A Procter & Gamble (P&G), maior empresa de bens de consumo do mundo, anunciou nesta quinta-feira (5) a demissão de 7.000 funcionários como parte de um novo plano de reestruturação global.
As demissões na P&G representam cerca de 6% da força de trabalho total da companhia e devem ocorrer gradualmente ao longo dos próximos dois anos.
A decisão foi comunicada durante uma conferência do Deutsche Bank, realizada em Paris.
O anúncio ocorre em meio a um cenário de desaceleração do consumo global, aumento dos custos operacionais e incertezas provocadas pela guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Reestruturação busca simplificar operações e reduzir custos
Com aproximadamente 108 mil colaboradores no mundo até junho de 2024, a P&G informou que os cortes se concentrarão em áreas não industriais — o que corresponde a 15% da força de trabalho administrativa.
A companhia também revelou planos de desinvestir em algumas marcas e categorias de produtos em mercados específicos, como estratégia para enfrentar um cenário de demanda irregular.
Segundo os executivos, o objetivo da reestruturação é “acelerar intencionalmente a estratégia atual” e tornar a empresa mais eficiente e competitiva.
“Essa não é uma nova abordagem, mas uma aceleração da estratégia que já vínhamos adotando, considerando o ambiente cada vez mais desafiador em que competimos”, afirmaram.
A P&G também pretende tornar suas funções mais amplas e suas equipes menores, numa tentativa de simplificar a estrutura organizacional, aumentar a produtividade e reduzir os custos da cadeia de suprimentos.
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Demissões na P&G refletem pressões externas e internas
A decisão de cortar milhares de empregos ocorre em um momento de alerta para todo o setor de bens de consumo.
Além da pressão causada por custos inflacionários, executivos da P&G citaram o impacto direto da guerra comercial entre os EUA e a China como um fator determinante na tomada de decisão.
A empresa importa insumos, embalagens e até produtos acabados da China para abastecer o mercado norte-americano.
Com as tarifas de importação anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump, os custos da operação dispararam.
De acordo com uma análise da agência Reuters, a guerra comercial já custou mais de US$ 34 bilhões em vendas perdidas e custos extras para as empresas dos EUA.
Esse número pode aumentar nos próximos meses, dependendo do andamento das relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Marcas e mercados serão descontinuados

Além das demissões, a P&G pretende abandonar algumas categorias de produtos e marcas em determinados países, embora não tenha detalhado quais linhas serão afetadas.
A empresa sinalizou que parte do plano envolve o reposicionamento de portfólio e possíveis vendas de ativos.
Essas ações fazem parte de uma tentativa de alinhar a produção à demanda real dos consumidores e racionalizar a operação global, priorizando mercados com maior rentabilidade ou relevância estratégica.
Segundo os executivos, isso permitirá uma cadeia de suprimentos mais ágil, com menor complexidade e menos custos logísticos — um diferencial importante diante das oscilações de mercado e variações cambiais globais.
Consumo em baixa
O anúncio das demissões na P&G acontece em um momento de desaceleração no consumo global, especialmente nos mercados desenvolvidos.
Com a inflação persistente e a elevação dos juros em países como os Estados Unidos, as famílias têm reavaliado seus hábitos de compra, priorizando itens essenciais e buscando marcas mais baratas.
Esse cenário afeta diretamente empresas como a P&G, cuja receita depende de grandes volumes de vendas de produtos de higiene, limpeza e cuidados pessoais.
A própria companhia reconheceu que a demanda se tornou mais volátil em várias regiões e categorias, tornando necessário um ajuste de rota.
Além disso, a empresa enfrenta uma competição crescente de marcas locais e de marcas próprias (private label) de grandes redes varejistas, que ganham força em períodos de retração econômica.
Em resposta, a P&G pretende concentrar investimentos nas linhas mais rentáveis e com maior participação de mercado.
