Nesta semana, de 10 a 12 de junho, o Transamerica Expo Center em São Paulo é o palco do Febraban Tech 2025.
O evento traz à tona os dilemas da transformação digital no setor bancário, em busca de um equilíbrio com as crescentes demandas de ESG.
De 10 a 12 de junho, no Transamerica Expo Center, o evento reúne líderes de tecnologia, sustentabilidade e inovação para debater ganhos expressivos com inteligência artificial e os desafios ambientais, sociais e de governança que surgem com essa transição.
Onde será a Febraban Tech 2025?
O Febraban Tech 2025 será realizado de 10 a 12 de junho no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Após registrar recorde de público em 2024 — com 55 mil visitantes —, a edição deste ano conta com 10 auditórios, mais de 200 painéis e cerca de 500 especialistas em temas que vão da Inteligência Artificial no mercado de trabalho à construção de ecossistemas sustentáveis.
Transformação digital em evidência

Uma pesquisa da Febraban, conduzida com o apoio da Deloitte, revela que cerca de 80% das instituições financeiras já incorporaram IA em suas operações.
Além disso, há um aumento previsto de investimentos: 61% em tecnologias como IA, analytics e big data, e 59% em migração para a nuvem.
Esses dados reforçam a ideia de que o setor atravessa um momento de inflexão, em que automação, personalização de serviços e eficiência operacional são imperativos estratégicos.
Uma parte relevante da programação é dedicada à IA generativa — um subcampo da inteligência artificial que utiliza modelos de linguagem robustos para criar textos, sintetizar dados e até gerar códigos.
O objetivo é acelerar a inovação, mas também torna urgentes os debates sobre consumo energético e impacto ambiental desses modelos.
ESG em xeque
A massiva utilização de IA obliga os bancos a enfrentar um custo energético elevado.
Grandes modelos exigem data centers potentes, com consumo intensivo de energia e água — pressão que desafia os compromissos de neutralidade de carbono firmados pelas instituições.
Embora bancos já adotem práticas ambientais, a maioria ainda não monitora o consumo específico da IA em suas operações.
Essa lacuna evidencia fragilidades nas estratégias de ESG, que deveriam priorizar a transparência e o rastreamento rigoroso dos indicadores de sustentabilidade.
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Emprego e transformação
Paralelamente aos ganhos em produtividade, surgem preocupações quanto ao mercado de trabalho.
Em 2024, foram eliminadas 6.198 vagas no setor bancário formal, resultando em um recuo da base de bancários que passou de aproximadamente 455 mil em 2019 para 449 mil três anos depois, segundo Dieese e Novo Caged.
Embora funções tradicionais estejam sendo substituídas por profissionais de tecnologia — como analistas de dados e engenheiros de automação — a geração líquida de empregos ainda não compensa as perdas iniciais.
A nova realidade exige políticas estruturadas de requalificação e reconversão, assim como a criação de pontes entre o talento antigo e a nova economia digital.
Palestrantes e atrações internacionais

A edição de 2025 contará com abertura estrelada: o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobe ao palco no dia 10 de junho após a fala de Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho da Febraban.
Também estarão presentes os CEOs dos seis maiores bancos: Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa e BTG Pactual — debatendo temas como crescimento, competitividade e novos modelos de negócio.
Entre os destaques internacionais estão:
- Sandy Carter (Unstoppable Domains, ex-AWS e IBM), que falará sobre “IA sem mitos” no setor financeiro;
- Elizabeth Bramson‑Boudreau (MIT Technology Review), que apresentará tendências em IA, Internet das Coisas e blockchain;
- Paul Romer, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, no painel “Inovação, crescimento e o futuro da economia na Era da Inteligência”.
Também participam Fábio Coelho (Google Brasil) e Priscyla Laham (Microsoft Brasil), além de líderes de fintechs e palestrantes brasileiros de peso, como Guga Stocco e Gil Giardelli.
Quais são as principais feiras de tecnologia em 2025?
Além do Febraban Tech, o calendário de inovação para o setor financeiro destaca outros eventos relevantes:
- SXSW (EUA) — onde Sandy Carter foi figura central em 2025;
- Web Summit — aborda fintech, IA e economia digital globalmente;
- MWC (Mobile World Congress) — referência em tecnologia móvel e IoT;
- COP30 Finance Sector — destaca o papel dos bancos na transição ESG (tema tratado em trilhas do Febraban Tech);
- Consensus e Money20/20 — eventos globais que reúnem executivos de fintech, cripto, regtech e seguradoras, com foco em inovação.
Essas feiras complementam o Febraban Tech ao trazer uma visão global sobre como a tecnologia está remodelando o setor financeiro.
Desafios emergentes
Apesar de o evento celebrar o avanço da IA, o cenário exige cautela:
- Consumo energético: data centers intensivos podem comprometer metas verdes;
- Consumo de água: refrigeração de grandes centros de dados demanda mais recursos;
- Segurança e ciber-riscos: a adoção de IA amplia a superfície de ataque, exigindo políticas robustas;
- Governança da IA: uso ético, combate ao viés algorítmico e transparência ainda são pontos frágeis;
- Requalificação de mão de obra: transformações digitais demandam programas estruturados de transição profissional.
Um balanço necessário

O Febraban Tech 2025 pode ser encarado como um termômetro: a inovação avança em velocidade exponencial, mas a sustentabilidade — social e ambiental — ainda caminha atrás.
O futuro do setor financeiro dependerá da capacidade dos bancos de equilibrar tecnologia, responsabilidade ambiental e justiça social.
Para que esse equilíbrio funcione, será necessária uma agenda conjunta entre reguladores, setor privado e sociedade:
- Mensuração do consumo de IA: métricas claras de energia, água e carbono;
- Uso de fontes renováveis: energização de data centers com energia limpa;
- Políticas de requalificação: transição justa para bancários que perdem funções;
- Governança de IA: adoção de frameworks éticos e compliance tecnológico;
- Cibersegurança como prioridade: proteção de dados e sistemas críticos.
Conclusão
O Febraban Tech 2025 expõe a dualidade do setor financeiro: inteligência artificial e automação impulsionam a inovação, mas trazem à tona os limites e conflitos da sustentabilidade e do emprego.
O modelo bancário precisa urgentemente equilibrar estas forças — caso contrário, corre o risco de sacrificar valores essenciais em nome da eficiência.
A responsabilidade estará nas mãos de quem decidir os próximos passos durante este evento catalisador.
