A convite do RH Portal, participei do ACE Summit, evento focado em empreendedorismo e inovação, realizado no Centro de Convenções Frei Caneca, que reuniu líderes e especialistas para debater o futuro dos negócios.
Mais do que acompanhar tendências, saí de lá com uma pergunta ecoando: qual é a história que sua marca conta e de que forma ela impacta quem está do outro lado — clientes, colaboradores ou parceiros?
É sobre isso que quero falar aqui: compartilhar um pouco do que vi no evento e, principalmente, como transformar esses aprendizados em ações concretas no dia a dia do RH e da gestão de pessoas.
Inovação, diversidade e propósito na prática

A primeira palestra que acompanhei foi de Alexandre Martinez, Diretor de Marketing da ON, que apresentou a transformação que a marca vem promovendo com sua chegada e expansão no Brasil.
Um dos principais pilares da ON é a inovação com foco em design, e Alexandre destacou algo que me chamou a atenção: “O brasileiro é apaixonado por tecnologia.”
A marca também adota uma abordagem consistente em relação à diversidade. Um exemplo é que um de seus tênis mais recentes foi desenvolvido e testado por mulheres, algo bastante disruptivo em um mercado que, geralmente, apenas adapta modelos masculinos.
Outro ponto que me surpreendeu: o último lançamento de tênis da ON foi criado por inteligência artificial em apenas três minutos, reforçando o potencial de escala, sustentabilidade e leveza.
Além disso, a marca está lançando um clube de assinatura, fortalecendo a conexão com consumidores e explorando novos formatos de relacionamento.
Para mim, além da inovação e da diversidade, a ON se destaca por ter um propósito muito claro, que guia toda a sua estratégia de expansão: “Inspirar o espírito humano por meio do movimento.”
Com essa missão, a marca almeja se tornar a mais premium do segmento de sportwear.
A inovação é um dos principais elementos de sua reputação, posicionando a ON em um território diferenciado e perceptível para o consumidor, especialmente para a Geração Z.
Sua estratégia de comunicação é centrada na imprensa, influenciadores e relacionamento com o varejo, sempre contando histórias alinhadas ao propósito da marca.
Isso é especialmente relevante em um momento em que nossa atenção está cada vez mais disputada.
O propósito como motor de crescimento

Já a segunda palestra foi com João Camargo, Founder e CPO da Magie, a primeira assistente financeira com inteligência artificial 100% integrada ao WhatsApp.
Com a Magie, é possível fazer um PIX por foto ou áudio, consultar saldos, agendar e pagar boletos importantes em seu nome, tudo de forma simples, rápida e intuitiva — um exemplo claro de como a tecnologia pode ser colocada a serviço da praticidade e da inclusão financeira.
João também compartilhou todo o processo de construção da marca e ressaltou o quanto o propósito e a história por trás de um negócio são fundamentais para seu crescimento e consolidação no mercado.
Para ele, a tecnologia por si só não garante a fidelidade do cliente: é o vínculo emocional criado por meio de uma narrativa autêntica que sustenta a relação no longo prazo.
O caso da Magie ilustra bem como um propósito claro direciona decisões estratégicas, orienta o desenvolvimento de produtos e influencia até o tom de voz da comunicação.
Desde o início, a proposta da marca foi simplificar a vida financeira das pessoas, reduzindo barreiras e tornando operações antes complexas em interações simples e acessíveis pelo aplicativo de mensagens mais popular do Brasil.
Essa clareza permitiu que cada funcionalidade fosse pensada com foco no usuário, mantendo a coerência entre discurso e prática.
No fim, João reforçou algo que conecta muito com os outros conteúdos do evento: quando a história que a marca conta é verdadeira e coerente com o que ela entrega, ela não só conquista clientes, mas também inspira parceiros, atrai talentos e se diferencia em um mercado cada vez mais competitivo.
Leia também:
- RH Summit 2025: O Presente da Gestão de Pessoas Começa com a Integração das Inteligências
- Veja os principais eventos de RH em 2025
- Minas Summit 2025: inteligência artificial transforma o cenário corporativo em Belo Horizonte
- Gramado Summit 2025 reúne mais de 300 palestras e 500 expositores
- Conheça a História do RH no Brasil e no Mundo
Inteligência artificial e a força do pensamento humano

A terceira e última palestra que acompanhei foi com Guilherme de Bortoli, CEO da Orgânica Digital, empresa especializada em SEO, marketing de conteúdo e publicidade online.
Guilherme trouxe reflexões valiosas sobre os impactos da inteligência artificial e reforçou a importância de continuarmos pensando em SEO aliado à IA, especialmente em um cenário em que o volume de conteúdo gerado por máquinas cresce de forma exponencial.
Ele destacou uma frase que ficou marcada para mim: “Quem faz pensar, lidera o pensamento. A IA é uma máquina de replicação de padrões, mas a criatividade humana é a máquina que quebra padrões.”
Encerrando sua fala, deixou uma provocação que nos leva ao essencial: Qual é a história da sua marca?
Essa história vai muito além de um slogan ou de uma campanha publicitária. Ela é construída diariamente, nas interações com clientes, no cuidado com colaboradores, nas decisões estratégicas e até nas respostas que damos a desafios e crises.
É o conjunto dessas experiências que cria percepção, gera confiança e diferencia a empresa no mercado.
Quando bem trabalhada, essa narrativa se torna um ativo poderoso, capaz de atrair não apenas consumidores, mas também talentos e parceiros que compartilham dos mesmos valores.
No fundo, contar a história certa, e vivê-la na prática — é o que transforma o propósito em impacto real.
Cultura e estratégia: um papel essencial para o RH
Para mim, saí desse evento com uma certeza: a inteligência artificial já está profundamente inserida nos negócios, nas conversas e nas estratégias das empresas.
Mas, em meio a tanta tecnologia, o que realmente diferencia uma marca? O propósito, a cultura organizacional e, como bem trouxe Guilherme, a forma como essa história é contada.
É essa cultura que cria impacto real, não apenas no mercado, mas em todas as pessoas e relações ao redor da marca:
- colaboradores;
- clientes;
- parceiros;
- investidores.
E é aí que o RH pode (e deve) atuar como um agente estratégico e humano, ajudando a construir histórias autênticas e conectadas com a essência da organização.
Como sempre defendo (e com muito amor por esse tema), a cultura organizacional é o que de fato diferencia uma empresa das demais.
Ter uma visão clara que direciona a estratégia e saber quais valores são inegociáveis no dia a dia, no crescimento e na escala é o que sustenta decisões e posicionamentos.
Isso não é apenas discurso interno — é também um pitch de vendas, pois demonstra o impacto real da sua marca no mercado.
Empresas com cultura sólida vendem mais, se conectam melhor com o público e atraem talentos com muito mais facilidade.
RH como elo entre discurso e prática
E o que respinga no RH com tudo isso? Tudo. Nada disso se concretiza se não estiver claro internamente.
Se os colaboradores não entendem o propósito, não têm as habilidades necessárias, não conhecem as metas e nem sabem o que se espera deles, não há cultura que se sustente.
O RH é o elo entre o discurso e a prática, entre o que está no papel e o que se vive no dia a dia. Por isso, estratégia e cultura precisam andar juntas, com o RH como protagonista dessa entrega.
E quando falamos de habilidades, surge a pergunta: como estamos preparando nossos colaboradores para o futuro, que, aliás, já é presente?
Estamos incluindo temas como tecnologia, inovação e inteligência artificial nas nossas conversas? Ou ainda tratamos tudo isso com medo e insegurança?
Se queremos um time pronto para crescer junto com a empresa, precisamos também evoluir na forma como educamos, comunicamos e desenvolvemos as pessoas dentro da organização. Esse é o nosso papel. E a hora é agora.
Tecnologia com humanidade
No fim das contas, estratégia sem cultura é discurso vazio. E cultura sem pessoas preparadas, engajadas e alinhadas vira apenas uma frase bonita na parede.
O papel do RH é garantir que a cultura aconteça de verdade — nas conversas, nas decisões, nas lideranças e nas entregas. Isso exige coragem para provocar mudanças, abrir espaço para o novo e investir no desenvolvimento contínuo.
O que vi no evento reforça ainda mais essa visão: marcas com propósito forte, cultura clara e estratégia bem definida conseguem navegar melhor pelas transformações que a inteligência artificial está acelerando.
A IA já está aí, moldando o presente e transformando mercados — mas é o fator humano que diferencia, que conecta e que cria histórias com impacto real.
Estamos prontos para isso? O futuro já começou, e ele exige organizações capazes de equilibrar tecnologia com humanidade, propósito com prática e cultura com ação.
Que saibam usar a inteligência artificial como ferramenta, sem perder de vista o que nos torna verdadeiramente relevantes: nossa capacidade de pensar, sentir e transformar.
Do evento para a prática: próximos passos para líderes e RH
Participar do ACE Summit reforçou que não basta entender conceitos como propósito, cultura e inovação — é preciso transformá-los em ações consistentes.
Por isso, vale pensar em três movimentos estratégicos que líderes e profissionais de RH podem iniciar já:
- Traduzir o propósito em comportamentos diários – Transformar o propósito em atitudes diárias, por meio de rituais, treinamentos e práticas consistentes.
- Mapear e desenvolver habilidades para o futuro – Priorizar IA, pensamento crítico, comunicação e adaptabilidade em treinamentos e experiências práticas.
- Fortalecer a cultura como diferencial competitivo – Viver a cultura no dia a dia para gerar engajamento, inovação e vantagem competitiva.
O que aprendi no ACE Summit é que tecnologia e humanidade não estão em lados opostos. Pelo contrário: quando usadas juntas, criam um cenário poderoso para inovação e crescimento sustentável.
Cabe a nós, líderes e RH, sermos intencionais nesse equilíbrio, garantindo que a transformação digital venha acompanhada de transformação cultural.
