A edição 2026 do QS World University Rankings trouxe novidades importantes sobre as melhores universidades do mundo e acendeu um alerta para o ensino superior brasileiro: pela primeira vez em três anos, a Universidade de São Paulo (USP) ficou fora do top 100, caindo para a 108ª posição.
A queda de 16 colocações em relação ao ano anterior reflete a dificuldade do Brasil em acompanhar indicadores globais de internacionalização e impacto científico, mesmo mantendo desempenho positivo em sustentabilidade e empregabilidade.
O ranking, divulgado nesta quarta-feira (17), avaliou mais de 1.500 universidades de 106 países com base em nove indicadores, como reputação acadêmica, citações por docente, proporção de professores e estudantes internacionais, sustentabilidade, e resultados com empregadores.
Como está o Brasil entre as melhores universidades do mundo?
Apesar da queda da USP, o Brasil manteve 24 universidades classificadas entre as 1.500 melhores do mundo. Nenhuma delas está entre as 100 primeiras, e apenas três conseguiram subir de posição nesta edição.
A Unicamp, segunda mais bem posicionada do país, caiu uma colocação e figura agora em 233º lugar. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também recuou e aparece em 317º. Por outro lado, a UNESP e a PUC-Rio apresentaram leve avanço.
O desempenho fraco em internacionalização; tanto na proporção de docentes e discentes estrangeiros quanto em colaborações internacionais; e o impacto científico limitado, medido por citações por docente, foram apontados como principais causas para a estagnação brasileira.
A USP, por exemplo, ficou apenas na 467ª posição nesse último critério.
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Universidades brasileiras no ranking QS 2026
- 108ª posição: Universidade de São Paulo (USP)
- 233ª: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
- 317ª: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- 450ª: Universidade Estadual Paulista (UNESP)
- 571ª: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Outras 19 universidades brasileiras aparecem entre as faixas 595 e 1401+, com destaque para a Universidade Federal de Minas Gerais (595ª) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (691ª).
Nove universidades brasileiras caíram em relação ao ano anterior, enquanto 12 permaneceram na mesma faixa.
O que afeta o desempenho das universidades brasileiras?

Para Ben Sowter, vice-presidente sênior da QS, o desempenho limitado das universidades da América Latina tem relação direta com o baixo investimento em pesquisa, dificuldades para atrair talentos internacionais e desafios estruturais que limitam a visibilidade global das instituições.
Ele defende que o Brasil pode melhorar seu posicionamento com políticas de incentivo à mobilidade acadêmica, parcerias de pesquisa e investimentos direcionados.
“As universidades brasileiras, assim como a região latino-americana em geral, enfrentam desafios nesta edição, principalmente em áreas como pesquisa e atração de talentos globais. No entanto, há todas as possibilidades de reverter essa situação por meio de financiamento direcionado, incentivos à mobilidade internacional e parcerias de pesquisa”, afirmou Sowter.
Universidades latino-americanas no top 500
A Universidade de Buenos Aires (UBA), da Argentina, manteve sua posição de destaque como única representante latino-americana no top 100, ainda que tenha caído para o 84º lugar (antes, 71º).
A Pontifícia Universidade Católica do Chile (116ª) e a Universidade Autônoma do México (UNAM, 136ª) também figuram entre as melhores da região.
As 10 melhores universidades do mundo em 2026
- Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) – EUA
- Imperial College London – Reino Unido
- Universidade de Stanford – EUA
- Universidade de Oxford – Reino Unido
- Universidade de Harvard – EUA
- Universidade de Cambridge – Reino Unido
- ETH Zurich – Suíça
- Universidade Nacional de Singapura (NUS) – Singapura
- University College London (UCL) – Reino Unido
- Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) – EUA
O topo da lista segue dominado por instituições americanas e britânicas. O MIT lidera pela 14ª vez consecutiva, reforçando seu papel como referência global em inovação, ciência e tecnologia.
Internacionalização e sustentabilidade ganham peso no ranking
Desde 2024, o QS Rankings passou a incluir novos indicadores de impacto social e ambiental, como sustentabilidade e colaborações internacionais.
Nesse aspecto, a USP teve bom desempenho, mantendo posição relevante em sustentabilidade.
No entanto, o critério de internacionalização ainda é um ponto crítico: a baixa presença de docentes estrangeiros e a dificuldade de atração de alunos internacionais contribuem para o rebaixamento.
Impacto para o futuro do ensino superior brasileiro

A exclusão da USP do top 100 simboliza uma tendência preocupante: a falta de competitividade internacional de instituições brasileiras em áreas consideradas estratégicas.
A ausência de investimentos consistentes em educação superior, aliados a cortes em bolsas e programas de pesquisa, impactam diretamente a capacidade de inovação e produção científica.
Especialistas em educação alertam que o ensino superior brasileiro precisa se reinventar para atender às demandas globais.
Isso inclui desde políticas públicas que incentivem a permanência de pesquisadores, até estratégias institucionais de internacionalização e fortalecimento da relação com o mercado de trabalho.
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A edição de 2026 do QS World University Rankings reforça a necessidade de uma agenda estratégica e integrada para valorizar o potencial acadêmico e científico do Brasil.
Enquanto o mundo avança em internacionalização, sustentabilidade e pesquisa de ponta, o ensino superior brasileiro ainda enfrenta entraves estruturais que limitam seu protagonismo global entre as melhores universidades do mundo.
