Empresas brasileiras alcançam receita 8% maior em 2024: eficiência operacional compensa desafios financeiros

Um estudo da PwC revelou que as empresas brasileiras listadas na B3 tiveram um crescimento médio de receita de 7,7% em 2024, superando a inflação. Apesar do aumento nas despesas financeiras devido a juros e câmbio, o lucro líquido se manteve estável, impulsionado pela eficiência operacional. 
9 min. de leitura
qual o índice de brasileiro que avalia as empresas listadas
Ibovespa. Foto: Suno

Um panorama promissor para o cenário corporativo nacional se revela nos dados de um estudo recente conduzido pela PwC, que aponta para um crescimento significativo na receita das empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) ao longo de 2024. 

A análise minuciosa da PwC abrangeu o desempenho de 348 companhias de capital aberto, o que representa aproximadamente 95% do total de empresas listadas na B3. 

O estudo considerou os resultados do quarto trimestre de 2024, divulgados até o final de março de 2025. Essa análise indica um avanço médio de 7,7% na receita dessas empresas em comparação com o ano anterior. 

Esse desempenho robusto sinaliza uma resiliência notável do setor empresarial diante de um cenário econômico global ainda marcado por incertezas e flutuações.

O levantamento da PwC, que excluiu especificamente as empresas do setor financeiro devido às suas particularidades em padrões contábeis, oferece uma visão mais clara e focada sobre o desempenho das companhias dos demais setores da economia. 

Ao comparar o crescimento da receita líquida com a inflação registrada no período, o estudo revela um avanço real, com um índice 2,8% superior ao observado em 2023. 

Esse dado sublinha não apenas o aumento nominal da receita, mas também um ganho real de poder de compra e de capacidade de geração de valor por parte das empresas brasileiras.

Além do crescimento da receita, a pesquisa da PwC também destaca melhorias significativas na rentabilidade operacional das companhias. 

A margem operacional, um indicador crucial da eficiência com que as empresas geram lucro a partir de suas atividades principais, registrou um salto expressivo, passando de 33,1% em 2023 para um robusto 47,2% em 2024.

Paralelamente, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA), um importante indicador da geração de caixa operacional, também apresentou um crescimento substancial, avançando 10,1 pontos percentuais e atingindo a marca de 47,9%. 

Esses números evidenciam que as empresas brasileiras não apenas aumentaram seu faturamento, mas também aprimoraram sua capacidade de converter receita em lucro operacional.

No entanto, nem todos os indicadores financeiros apresentaram um cenário de crescimento. 

O estudo da PwC também aponta para um aumento considerável nas despesas financeiras dessas empresas, que registraram um crescimento próximo a expressivos 75% no último ano. 

Segundo a consultoria, esse aumento foi impulsionado, principalmente, pela elevação das taxas de juros e pela volatilidade da taxa de câmbio, fatores macroeconômicos que impactam diretamente o custo do capital e as operações financeiras das companhias. 

Apesar desse aumento substancial nas despesas financeiras, o levantamento indica que ele não afetou de forma significativa o lucro líquido consolidado das empresas analisadas, que se manteve estável em 2024.

Essa estabilidade do lucro líquido em face do aumento das despesas financeiras sugere uma capacidade notável das empresas brasileiras em gerenciar seus custos operacionais e em otimizar suas operações para compensar o cenário financeiro mais desafiador. 

A afirmação de Alessandro Marchesino, sócio e líder de Mercado de Capitais da PwC Brasil, de que “as empresas conseguiram compensar o cenário financeiro mais desafiador com eficiência operacional”, reforça essa interpretação e sublinha a importância da gestão estratégica e da busca por ganhos de produtividade no contexto econômico atual.

Em contrapartida ao cenário de crescimento da receita e da margem operacional, a pesquisa da PwC também aponta para um aumento na média de endividamento das companhias de capital aberto, que registrou um avanço de 19,7%. 

Da mesma forma, o índice de dívida bruta sobre o total de ativos, um indicador da alavancagem financeira das empresas, também apresentou um aumento, passando de 37,7% para 40,1%. 

Esse aumento no endividamento pode ser reflexo da busca por financiamento para expansão, investimentos ou mesmo para fazer frente ao cenário de taxas de juros elevadas.

Apesar do aumento geral do endividamento, o estudo da PwC revela um panorama mais matizado ao analisar o comportamento setorial. 

Alguns setores da economia brasileira demonstraram uma capacidade de reduzir sua alavancagem financeira no período analisado. 

Entre eles, destacam-se os setores de serviços diversos, telecomunicações, construção civil e comércio, que conseguiram diminuir seus níveis de endividamento, indicando uma gestão financeira mais conservadora ou uma maior capacidade de geração de caixa para quitar obrigações.

No que se refere à estrutura do endividamento, o estudo da PwC também observou um recuo da dívida de curto prazo em relação à dívida total em alguns setores específicos. 

O setor de comércio, em particular, apresentou um bom desempenho nesse aspecto, diminuindo a participação da dívida de curto prazo de 48,5% para 39,4%. 

Além do comércio, os setores de energia elétrica (com uma redução de 10,7 pontos percentuais), produtos químicos (5,2 p.p.), construção civil (4,7 p.p.) e alimentos processados (4,5 p.p.) também registraram um recuo na proporção da dívida de curto prazo, o que pode indicar uma melhor gestão do fluxo de caixa e uma menor pressão por liquidez imediata.

Em suma, o estudo da PwC oferece um panorama abrangente e detalhado sobre o desempenho financeiro das empresas brasileiras de capital aberto em 2024. 

Os resultados apontam para um crescimento robusto da receita e uma melhora na eficiência operacional, que foram capazes de compensar o cenário financeiro mais desafiador marcado pelo aumento das taxas de juros e pela volatilidade cambial.

Apesar de um aumento geral no endividamento, alguns setores demonstraram resiliência e capacidade de reduzir sua alavancagem e melhorar a estrutura de sua dívida. 

Esses dados são cruciais para entender a dinâmica do mercado corporativo brasileiro e para direcionar estratégias de investimento e gestão nos próximos períodos.

Navegue pelo conteúdo

Quais são as 25 maiores empresas do Brasil?

turnover

A identificação das maiores empresas do Brasil pode variar dependendo do critério utilizado para a avaliação. 

Um estudo recente do LinkedIn Top Companies 2025, que também detalha as competências mais valorizadas, cargos em alta e vagas abertas, listou as 25 principais empresas para se trabalhar no Brasil. 

Essa lista reflete diversos fatores, incluindo o interesse dos profissionais, o crescimento das empresas e o engajamento dos funcionários. Algumas das empresas que figuram nesse ranking são:

  1. Itaú Unibanco
  2. Banco Bradesco
  3. Vale
  4. Mercado Livre
  5. Dow
  6. IBM
  7. Boston Consulting Group (BCG)
  8. Banco do Brasil
  9. Accenture
  10. Oracle
  11. EY
  12. Nubank
  13. Santander
  14. Mastercard
  15. Vivo (Telefônica Brasil)
  16. Ericsson
  17. Alcoa
  18. The Coca-Cola Company
  19. UOL
  20. Petrobras
  21. Aon
  22. Amazon
  23. BD
  24. Cosan
  25. Google (Alphabet Inc.)

A lista completa e mais detalhes sobre o ranking estão disponíveis na página do LinkedIn Top Companies 2025. 

É importante notar que esse ranking se concentra em atratividade para profissionais e oportunidades de carreira, sendo um critério diferente da receita bruta ou valor de mercado, mencionados anteriormente. 

Além do Brasil, o ranking é divulgado em outros 21 países, oferecendo uma perspectiva global sobre as principais empresas para se trabalhar.

Leia mais:

Quais são as 50 empresas mais ricas do Brasil?

A avaliação da riqueza das empresas pode ser feita por diversos critérios, e o Ranking Brand DX das Marcas mais Valiosas de 2024 oferece uma perspectiva interessante ao analisar o valor das marcas no Brasil. 

Segundo o levantamento, a soma do valor das 112 marcas mais valiosas do país alcançou R$ 586 bilhões em 2024, um aumento de 10% em relação ao ano anterior (R$ 532 bilhões em 2023).

O ranking aponta que o setor bancário mantém a liderança entre as marcas mais valiosas do Brasil há alguns anos. 

O Itaú ocupa a primeira posição com um valor de marca de R$ 46,91 bilhões, sendo o único banco no Top 10 a apresentar crescimento nesse quesito em relação a 2023 (6%). 

O Banco do Brasil e o Bradesco seguem nas posições subsequentes, mantendo uma configuração observada nos últimos três anos. 

A Caixa figura na quarta posição e o Nubank na oitava. O BTG Pactual também se destacou no setor financeiro com um aumento de 11% no valor de sua marca.

Considerando o Top 10 das marcas mais valiosas, houve algumas mudanças em relação ao ano anterior. Vivo e Nestlé entraram para as dez primeiras posições, apresentando crescimentos significativos de 13% e 25% respectivamente, enquanto Lojas Renner e O Boticário saíram desse grupo seleto.

As marcas que demonstraram maior crescimento em suas posições no ranking em 2024 foram, em ordem: Vale (91%), Localiza (51%), Rede D’Or São Luiz (37%), Mercado Livre (35%) e Basf (33%).

 No lado oposto, as marcas que tiveram maior retração foram Americanas (-25%), Azul (-24%), Cielo (-21%), Caixa (-21%) e Suzano (-19%).

O estudo também identificou os setores com maior crescimento no valor de suas marcas em 2024, com destaque para o automobilístico, de alimentos e de saúde (incluindo hospitais, laboratórios e planos de saúde). 

Por outro lado, o setor de varejo foi o que demonstrou maior retração no valor de suas marcas.

A metodologia do Ranking Brand DX das Marcas mais Valiosas envolve a projeção da Receita Operacional Líquida (ROL), o cálculo da taxa de royalty, a determinação da força da marca por meio de pesquisas com consumidores e a definição do Custo de Capital Ajustado (WACC) para calcular o Valor Presente Líquido (VPL) dos lucros futuros dos royalties estimados. 

O levantamento avalia milhares de marcas em diversos setores, utilizando uma série de indicadores-chave de performance (KPIs).

É importante notar que essa perspectiva de “riqueza” se baseia no valor da marca, um ativo intangível, e não necessariamente no valor de mercado das empresas brasileiras. 

No entanto, marcas valiosas geralmente estão associadas a empresas bem-sucedidas e com forte presença no mercado.

Leonardo é pós-graduado em Ciências da Computação pela PUC Minas e formou-se em Inovação e Empreendedorismo pela Universidade de Stanford. Ao longo de sua trajetória, fundou várias empresas de tecnologia e gestão. Diretor de Novos Negócios na Sólides, ele lidera a frente de DP, Benefícios Corporativos e demais iniciativas de expansão.

Melhores empresas para trabalhar em MG: ranking GPTW 2025 premia 75 companhias

Consumo de fast food no Brasil: veja quais são as marcas mais consumidas

Henry Ford Teorias: impactos na indústria moderna

Aprendizado contínuo: a habilidade essencial de um profissional

Como superar as barreiras de comunicação no mercado de trabalho?

Toda semana, no seu email

Um compilado do que realmente importa no universo de gestão de pessoas.

Conteúdos relacionados:

Empreendedorismo social foca em negócios que buscam, primordialmente, solucionar problemas sociais,
Se você está buscando uma maneira de começar a ganhar dinheiro
Mobilidade urbana é a forma como as pessoas se deslocam nas

Últimas notícias:

O termo LinkeDisney ironiza a visão de que a carreira dos
O Prêmio Reclame Aqui é o maior reconhecimento de reputação e
O ChatGPT se tornou uma ferramenta popular, presente no dia a

As notícias e conteúdos que realmente importam para sua gestão, toda quarta-feira no seu e-mail!

Fique por dentro do que realmente importa!

Toda quarta-feira, a Newsletter do RH Portal traz as principais notícias e tendências do universo de gestão de pessoas, além de conteúdos dinâmicos para manter você sempre atualizado.

Fique por dentro do que realmente importa!

Toda quarta-feira, a Newsletter do RH Portal traz as principais notícias e tendências do universo de gestão de pessoas, além de conteúdos dinâmicos para manter você sempre atualizado.