Ministro do Trabalho propõe adiamento da vigência da NR-1 sobre os riscos psicossociais

A atualização da NR-1, introduzida pela Portaria 1.419/24 do MTE, estabelece novas obrigações para empregadores, incluindo a avaliação e gestão de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
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riscos psicossociais

Nesta segunda-feira (14), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, sinalizou a intenção de adiar a entrada em vigor da NR-1 por um ano. 

A informação foi anunciada em reunião com representantes das centrais sindicais, confederações empresariais e federações das indústrias. 

O foco do adiamento é o capítulo 1.5, que trata do gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

A medida, que amplia o prazo inicialmente previsto para 26 de maio de 2025, visa proporcionar uma transição mais segura para as empresas e para os trabalhadores na implementação das novas exigências relacionadas à saúde mental no ambiente corporativo.

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O que muda com o adiamento da NR-1?

A proposta de adiamento surge em meio a intensos debates desde agosto de 2024, quando o Governo passou a incluir de forma expressa os riscos psicossociais no escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

De acordo com as discussões, a mudança visa atender ao forte movimento dos empregadores, que vêm questionando a capacidade de adaptação das empresas às novas exigências sem que haja tempo suficiente para ajustes operacionais e culturais.

O adiamento prorroga a vigência da norma por um ano, permitindo que as organizações implementem as medidas de forma estruturada e sem impactos bruscos na rotina. 

Além disso, a medida vem acompanhada de uma série de ações de apoio, como a publicação de um guia oficial para a gestão desses riscos e o lançamento, em 90 dias, de um manual técnico mais detalhado sobre o tema.

Gerenciamento dos riscos psicossociais

O capítulo 1.5 da NR-1 é um marco na modernização da legislação trabalhista brasileira, pois inclui explicitamente a necessidade de identificar, registrar e monitorar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

Entre os riscos contemplados estão o estresse ocupacional crônico, a síndrome de Burnout, o assédio moral, a carga mental excessiva, o isolamento no ambiente laboral e a pressão decorrente da hiperconectividade.

Antes frequentemente negligenciados pelas organizações, esses fatores agora fazem parte do rol de riscos ocupacionais, estabelecendo uma responsabilidade ampliada para os empregadores. 

A nova redação da norma reforça a interligação entre o PGR e a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), que abrange transtornos como depressão e ansiedade.

Para muitos especialistas, essa atualização representa um passo essencial para a proteção da saúde mental dos trabalhadores, embora gere preocupação em setores que ainda não estão totalmente preparados para essa transformação.

Guia e manual: as novas diretrizes para a gestão dos riscos psicossociais

Além da proposta de adiamento, o Governo anunciou medidas complementares com o objetivo de facilitar a adaptação das empresas:

  • Guia Oficial para a Gestão dos Riscos Psicossociais: Publicado recentemente, esse documento reúne diretrizes e orientações para que as organizações possam identificar e mitigar os fatores de risco. Entre as recomendações estão a reorganização do trabalho, a promoção de um ambiente saudável e a criação de canais de escuta ativa para os colaboradores.
  • Manual Técnico Detalhado: Previsto para ser lançado em 90 dias, esse manual trará informações mais aprofundadas e práticas sobre como implementar as exigências da NR-1. O intuito é que, com mais clareza técnica, as empresas possam desenvolver planos de ação mais efetivos.
  • Grupo de Trabalho Tripartite (GTT): O Governo deve criar, em breve, um GTT formado por representantes do ministério, de empresas e dos trabalhadores. Esse grupo terá a missão de acompanhar a implementação da norma, oferecer suporte técnico e realizar ajustes conforme a experiência prática das organizações.

Essas iniciativas demonstram que o adiamento não é apenas um adiamento formal, mas parte de uma estratégia maior de apoio à modernização das práticas de saúde e segurança no trabalho.

Forte movimento dos empregadores

Desde que o Governo incluiu os riscos psicossociais na NR-1, tem-se observado um forte movimento por parte dos empregadores em favor da prorrogação do prazo. 

Em diversos vídeos que circulam nas redes sociais, destacam que a nova exigência traz desafios operacionais significativos. 

Para esses representantes, o adiamento é fundamental para que as empresas possam se preparar adequadamente e implementar o gerenciamento dos riscos sem comprometer a continuidade dos negócios.

A preocupação dos empregadores está ligada à complexidade de adaptar as práticas internas — muitos deles afirmam que a inclusão dos riscos psicossociais no PGR exige uma revisão completa dos processos, treinamento e capacitação das equipes e, em alguns casos, investimentos significativos na reestruturação do ambiente de trabalho.

Repercussões sindicais e das centrais de trabalhadores

Enquanto o movimento dos empregadores tende a buscar o adiamento para garantir tempo de adaptação, representantes das centrais sindicais ainda resistem à prorrogação. 

Para muitos sindicalistas, a medida pode comprometer os direitos dos trabalhadores ao atrasar a plena implementação de normas que visam proteger a saúde mental.

Em reuniões e pronunciamentos, líderes sindicais afirmam que os trabalhadores devem ter a certeza de que as condições de trabalho estão sendo melhoradas de fato. 

Qualquer adiamento precisa ser acompanhado por ações concretas e monitoradas de perto, para que a proteção não seja prejudicada. 

Segundo esses representantes, é necessário um equilíbrio que assegure a transição, sem que os riscos psicossociais sejam relegados a segundo plano.

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Impactos na cultura organizacional e na saúde mental dos trabalhadores

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Os riscos psicossociais estão diretamente ligados à forma como as empresas organizam o trabalho e gerenciam sua equipe. Com a inclusão desses riscos na NR-1, a cultura organizacional terá que se transformar de maneira profunda. 

Organizações que, até então, negligenciavam fatores como estresse e assédio moral terão que desenvolver medidas efetivas de prevenção e suporte, promovendo um ambiente onde o bem-estar mental seja prioridade.

Essa mudança de paradigma implica, por exemplo, a criação de programas de saúde mental, a oferta de capacitações que abordem o gerenciamento do estresse e o estabelecimento de canais confidenciais para denúncias e apoio psicológico. 

A expectativa é que as empresas não só cumpram as exigências legais, mas também se tornem ambientes de trabalho mais humanos e sustentáveis.

Especialistas apontam que, para que a norma produza os efeitos desejados, é fundamental que haja um compromisso real das organizações com a mudança. Isso significa investir em treinamento, consultoria e, principalmente, cultura. A transformação não pode ser apenas burocrática — tem que impactar a forma como as pessoas se relacionam e se sentem no trabalho.

Diretrizes para as empresas: o que as organizações devem fazer

Com a prorrogação da NR-1 e a publicação do guia oficial para os riscos psicossociais, as empresas têm um prazo maior para se adequar às novas exigências. 

Porém, esse tempo extra precisa ser bem aproveitado. Algumas das ações que podem ser implementadas imediatamente incluem:

  • Reorganização do Trabalho: Rever processos internos para reduzir a sobrecarga de tarefas e garantir melhores condições para os colaboradores. Isso pode envolver a implementação de jornadas flexíveis, pausas estratégicas e práticas que ajudem a equilibrar a carga mental.
  • Promoção de um Ambiente Saudável: Incentivar boas relações interpessoais e a comunicação aberta entre os membros da equipe. Investir em programas de bem-estar que integrem atividades físicas, apoio psicológico e momentos de descontração pode reduzir os níveis de estresse.
  • Criação de Canais de Escuta Ativa: Estabelecer meios seguros para que os trabalhadores possam relatar situações de conflito, assédio ou qualquer outro fator que contribua para o adoecimento mental. Esses canais devem ser geridos de forma transparente e com a garantia de confidencialidade.
  • Capacitação e Treinamento: Oferecer formação contínua voltada para o gerenciamento dos riscos psicossociais, abrangendo temas como comunicação assertiva, inteligência emocional, técnicas de relaxamento e resolução de conflitos.
  • Apoio Psicológico Institucionalizado: Disponibilizar serviços de suporte emocional, seja por meio de convênios com clínicas especializadas ou por meio de equipes internas de psicologia e coaching. Esse apoio é fundamental para ajudar os colaboradores a lidar com a pressão do dia a dia.
  • Monitoramento Contínuo: Implantar sistemas e métricas que permitam a avaliação constante dos riscos psicossociais. Com isso, a empresa pode ajustar suas práticas conforme a evolução das condições de trabalho e os feedbacks dos colaboradores.

Aspectos legislativos e desafios

nova lei de saúde mental

Paralelamente à proposta do Executivo, tramita na Câmara dos Deputados o PL 4.479/24, que propõe tornar obrigatória a promoção da saúde mental no trabalho para empresas com mais de 50 funcionários.

Entre as medidas previstas estão sessões psicológicas gratuitas mensais, campanhas de conscientização e a obrigatoriedade de treinamento dos gestores. 

Essa iniciativa reforça a crescente importância dos riscos psicossociais e a necessidade de uma mudança cultural profunda nas organizações.

As empresas, nesse cenário, precisam entender que o adiamento da NR-1 não adianta as transformações inevitáveis no campo da saúde e segurança do trabalho. 

A nova norma amplia a responsabilidade dos empregadores, integrando a saúde mental ao conjunto dos riscos ocupacionais. 

Assim, os próximos anos serão decisivos para quem quiser se destacar no mercado: ajustar processos, repensar a cultura e, principalmente, valorizar o capital humano.

O que outras empresas podem aprender com essa medida?

A proposta de adiamento sinaliza uma mudança importante na forma de gerir riscos psicossociais. 

Ao conceder um prazo adicional, o governo abre espaço para que as organizações se reorganizem, sem que a implementação da norma ocorra de forma abrupta e prejudique a operação. 

Essa prorrogação deve ser vista como uma oportunidade para repensar práticas internas, investir em treinamento e ajustar a cultura organizacional.

Para os gestores de RH, essa é uma chance de colocar em dia políticas de bem-estar e de integrar ações que, além de cumprir a legislação, promovam a saúde mental dos colaboradores. 

A criação do Grupo de Trabalho Tripartite (GTT) e o lançamento do manual detalhado são iniciativas que prometem oferecer o suporte necessário para transformar a rigidez da norma em um diferencial competitivo.

A medida, porém, não é unânime. 

Enquanto muitos empregadores celebram a ampliação do prazo, representantes sindicais já se manifestaram contrários, alertando para os riscos de um adiamento que pode postergar a melhoria das condições de trabalho. 

Assim, a discussão sobre os riscos psicossociais permanece acesa, envolvendo diversos setores da sociedade — dos órgãos públicos às empresas privadas, passando pelo setor de saúde e pelos próprios trabalhadores.

Impactos na saúde mental e na produtividade

A implementação dos riscos psicossociais na NR-1 vem em um momento em que os números de afastamentos por transtornos mentais atingem níveis alarmantes. 

Dados da Previdência Social indicam que, somente em 2024, mais de 470 mil trabalhadores foram afastados por problemas relacionados à saúde mental — o maior índice registrado na última década. 

Esse cenário impõe um desafio às empresas: como criar ambientes que previnam o adoecimento e promovam a qualidade de vida, sem comprometer a qualidade e produtividade?

A resposta passa pela integração de práticas que valorizem o bem-estar. Investir em programas de apoio psicológico, flexibilizar a jornada e rever a cobrança por resultados são medidas que podem, a longo prazo, reduzir os índices de adoecimento e tornar a organização mais saudável e eficiente.

Especialistas ressaltam que, ao integrar ações voltadas para a saúde mental nos processos do PGR, as empresas podem identificar e mitigar fatores de risco de forma proativa. 

Esse monitoramento contínuo ajuda não só a evitar afastamentos, mas também a criar uma cultura que valorize o equilíbrio entre vida pessoal e profissional — um dos pilares da sustentabilidade organizacional.

Oportunidades para o futuro

ergonomia no trabalho

A decisão de adiar a vigência da NR-1, especialmente no que diz respeito ao gerenciamento dos riscos psicossociais, marca uma virada importante na agenda trabalhista. 

Por um lado, o adiamento proporciona o tempo necessário para que as empresas se adaptem, revisem seus processos e implementem as mudanças de maneira organizada. 

Por outro, reforça a urgência de enfrentar um dos maiores desafios do ambiente corporativo atual: garantir a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores.

Para o RH, a mensagem é clara: esse é o momento para investir em práticas que promovam uma transformação real na cultura organizacional. 

Integrar políticas de prevenção, oferecer apoio psicológico e criar canais de escuta ativa são medidas indispensáveis para transformar a obrigação legal em uma vantagem competitiva.

Enquanto o debate avança no âmbito legislativo e sindical, uma coisa fica evidente: os riscos psicossociais deixaram de ser uma preocupação distante para se tornarem uma exigência imediata. 

Empresas que entenderem essa mudança e se prepararem para ela estarão não apenas atendendo à legislação, mas também abrindo caminho para ambientes de trabalho mais humanos e produtivos.

O futuro da gestão de pessoas passa justamente por essa integração, onde a responsabilidade social e a eficiência operacional caminham lado a lado para construir um mercado de trabalho mais sustentável e inclusivo.

Especialista em Gestão Comportamental, facilitadora e responsavel pela Formação Analista Comportamental Profiler na Sólides

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