Você já participou de alguma conversa na empresa ou reunião, que mais parecia uma batalha do que, de fato, uma conversa? Uma fala aqui, o outro lá, depois os dois ao mesmo tempo. Imagino que pouco se tirou desta discussão, não é? Provavelmente, o que faltou foi a comunicação não violenta.
Considerada uma habilidade cada vez mais requisitada nas organizações, a CNV, é uma maneira que as pessoas encontram para expressarem suas necessidades e desejos, focando em caminhos pacíficos e de empatia com todos.
Por isso, neste post, abordaremos tudo o que você precisa saber sobre a comunicação não violenta, o que quer dizer o conceito, sua importância e, claro, como você pode aplicá-la tanto na sua organização, quanto individualmente.
Vamos lá?
O que é a comunicação não violenta?
Em seu livro homônimo, Rosenberg define a Comunicação Não-Violenta como uma abordagem da comunicação, que compreende as habilidades de falar e ouvir, que leva os indivíduos a se entregarem de coração, possibilitando a conexão com si mesmos e com os outros.
Esse significado parece fácil, mas vamos usar uma linguagem mais corporativa, aqui vamos definiremos como: ato de transmitir e/ou receber uma mensagem através de uma linguagem que ambos entendam, usando como premissa a empatia.
Parece simples? Porém, na prática, algumas questões passam despercebidas e torna a comunicação algo que ela não precisa ser: ineficaz, grosseira e com inúmeros ruídos que trarão grandes perdas.
De acordo com a CNV Brasil, transformar a cultura que nos cerca, mudando o mundo para melhor, é um dos maiores desafios que podemos ter dentro de nossos relacionamentos.
Então para se ter uma comunicação eficiente, ambos os interlocutores precisam interpretar e emitir um sinal que seja de igual entendimento, certo?
Sim, e o mais importante em uma comunicação é se fazer entender, isso não está apenas relacionado com a linguagem, mas sim pela qualidade que dedicamos ao realmente praticar uma escuta ativa e uma comunicação não violenta.
Quais são os 4 pilares da comunicação não violenta?
Existem 4 pilares que compõem a comunicação não violenta. São elas:
Observação: trata-se de uma análise onde é possível separar o que, de fato, aconteceu em uma situação. Essa etapa é fundamental para que a leitura da realidade seja, de fato, compartilhada, e seja declarado o que foi dito e o que foi feito.
Sentimentos: trata-se de se mostrar vulnerável, trazendo à tona os sentimentos diante da situação, aproximando um do outro. Para quem não está acostumado a ser aberto a se expressar, essa pode ser uma etapa altamente difícil. Muitos, ao invés de falar sobre os seus sentimentos, descrevem pensamentos, como “isso vai dar errado”.
Necessidades: aqui estamos falando do que levou a pessoa a agir de determinada maneira. Todo mundo faz uma coisa porque tem a necessidade de alguma coisa. Ao sabermos a necessidade do outro, é possível compreender o que o motiva a agir de determinadas maneiras.
Pedidos: por fim, os pedidos são uma maneira de oferecer ao outro a oportunidade de colaborar com o que é importante para nós. Ou seja, trata-se da expressão utilizada para nos levarmos as necessidades que gostaríamos de atender.
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Qual a importância da comunicação não violenta?

A comunicação não violenta auxilia a lidar com o outro, com o diferente e com as diferenças. É uma técnica fundamental para trazer níveis de consciência para quem pratica o assédio e com isso, colocar fim a esta prática e também para quem sofre, poder identificar e sair desta situação”, acrescenta.
Segundo o Gallup Institute, organizações nas quais o comprometimento de pessoas é maior, são 22% mais lucrativas, 21% mais produtivas e têm índice de absenteísmo 37% menor em relação às que têm menor percentual de engajados.
Mas, para tanto, é preciso um ambiente de trabalho harmônico. Empatia, parceria e comunicação eficaz são capazes de evitar muitos desses problemas, segundo os princípios da comunicação não violenta.
Além disso, a comunicação não violenta nos ajuda a:
- Reformular a nossa forma pela qual expressamos e ouvimos as outras pessoas;
- Usar as nossas palavras para que, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornarem-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando.
Dessa forma, somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática.
Na medida em que a comunicação não violenta substitui nossos velhos padrões de defesa, recuo ou ataque diante de julgamentos e críticas, vamos percebendo a nós e aos outros, assim como nossas intenções e relacionamentos, por um enfoque novo.
Como utilizar a comunicação não violenta corretamente?
Para se ter sucesso na aplicação da Comunicação Não Violenta é preciso que foquemos a nossa atenção em quatro áreas, denominadas como os quatro componentes do modelo da CNV:
- Observação;
- Sentimento;
- Necessidades;
- Pedido.
O primeiro passo é observar o que de fato está acontecendo numa situação: o que estamos vendo os outros dizerem ou fazerem que é enriquecedor ou não para a nossa vida?
É importante fazer essa observação sem fazer nenhum julgamento ou avaliação, mas, simplesmente dizer o que nos agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo.
Em seguida, devemos identificar como nos sentimos ao observar aquela ação:
- Magoados;
- Assustados;
- Alegres;
- Divertidos;
- Irritados etc.
Em terceiro lugar, vamos reconhecer quais das nossas necessidades estão ligadas aos sentimentos que identificamos. E, por último, vamos pedir o que precisamos de forma bem específica.
A comunicação não violenta é um instrumento essencial para construir relacionamentos fortes e sustentáveis, lideranças fortes e admiradas.
Leia também:
- Comunicação Não Violenta
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- Os 7 erros de comunicação mais comuns no atendimento ao cliente
- A sua equipe já pratica a comunicação não violenta?
- Plano de comunicação interna: O que é, erros e como aplicar
Como aplicar a comunicação não violenta individualmente?

Comece a trazer isso para o seu ambiente, observe as pessoas se relacionando e veja como será que aquela pessoa se sentiu, porque aquela outra disse aquilo. Isso é um exercício para começarmos a desenvolver e estimular a nossa escuta sensível.
Podemos usar a comunicação não violenta em qualquer lugar, mas convido você a praticá-la no ambiente de trabalho.
Você já percebeu como temos comportamentos reativos só pela forma como algumas pessoas se comunicam conosco? É importante a tomada de consciência para:
- Interna: O que está acontecendo dentro de mim.
- Externa: O que está acontecendo com o outro.
A aplicação precisa ser um exercício diário, até que a prática vai tornando mais fácil a sua aplicação.
Lembra das questões internas e externas, agora é importante separar o que é seu e o que está fora de você:
- O que realmente aconteceu?
- Como as pessoas envolvidas se sentem diante do conflito?
- Que necessidades não estão sendo satisfeitas?
- Quais boas intenções estão em prática?
- Como os envolvidos poderiam colocar estas intenções em prática com um impacto mais positivo para ambos?
- Que acordos poderíamos fazer para evitar este tipo de conflito?
Além de saber o que fazer, é importante ficar atento e entender o que não fazer diante de algumas situações, por isso, para deixar a comunicação mais eficiente:
- Fugir do conflito. Encare-o como necessário e entenda que você tem recursos para lidar com a situação.
- A nossa percepção é só nossa, procure fatos e comportamentos, mas guarde-as para si.
- Evite falar em demasia, ou palavras difíceis, isso apenas dificulta a comunicação.
- Seja gentil sempre, não espere o comportamento do outro para que isso aconteça.
- Esteja disponível sempre que possível, principalmente se você lidera uma equipe.
- Ao invés de perguntar: “Como estamos com….“. Utilize, “Como posso contribuir…”.
Conclusão
A comunicação não violenta representa uma abordagem transformadora no modo como nos expressamos e nos relacionamos com os outros. Essa técnica, busca promover a compreensão mútua, a empatia e a resolução pacífica de conflitos, baseando-se em princípios de honestidade, empatia e autoexpressão consciente.
Além disso, a importância da comunicação não violenta transcende os âmbitos pessoais e profissionais, impactando positivamente as relações interpessoais e contribuindo para a construção de ambientes mais harmoniosos e colaborativos.
Assim, utilizar a comunicação não violenta corretamente implica em cultivar uma linguagem que inspire empatia e compreensão, evitando julgamentos e críticas destrutivas. Essa abordagem enfatiza a expressão de sentimentos e necessidades de maneira clara, promovendo um diálogo aberto e construtivo.
Por fim, esta abordagem não apenas melhora a qualidade das nossas relações, mas também contribui para a construção de comunidades mais compassivas e resilientes, destacando o poder positivo da comunicação como uma ferramenta essencial para a construção de um mundo mais conectado e colaborativo.

