Compliance trabalhista: O que é, pilares, estrutura e como fazer

Entenda o que significa compliance trabalhista, seus principais pilares e como você pode aplicar nas organizações.
12 min. de leitura
Compliance trabalhista: O que é, pilares, estrutura e como fazer

Num mundo cada vez mais globalizado em que as práticas de profissionalização e de governança corporativa se tornam pré-requisitos de idoneidade, especialmente para garantir o potencial de segurança das empresas, o Compliance trabalhista, surge como uma ferramenta poderosa de integração de boas práticas corporativas com impactos em toda a organização.

No Brasil, esta concepção ganhou destaque com a Lei de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/98) e com a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2014) que permite a responsabilização criminal, civil e administrativa de seus dirigentes pela prática atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

Navegue pelo conteúdo

O que é Compliance no Trabalho?

Compliance trabalhista é uma área de Compliance que se concentra na conformidade com as leis e regulamentos trabalhistas.

Envolve a adoção de políticas, procedimentos e práticas que garantam que uma empresa esteja conforme as leis trabalhistas aplicáveis, tanto nacionalmente quanto internacionalmente, dependendo da operação da empresa.

O objetivo do compliance trabalhista é evitar violações das leis trabalhistas, proteger os direitos dos funcionários e promover um ambiente de trabalho justo e seguro. Isso inclui o cumprimento de leis relacionadas a:

  • Salários e benefícios;
  • Horas de trabalho;
  • Saúde e segurança ocupacional;
  • Discriminação;
  • Assédio;
  • Relações sindicais, entre outros aspectos do direito do trabalho.

Além do Compliance genérico, desenvolvido a partir dos critérios da Governança Corporativa e da Lei Anticorrupção, que está mais ligado à esfera da Administração Pública.

O Compliance Trabalhista também vem ganhando visibilidade exatamente por tangibilizar um ativo que muitas vezes passa despercebido pela maioria das empresas: a gestão do Direito Coletivo e Individual do Trabalho, pela Gestão dos Recursos Humanos e pelo auxílio na tomada de decisões dos dirigentes.

Quais são os 9 pilares do compliance trabalhista?

O compliance trabalhista é moldado por nove pilares básicos, que visam perpetuar o programa, solidificando e trazendo efetividade a ele.

São eles:

  • Suporte da Alta Administração;
  • Avaliação de Riscos;
  • Código de Conduta, Regulamento Interno e Políticas das Empresas;
  • Controles Internos;
  • Treinamentos;
  • Canais de Denúncia;
  • Investigações internas;
  • Due Dilligence;
  • Auditoria e Monitoramento.

Vejamos então, cada um isoladamente e suas características e particularidades.

1. Suporte da alta administração na aplicação do Compliance Trabalhista:

Em primeiro lugar, para que qualquer programa implementado dentro de uma empresa funcione, todos devem segui-lo, principalmente os diretores da empresa.

Já que eles são a representação da cultura da empresa, devem servir de exemplo a todos.

Desse modo, a alta administração deve apoiar e se envolver no planejamento e execução de todas as ações.

E para isso, é necessário um profissional especializado na prática de compliance, pois ele será o responsável por implantar o projeto desde o início.

2. Avaliação de riscos:

Uma vez que as metas a serem atingidas foram definidas, é hora de mapear os riscos internos e externos aos quais a empresa possa estar exposta.

Com métodos e técnicas apropriadas e sempre considerando as leis e as normas internas da organização, é possível prever os obstáculos de forma a evitá-los criando soluções estratégicas.

Essa etapa extremamente importante também é conhecida como CRA (Compliance Risk Assessment).

Ela é considerada tão importante porque é a etapa onde todos os riscos potenciais serão levantados e os possíveis impactos serão traçados.

3. Código de conduta, Regulamento interno e Políticas das Empresas:

O código de conduta de uma empresa é o material que traz todas as políticas internas que a organização vê como essencial e serve como guia para o cumprimento do programa de compliance.

Seu propósito é não apenas se manter dentro das leis, mas também, mas garantir integridade da cultura organizacional e valorizar os comportamentos éticos.

4. Controles Internos:

São mecanismos criados pela empresa para garantir o controle dos riscos internos e externos, de forma que sejam minimizados.

Utilizar os registros contábeis e financeiros são uma opção para mostrar a transparência real dos negócios.

Seu propósito é reduzir os riscos anteriormente levantados, em contrapartida, se utilizados de forma incorreta podem interferir nas atividades que sustentam a empresa.

5. Treinamentos:

Treinar e capacitar periodicamente de forma adequada todos os funcionários, tendo como base os padrões estabelecidos, valores e procedimentos internos adotados, deve ser prioridade.

Assim, os colaboradores entendem exatamente seus objetivos, regras e papéis individuais.

Dessa forma, a cultura ética da empresa é disseminada de forma natural e o trabalho de cada colaborador é moldado pelos conceitos e princípios adotados.

Saiba mais: entenda como impulsionar as equipes da sua organização, através de uma gestão eficiente para motivar, desenvolver e engajar os colaboradores.

Clique aqui e faça o curso da Escola de Pessoas.

6. Canais de Denúncia:

A empresa deve garantir que seus funcionários tenham meios para denunciar qualquer possível violação ao código de conduta.

A empresa deve garantir que seus funcionários tenham meios para denunciar qualquer possível violação ao código de conduta, de forma segura e anônima.

Podem ser eles e-mails, telefones ou qualquer outro meio de comunicação.

Isso garante a consciência sobre a importância do compliance e sua aplicação.

7. Investigações Internas:

Ao aplicar o pilar anterior, pode ser que comece a acontecer denúncias de práticas indevidas, investigações internas devem ser instauradas.

Cabe a empresa investigar todo e qualquer indício de comportamento ilícito ou antiético apontado nos canais de denúncia.

Cabe a ela também posteriormente tomar as medidas cabíveis para suas correções e se necessárias, punições.

8. Due Dilligence:

Também chamada de Diligência Prévia, o programa de compliance não pode e nem deve ficar restrito somente ao quadro interno da empresa.

Todos os fornecedores, distribuidores, representantes e parceiros devem ser submetidos a uma rigorosa diligência prévia.

Por fim, antes de firmar a relação contratual, é importante avaliar o histórico e evitar que a empresa se coloque em situações de riscos legais.

9. Auditoria e Monitoramento do Compliance Trabalhista:

O último, porém, não menos importante pilar é a conferência da aplicação dos demais pilares.

Após implementar o programa de compliance na organização, é preciso saber se ele de fato funcionou.

Portanto, a forma de realizar essa conferência é monitorando de perto regularmente e realizando auditorias periódicas, que devem ser contínuas.

Estruturação de um programa de compliance trabalhista

A estruturação de um programa de Compliance Trabalhista requer o engajamento e vontade dos dirigentes da empresa para proporcionar uma organização completamente conforme com a legislação nacional e eventualmente internacional.

Dependendo da operação desta empresa, mas, acima de tudo, é uma ferramenta que garante que os fluxos dos funcionários e da gestão interna dos Recursos Humanos e Societários sejam de tal forma que blindam a empresa em eventuais passivos trabalhistas futuros.

Ou seja, o engajamento dos dirigentes faz com que o programa preventivo seja criado, padronizado e ramificado para todas as áreas da empresa.

Sua aplicação acontece da seguinte maneira:

  1. É realizada uma análise do objetivo social para correto enquadramento sindical e normas coletivas;
  2. Realização da micro e macro gestão de Recursos Humanos e por meio dos procedimentos técnicos na gestão dos funcionários.
  3. Chegando finalmente à Gestão Corporativa com os dirigentes e na assessoria do dia a dia nas condutas e na tomada de decisões na empresa, com reflexos trabalhistas e financeiros de uma maneira geral.

Leia também:

Como fazer um compliance trabalhista?

Como fazer um compliance trabalhista? é necessário seguir algumas etapas importantes.

Para aplicar o compliance trabalhista em uma empresa, é necessário seguir algumas etapas importantes. Aqui estão algumas orientações gerais:

Conheça as leis trabalhistas: Familiarize-se com as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis ao seu país e setor. Isso inclui leis relacionadas a salários, horas de trabalho, saúde e segurança ocupacional, relações sindicais, discriminação, entre outros.

Avalie o ambiente atual: Faça uma análise interna para identificar possíveis áreas de não conformidade ou riscos trabalhistas. Isso pode envolver revisar políticas existentes, contratos de trabalho, práticas de recrutamento e seleção, entre outros.

Desenvolva políticas e procedimentos: Crie políticas e procedimentos claros que abordem as leis trabalhistas relevantes. Isso pode incluir políticas de igualdade de oportunidades, prevenção de assédio, gestão de horas extras, entre outras.

Treine os funcionários: Realize treinamentos regulares para garantir que os funcionários estejam cientes das políticas e práticas trabalhistas da empresa. Isso pode incluir treinamentos sobre direitos e responsabilidades, prevenção de assédio, segurança no trabalho, entre outros.

Estabeleça canais de denúncia: Crie um sistema de denúncias confidencial e acessível para que os funcionários possam relatar violações ou preocupações relacionadas às leis trabalhistas. Além disso, é importante tratar as denúncias corretamente e que não haja retaliação contra os denunciantes.

Monitore e audite: Realize auditorias internas regulares para verificar a conformidade com as políticas e procedimentos trabalhistas. Monitore também as práticas de gestão de contratos de trabalho, folhas de pagamento, horas trabalhadas, entre outros aspectos relevantes.

Aja corretivamente: Em caso de violações ou não conformidades, tome medidas corretivas apropriadas. Isso pode envolver:

  • Ações disciplinares;
  • Revisão de políticas ou procedimentos;
  • Treinamentos adicionais, entre outras ações necessárias para garantir a conformidade.

Mantenha-se atualizado: esteja atento às mudanças nas leis trabalhistas e faça as atualizações necessárias em suas políticas e práticas. Mantenha-se informado sobre as melhores práticas e tendências na área de compliance trabalhista.

O que é ser demitido por compliance?

O que é ser demitido por compliance? Ser demitido por compliance significa que um funcionário foi dispensado de seu emprego devido a violações das políticas de conformidade ou por não cumprir os requisitos legais ou regulatórios estabelecidos pela empresa.

Ser demitido por compliance significa que um funcionário foi dispensado de seu emprego devido a violações das políticas de conformidade ou por não cumprir os requisitos legais, ou regulatórios estabelecidos pela empresa.

Essas violações podem incluir:

  • Condutas antiéticas;
  • Comportamento inadequado, não conformidade com as leis trabalhistas;
  • Práticas de corrupção, entre outros.

Quando um funcionário é demitido por compliance, geralmente significa que a empresa levou a sério a importância da conformidade e tomou medidas para garantir que as regras e regulamentos sejam seguidos.

A demissão por compliance é uma ação disciplinar que visa proteger a integridade da empresa, manter um ambiente de trabalho ético e garantir a conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis.

Como transformar profissionais em agentes de Compliance?

Não há ninguém melhor do que os funcionários para disseminar a Cultura de Integridade em uma empresa. No entanto, é preciso que, antes, todos consigam entender do que se trata na prática. Por isso, os treinamentos e a comunicação adequada são fundamentais para que o Compliance funcione.

Assim, a reação em cadeia é certa: os próprios colaboradores se colocarão como agentes de Compliance ao cobrarem dos colegas uma conduta ética, transparente e responsável.

“As empresas são formadas por pessoas e são elas que fazem o certo ou o errado”, lembra Giovanini, que é um dos fundadores da tríade de empresas Contato Seguro, Compliance Total e Compliance Station, com sede em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

De acordo com o especialista, basta fazer com que os profissionais enxerguem soluções para problemas que eles mesmos enfrentam em suas rotinas, como:

  • Exposição a condições humilhantes;
  • Exigência de metas inatingíveis;
  • Desrespeito, ofensas públicas;
  • Sobrecarga de trabalho.

Se, ao explicar as medidas de Compliance, os cenários apresentados forem familiares para os funcionários, mais facilmente eles conseguirão entender a importância do Programa de Integridade, que impacta diretamente na sua saúde e desempenho profissional.

Para tanto, é preciso citar situações próximas à sua realidade para que eles consigam se enxergar nas transformações que virão pela frente. Só assim – apontando e validando os benefícios do Compliance – será possível criar uma atmosfera de confiança e de credibilidade no ambiente interno.

Conclusão

Portanto, após entendermos o conceito de compliance trabalhista, fica claro que a empresa deva estabelecer códigos de conduta e ética de funcionários.

Além disso, é essencial a criação de mecanismos de denúncias para que os colaboradores possam utilizar e se sentirem à vontade para se queixar antes de tomar uma medida como o pedido de demissão ou a propositura de uma reclamatória trabalhista, por exemplo.

A área de Compliance Trabalhista do Küster Machado interage com os critérios internos da empresa, cumprindo regras claras e objetivas no momento de estabelecer os Direitos Coletivos e Individuais por meio dos contratos de trabalho.

Pela micro e macro gestão dos Recursos Humanos de maneira a criar condições para que as práticas dos funcionários sejam devidamente armazenadas e controladas.

Assim, isto garante respaldo para a empresa em eventual ajuizamento de ações trabalhistas, e assessoria aos dirigentes na tomada de decisões do ponto de vista gerencial, estratégico e societário. Já KYC e KYE interagem com critérios relacionados aos indivíduos, ao melhor recrutamento e seleção.

Além disso, ao estabelecimento de códigos de condutas que evitem o descompasso da contratação e do desempenho dos funcionários no resultado final da empresa.

Por fim, ambos os casos têm relevância e impacto para a Governança Corporativa eis que auxiliam na entrega de resultados melhores para a empresa, deixam as regras mais claras e proporcionam a conformidade com a legislação vigente.

Camila Rocha, é uma profissional experiente em publicidade. Com formação pela Fumec, ela coordena atualmente a BU de Educação na Sólides Tecnologia, onde trabalha há 6 anos. Sua expertise em liderança e estratégias de educação corporativa tem sido fundamental para impulsionar o crescimento e o desenvolvimento dos colaboradores.

Justiça reconhece mensagens fora do horário de trabalho como horas extras

Carta retorno ao trabalho após afastamento por doença: quem tem direito e o que determina a CLT?

Quantas folgas o trabalhador tem direito no mês segundo a CLT?

A empresa pode monitorar WhatsApp pessoal de funcionário?

Lei que proíbe trabalhar no frio: entenda os direitos e os limites

Toda semana, no seu email

Um compilado do que realmente importa no universo de gestão de pessoas.

Conteúdos relacionados:

A LGPD garante aos colaboradores direitos como acesso, correção, exclusão e
Entenda o que são essas verbas e veja passos indispensáveis para
Neste artigo, exploraremos a trajetória das mulheres no mercado de trabalho,

Últimas notícias:

O termo LinkeDisney ironiza a visão de que a carreira dos
O Prêmio Reclame Aqui é o maior reconhecimento de reputação e
O ChatGPT se tornou uma ferramenta popular, presente no dia a

As notícias e conteúdos que realmente importam para sua gestão, toda quarta-feira no seu e-mail!

Fique por dentro do que realmente importa!

Toda quarta-feira, a Newsletter do RH Portal traz as principais notícias e tendências do universo de gestão de pessoas, além de conteúdos dinâmicos para manter você sempre atualizado.

Fique por dentro do que realmente importa!

Toda quarta-feira, a Newsletter do RH Portal traz as principais notícias e tendências do universo de gestão de pessoas, além de conteúdos dinâmicos para manter você sempre atualizado.