ChildFund Brasil atua há cerca de 60 anos na proteção de crianças, jovens e adolescentes e conduz iniciativas que incentivam o desenvolvimento integral e previnem o trabalho infantil
Entre os principais direitos de crianças e adolescentes, estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estão o brincar e o estudar.
Apesar de garantidos por lei, esses direitos ainda não são plenamente respeitados no Brasil. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), em 2023 havia 1,607 milhão de crianças e adolescentes de cinco a 17 anos em situação de trabalho infantil.
Desses, 586 mil estavam submetidos às piores formas — aquelas que oferecem riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral.
Para combater essa forma de exploração em todo o mundo, o dia 12 de junho foi instituído, em 2002, como o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.
A data também serve para lembrar que essa é uma das violações mais prejudiciais ao desenvolvimento pleno do ser humano.
Quando passam grande parte do dia trabalhando, crianças e adolescentes perdem a oportunidade de estudar, brincar e interagir com outros jovens.
A longo prazo, essa ausência de direitos fundamentais afeta diretamente as habilidades motoras, cognitivas, sociais e físicas.
“O impacto que um ano de trabalho na infância causa na vida do jovem é imenso, e as marcas podem perdurar até a vida adulta. A evasão escolar, a queda de rendimento, o cansaço mental e físico e a exclusão social são alguns dos impactos negativos, mas existem muitos outros. Quando os estudos são deixados de lado e o trabalho inicia logo cedo, o salário na vida adulta, consequentemente, será menor. Ao não se desenvolver da forma necessária, o futuro da criança e do adolescente também não será como poderia”, destaca Mauricio Cunha, diretor de país do ChildFund Brasil, organização que atua há cerca de 60 anos no desenvolvimento integral e na promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente no Brasil.
Falta de oportunidades
Uma das principais formas de combater o trabalho infantil é oferecer oportunidades de desenvolvimento.
Atividades no contraturno escolar, brincadeiras, esportes e rodas de conversa sobre temas como cidadania, política e saúde são caminhos importantes para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Essas ações contribuem para a construção da autonomia, autoestima, senso crítico e habilidades para a vida. Além disso, mantêm os jovens longe das ruas, do acesso precoce a telas e conteúdos nocivos, ou de trabalhos informais.
Em comunidades com altos índices de pobreza, muitas vezes crianças e adolescentes veem no trabalho uma forma de complementar a renda familiar e melhorar as condições de vida.
A ausência de acesso à escola em tempo integral, à proteção social e a atividades lúdicas fora do ambiente escolar facilita a entrada precoce no mundo do trabalho.
Frequentemente, esses jovens também assumem tarefas domésticas exaustivas e, com o tempo, a prática torna-se comum.
ONG oferece mecanismos de proteção
O ChildFund Brasil desenvolve programas voltados à primeira infância, adolescência, juventude e ao fortalecimento comunitário, combatendo o trabalho infantil ao atuar na raiz do problema.
Com presença em regiões de alta vulnerabilidade social, onde muitas famílias recorrem ao trabalho infantil como estratégia de sobrevivência, a organização conduz, junto a organizações sociais parceiras, atividades educativas, culturais e esportivas para diferentes faixas etárias.
Somente em 2024, mais de 30 mil crianças, jovens e adolescentes de zero a 24 anos participaram de projetos ligados à organização.
Os programas buscam fortalecer vínculos familiares, escolares e comunitários. Quando crianças e jovens participam dos projetos, a tendência é que não sejam submetidos ao trabalho infantil e tenham oportunidades de se desenvolver de forma plena.
“Nós lutamos para que as crianças, jovens e adolescentes tenham acesso pleno aos seus direitos, desde os mais simples, como alimentação e higiene, até o brincar, estudar e praticar esportes. Mas o enfrentamento ao trabalho infantil é uma responsabilidade coletiva. Quando a comunidade está engajada, ela se protege. E proteger é mais do que apenas evitar riscos: é criar oportunidades reais para que crianças e adolescentes possam sonhar criar seus próprios futuros, que é a base da nossa atuação”, reforça Mauricio.
No Crescendo com Você, voltado a crianças de zero a seis anos, as organizações que implementam o modelo visam garantir que o desenvolvimento de crianças de comunidades vulneráveis seja seguro e saudável.
Neste projeto, são oferecidas ferramentas para que a parentalidade positiva e um ambiente protegido sejam proporcionados.
Já no Eu Me Amo, Eu Me Cuido, para crianças e adolescentes entre sete a 14 anos, o modelo do programa tem o objetivo de proporcionar o bem-estar, promovendo o acesso a serviços e informações de saúde de qualidade e adequados à idade, por meio de rodas de conversa com educadores.
Há ainda programas para jovens e adolescentes de 15 a 24 anos, como o PACTO – Participação Cívica, Transformação e Oportunidades, que garante capacitações e desenvolvimento profissional para que atuem como agentes de mudança, influenciando positivamente o ambiente comunitário, político, social, familiar e econômico.
Sobre o ChildFund Brasil
Fundado em 1966, o ChildFund Brasil é uma organização com sede em Belo Horizonte (MG) que integra a rede internacional do ChildFund International, presente em mais de 70 países e responsável por impactar positivamente a vida de mais de 24,3 milhões de crianças e suas famílias.
No Brasil, a organização atua no desenvolvimento integral e na promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, especialmente em contextos de privação, exclusão e vulnerabilidade.
A atuação se estende a sete estados brasileiros — Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba e Piauí — com programas que, em 2024, alcançaram 1,3 milhão de pessoas.
Destas, mais de 189 mil foram impactadas diretamente, sendo 83 mil crianças, adolescentes e jovens beneficiados por projetos educativos, culturais, esportivos e de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.
O trabalho é viabilizado com o apoio de pessoas físicas, por meio do apadrinhamento de crianças e campanhas como o Guardião da Infância, além de parcerias com empresas, institutos e fundações.
Em reconhecimento à sua atuação, o ChildFund Brasil foi eleito uma das 25 melhores ONGs do país pela certificadora internacional The Dot Good em 2024 e já recebeu premiações como a de melhor ONG de assistência social do Brasil (2022) e melhor ONG para crianças e adolescentes em três edições do Prêmio Melhores ONGs (2018, 2019 e 2021).
