PL do Pai Presente propõe nova regra para empresas

O PL do Pai Presente propõe ampliar a licença-paternidade para até 60 dias, com custeio pelo Estado. A medida pode influenciar o clima organizacional, engajamento e retenção nas empresas. 
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PL do pai presente

A proposta do Projeto de Lei do Pai Presente, que visa ampliar a licença-paternidade para até 60 dias e criar o salário-paternidade, representa uma oportunidade estratégica para o mundo corporativo. 

Atualmente, a licença-paternidade no Brasil é de apenas cinco dias. No entanto, empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã podem estender esse período para até 20 dias.

Apesar do modelo atual, a ampliação da licença-paternidade, conforme proposto pelo Projeto de Lei do Pai Presente, tem o potencial de gerar diversos benefícios para as organizações.

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Ganhos em produtividade e engajamento

Empresas que oferecem políticas parentais ampliadas, incluindo uma licença-paternidade mais longa, tendem a observar maior moral entre os funcionários (82%) e ganhos em produtividade (71%), conforme dados da EY. 

Quando um pai tem a oportunidade de se envolver mais ativamente nos cuidados iniciais do filho, ele se sente mais valorizado e apoiado pela empresa, o que se traduz em um maior engajamento e dedicação ao trabalho. 

O bem-estar do colaborador, especialmente em momentos cruciais como o nascimento ou adoção de um filho, reforça o compromisso da empresa com a qualidade de vida, impactando positivamente a performance.

Leia também: Felicidade interna bruta: o bem-estar como nova vantagem competitiva na gestão de pessoas

Saúde emocional e liderança empática

liderança e estratégia

A presença do pai no puerpério é crucial não apenas para o bebê e a mãe, mas também para o próprio pai. 

Ao participar ativamente da criação dos filhos desde o início, os homens tendem a desenvolver uma liderança mais empática, ética e sensível, especialmente em relação às mulheres. 

Essa transformação na liderança pode levar a um ambiente de trabalho mais humano e compreensivo, beneficiando a cultura organizacional como um todo. 

A saúde emocional dos colaboradores é um ativo valioso, e a licença-paternidade estendida contribui para um maior equilíbrio e bem-estar de todos.

Retenção de talentos e reputação institucional

Pesquisas indicam que a licença-paternidade estendida é um fator decisivo na atração e retenção de talentos. 

O relatório “State of the World’s Fathers 2023” aponta que 45% dos homens considerariam trocar de emprego por mais tempo de licença. 

Empresas que se antecipam e oferecem licenças maiores, como o Grupo Boticário (120 dias) e a Diageo (180 dias), demonstram um diferencial competitivo no mercado. 

Além disso, a adoção de políticas parentais progressistas fortalece a reputação institucional da empresa, mostrando seu compromisso com a diversidade, inclusão e bem-estar de seus colaboradores. 

Isso pode gerar uma menor rotatividade (71%) de funcionários e ganhos em lucratividade (61%).

Mais equidade de gênero

A licença-paternidade estendida não beneficia apenas os pais, mas também as mães, contribuindo significativamente para a equidade de gênero no mercado de trabalho. 

Além disso, a presença do parceiro no pós-parto impacta diretamente na amamentação, no suporte emocional e na prevenção da depressão pós-parto da mulher. 

Ao envolver os homens desde o início nos cuidados com os filhos, cria-se uma cultura de cuidado mais equilibrada, o que pode levar a uma divisão mais justa das tarefas domésticas e familiares a longo prazo. 

Essa mudança cultural é fundamental para que a responsabilidade pelo cuidado não recaia apenas sobre as mulheres, promovendo uma verdadeira igualdade de oportunidades no ambiente profissional.

Investimento com retorno garantido

Embora a ampliação da licença-paternidade possa parecer, à primeira vista, um custo adicional para as empresas, o PL do Pai Presente propõe que o custeio da licença seja responsabilidade do Estado — assim como já ocorre com a licença-maternidade. 

Dessa forma, evita-se um impacto direto nas folhas de pagamento.

Além disso, o investimento em políticas de parentalidade tem um retorno comprovado a longo prazo. 

O Nobel James Heckman estima que cada US$ 1 investido na primeira infância pode retornar até US$ 7, e a OCDE projeta que o apoio à parentalidade pode elevar o PIB per capita em até 20%. 

Para as empresas, o Programa Empresa Cidadã, por exemplo, já permite deduzir integralmente no Imposto de Renda os valores pagos aos colaboradores em licença, para empresas com tributação no lucro real.

Oportunidade para as empresas liderarem a Virada Cultural

Mesmo antes da aprovação do PL, as empresas podem assumir um papel protagonista ao não apenas oferecer o benefício da licença estendida, mas também ao incentivar e dar o exemplo. 

Quando líderes e gestores tiram suas licenças e retornam engajados, isso estimula os demais colaboradores a fazerem o mesmo. 

O apoio do setor privado à medida, como a carta aberta lançada pela CoPai, demonstra ao Congresso que o mercado está maduro e alinhado com a proposta.

Em síntese, o PL do Pai Presente não é apenas uma pauta social, mas uma escolha estratégica que impulsiona performance, bem-estar e reputação institucional. 

Em um cenário de baixa natalidade, altos índices de burnout e crescente demanda por ambientes de trabalho mais humanos, a ampliação da licença-paternidade surge como uma resposta concreta e moderna.

É uma oportunidade para as empresas que desejam liderar o futuro, promovendo ganhos em clima organizacional, produtividade e lealdade dos colaboradores.

Publicitária e Analista de Conteúdo com formação em redação jornalística, especialista em análise de tendências de RH, carreiras e comportamento organizacional. Crio conteúdos estratégicos, baseados em dados e insights de especialistas, para auxiliar gestores na tomada de decisões em gestão de pessoas.

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