revoltado com a situação, mas precisa se aproximar deles. Senão, eles se isolam ainda mais no jogo”, aconselha a mãe da jovem diagnosticada com o transtorno, em relato comovente ao G1. Essa perspectiva de acolhimento e proatividade é fundamental.

É hora de abrir os olhos para esse impacto silencioso e agir. O futuro do nosso capital humano, especialmente a promissora Geração Z, e a integridade de nossas empresas dependem de uma gestão de pessoas atenta e engajada.

Publicitária e Analista de Conteúdo com formação em redação jornalística, especialista em análise de tendências de RH, carreiras e comportamento organizacional. Crio conteúdos estratégicos, baseados em dados e insights de especialistas, para auxiliar gestores na tomada de decisões em gestão de pessoas.

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