Com o aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais e mudanças nas exigências legais de saúde e segurança no trabalho, as empresas brasileiras têm direcionado atenção especial à saúde mental dos jovens aprendizes.
Esse movimento se fortalece à medida que os programas de aprendizagem ganham novos contornos, incorporando não só habilidades técnicas, mas também o desenvolvimento de competências socioemocionais.
Afastamentos por transtornos mentais aumentam mais de 400%
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, apenas em 2024 foram concedidas 472.328 licenças médicas por transtornos mentais — número mais de cinco vezes maior que o registrado em 2020, quando houve 91.607 afastamentos no trabalho.
O crescimento escancara os efeitos prolongados da pandemia e os desafios persistentes do ambiente de trabalho, especialmente para públicos mais vulneráveis, como jovens em início de carreira e mulheres em dupla jornada.
Ansiedade em alta entre adolescentes
A vulnerabilidade dos jovens é confirmada por dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), vinculada ao SUS, que revelam um cenário preocupante: pela primeira vez, a taxa de ansiedade entre crianças e adolescentes superou a de adultos.
Em 2023, foram 157 casos a cada 100 mil adolescentes, ante 112 entre adultos.
Isso reflete um grupo que já entra no mercado de trabalho carregando pressões sociais, incertezas econômicas e muitas vezes sem estrutura emocional para lidar com o ambiente corporativo.
Espro aposta em formação humanizada

Frente a esse contexto, instituições como o Espro (Ensino Social Profissionalizante) têm desempenhado papel fundamental na formação e suporte de jovens aprendizes.
Com 45 anos de atuação, o Espro soma mais de 1,3 milhão de atendimentos sociais, que vão de visitas domiciliares a encaminhamentos psicológicos.
“O jovem já traz as dificuldades da sua vulnerabilidade social, passa pela dificuldade de entendimento do ambiente em que vai atuar e tem uma pressão para ter resultado. Se não tiver com quem conversar, se não tiver orientação, pode ter muita dificuldade”, afirma Alessandro Saade, superintendente executivo do Espro, em entrevista à VOCÊ RH.
Soft skills como estratégia de prevenção
Para prevenir situações de sofrimento emocional, o Espro tem priorizado o ensino de soft skills, como empatia, escuta ativa, comunicação e resiliência.
Essas competências ajudam os jovens a lidar com as pressões do cotidiano e favorecem relações mais saudáveis no trabalho.
Segundo a instituição, o impacto vai além da empregabilidade: o fortalecimento emocional contribui diretamente para a saúde mental dos participantes.
Empresas terão que mapear riscos psicossociais até 2025
A movimentação também atende às mudanças legais que passam a vigorar a partir de 26 de maio de 2025.
As empresas deverão avaliar riscos psicossociais como parte da gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), conforme nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
A legislação reconhece oficialmente que pressões como assédio moral, metas abusivas e falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional têm impacto direto sobre a saúde do trabalhador.
Plantão Social oferece apoio psicológico

O Espro mantém ainda um serviço de Plantão Social, com assistentes sociais e psicólogos disponíveis para acolhimento de jovens em sofrimento psíquico.
O suporte inclui escuta qualificada, orientação, encaminhamento a atendimentos especializados e acompanhamento contínuo.
Além disso, os instrutores são capacitados para identificar sinais de alerta, como tristeza frequente ou isolamento, reforçando a construção de uma cultura de cuidado no ambiente formativo.
Inclusão e ESG: saúde mental na agenda corporativa
Cuidar da saúde mental dos jovens aprendizes também está alinhado com as práticas de ESG (ambiental, social e de governança).
Ao investir na formação e no bem-estar desses profissionais, as empresas reforçam seu compromisso com a inclusão social e com um modelo de trabalho mais sustentável.
Além de estarem em conformidade com as novas exigências legais, essas iniciativas fortalecem a reputação da marca e despertam o interesse de investidores comprometidos com boas práticas corporativas.
É correto falar “jovens aprendizes”?
Sim. O termo “jovens aprendizes” é amplamente aceito para se referir a adolescentes e jovens, geralmente entre 14 e 24 anos, que participam de programas de aprendizagem profissional.
Regulamentados pela Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000), esses programas oferecem formação teórica e prática, permitindo o ingresso seguro e legal no mercado de trabalho.
Quem são os jovens aprendizes?
Na prática, esses jovens fazem parte de uma população em situação de vulnerabilidade social.
No Espro, 90% dos participantes vivem em áreas de média ou alta vulnerabilidade. Muitos enfrentam baixa renda familiar, acesso limitado à educação de qualidade e exposição a ambientes de risco.
O programa de aprendizagem profissional busca romper esse ciclo, oferecendo capacitação técnica, apoio emocional e perspectivas reais de crescimento pessoal e profissional.
Conclusão
O avanço das discussões sobre saúde mental no ambiente corporativo abre espaço para uma transformação mais profunda: não basta contratar jovens aprendizes — é preciso acolhê-los, formá-los e garantir que tenham condições emocionais para aprender e crescer.
A integração de estratégias como o ensino de soft skills, suporte psicológico e ambientes inclusivos não é apenas uma exigência legal, mas também um investimento em produtividade, inovação e futuro.
Fontes:VOCÊ RH, Ministério da Previdência Social, RAPS (SUS), NR-1 (MTE), dados institucionais Espro.
