Os trabalhadores permanecem em seus empregos, mas alguns não estão felizes com isso, conheça o Grumpy staying e loud quitting.
O mercado de trabalho está sofrendo mudanças significativas nos últimos anos, sendo uma das principais a Grande Renúncia.
Esse fenômeno ocorreu quando muitos trabalhadores decidiram deixar seus empregos em busca de melhores condições de trabalho, mais flexibilidade e qualidade de vida.
No entanto, nem todos os trabalhadores têm essa opção, seja por necessidade financeira ou porque não conseguem encontrar um emprego melhor.
O que é “Grumpy staying” ou “loud quitting”
A especialista em carreira Madalena Feliciano comenta que com o mercado de trabalho esfriando e mais empresas emitindo mandatos de retorno ao escritório, alguns funcionários podem sentir que não têm escolha a não ser permanecer em seus empregos, mesmo que estejam insatisfeitos.
O que é chamado de “grumpy staying”, ou permanência mal-humorada. Mas, por outro lado, há também o “loud quitting”, em que os trabalhadores expressam de forma aberta e evidente que estão insatisfeitos.
Estas tendências estão a emergir em particular entre jovens da geração Z e alguns millennials.
Assim, atitudes que surgem em reflexo de novos mindsets relativamente à forma como o trabalho é percepcionado e se integra na vida pessoal, bem como das dinâmicas atuais do mercado de trabalho.
Saiba mais: Confira nosso curso sobre Ações estratégicas da Gestão de Pessoas e aprenda todos os argumentos para mostrar como a gestão de pessoas é um difrencial para o negócio.
Como lidar com o grumpy staying?
Como lidar com a permanência mal-humorada e o loud quitting?
Aqui estão algumas estratégias que as empresas podem adotar para reter seus talentos e melhorar as condições de trabalho dos colaboradores:
1. Escute seus colaboradores
Para entender o que está causando a insatisfação dos colaboradores, é preciso ouvi-los.
Realize pesquisas internas, promova reuniões individuais e em grupo, crie canais de comunicação abertos e transparentes. É fundamental que os colaboradores se sintam escutados e valorizados.
2. Ofereça flexibilidade
A flexibilidade é uma das principais demandas dos trabalhadores atualmente.
Ofereça horários flexíveis, home office, dias de férias flexíveis, licença parental, entre outros benefícios que possam ajudar os colaboradores a equilibrar sua vida pessoal e profissional.
3. Invista em formação e desenvolvimento
Ofereça oportunidades de formação e desenvolvimento aos colaboradores. Isso pode ser feito por meio de cursos online, treinamentos presenciais, mentorias, coaching, entre outros.
Ao investir no desenvolvimento dos colaboradores, a empresa está mostrando que se preocupa com o crescimento profissionalde seus funcionários.
4. Ofereça um plano de carreira claro
“Os colaboradores precisam saber quais são as possibilidades de progressão de carreira dentro da empresa.
Ofereça um plano de carreira claro, com metas e objetivos bem definidos. Isso pode ajudar a motivar os colaboradores e a mantê-los engajados.” Destaca Madalena Feliciano.
5. Crie um ambiente de trabalho saudável
Um ambiente de trabalho saudável é fundamental para reter talentos.
Crie um clima de confiança e respeito, promova a diversidade e a inclusão, ofereça benefícios que promovam o bem-estar dos colaboradores, como programas de saúde mental, ginástica laboral, entre outros.
6. Esteja aberto ao feedback
Esteja aberto ao feedback dos colaboradores. Escute o que eles têm a dizer e trabalhe em cima das sugestões e críticas recebidas.
Isso pode ajudar a melhorar as condições de trabalho e a criar um ambiente mais saudável e produtivo.
7. Trabalhe o employer branding
Trabalhe o employer branding da empresa.
Isso significa reforçar a capacidade de atrair e reter talentos, oferecendo uma imagem positiva da empresa, com valores bem definidos e uma cultura organizacional forte e saudável.
Quiet quitting: a outra vertente

“Quiet quitting” é um termo que se refere a uma forma discreta de resignação ou desistência no ambiente de trabalho.
Em vez de sair abruptamente de um emprego, os funcionários que praticam o “quiet quitting” permanecem na empresa fisicamente, mas desengajam-se emocionalmente e reduzem seu comprometimento com o trabalho.
As pessoas que fazem “quiet quitting” podem demonstrar os seguintes comportamentos:
- Redução da produtividade: Elas podem começar a produzir menos do que antes e entregar trabalhos de menor qualidade.
- Falta de entusiasmo: Os funcionários que praticam o “quiet quitting” muitas vezes perdem o entusiasmo pelo trabalho e não demonstram interesse nas tarefas ou projetos.
- Isolamento: Eles podem se afastar dos colegas de trabalho e não participar de atividades sociais da empresa.
- Menos contribuições: Pode haver uma diminuição no compartilhamento de ideias e contribuições para melhorias no ambiente de trabalho.
- Resistência às mudanças: Pode ocorrer uma relutância em aceitar novas tarefas ou projetos, mesmo que façam parte das responsabilidades do cargo.
O “quiet quitting” geralmente é motivado por vários fatores, como insatisfação com o trabalho, falta de reconhecimento, relacionamento ruim com colegas ou superiores, sobrecarga de trabalho, entre outros.
Embora os funcionários que pratiquem o “quiet quitting” ainda estejam tecnicamente empregados, sua falta de engajamento pode ser prejudicial para a produtividade e a cultura organizacional.
Assim, para os empregadores, é importante estar atento a sinais de “quiet quitting” e tomar medidas para abordar as preocupações dos funcionários, melhorar a comunicação e criar um ambiente de trabalho mais satisfatório.
Isso pode ajudar a reverter o desengajamento e manter a equipe motivada e produtiva.
Quiet quitting x Grumpy Staying: principais diferenças

“Quiet Quitting” e “Grumpy Staying” são conceitos distintos no contexto de trabalho e satisfação profissional, com diferentes características e implicações. Vamos destacar as principais diferenças entre os dois:
Conceito e Comportamento:
“Quiet Quitting” refere-se a funcionários que permanecem em seus empregos, mas reduzem seu comprometimento e engajamento, muitas vezes de forma silenciosa e sutil.
Eles podem estar descontentes com o trabalho, mas optam por não sair imediatamente.
“Grumpy Staying” não é um termo amplamente reconhecido, mas parece sugerir funcionários que permanecem em seus empregos, mesmo quando estão insatisfeitos ou descontentes, talvez demonstrando um estado de espírito negativo ou irritado em relação ao trabalho.
Veja também:
- Quiet quitting – O que é e por que devo saber?
- Quiet Firing, Quiet Hiring e Quiet Quitting: entenda o que são, como funcionam e por que você deve saber?
- Revenge Quitting: quando a demissão se torna um ato de vingança
- Indicadores de desempenho de cultura: o que são e quais usar no seu RH?
- Saiba a importância do comportamento humano no crescimento profissional e organizacional
Comportamento Observável:
“Quiet Quitting” é caracterizado por uma redução perceptível na produtividade, entusiasmo, participação e qualidade do trabalho por parte do funcionário.
Eles podem se isolar e resistir a mudanças.
“Grumpy Staying”, se envolver um comportamento semelhante ao termo, indicaria uma atitude negativa ou irritada no ambiente de trabalho, mas não necessariamente uma redução significativa na produtividade ou no engajamento.
Causas e Motivações:

O “Quiet Quitting” é frequentemente motivado por fatores como insatisfação, falta de reconhecimento, relacionamentos ruins no trabalho, sobrecarga de tarefas, entre outros.
As causas do “Grumpy Staying” podem variar, mas a ênfase parece estar na permanência contínua em um emprego mesmo quando a satisfação está comprometida, possivelmente devido a razões financeiras ou falta de alternativas viáveis.
Impacto Organizacional:
O “Quiet Quitting” pode afetar negativamente a produtividade, o moral da equipe e a cultura organizacional, uma vez que os funcionários desengajados não contribuem de maneira eficaz.
O “Grumpy Staying”, se traduzindo em uma atitude negativa no trabalho, pode afetar o ambiente de trabalho e as relações interpessoais, mas nem sempre leva necessariamente a uma queda acentuada na produtividade.
Em resumo, enquanto o “Quiet Quitting” se refere ao desengajamento silencioso dos funcionários que permanecem em seus empregos, o “Grumpy Staying” parece sugerir uma atitude negativa persistente.
Ambos têm implicações para os funcionários e organizações, mas suas características e causas são diferentes.
Conclusão
Como podemos ver, apesar do grumpy-staying, existem várias estratégias que as empresas podem adotar para reter seus talentos e melhorar as condições de trabalho dos colaboradores.
Assim, é importante lembrar que a insatisfação dos trabalhadores pode ser prejudicial para a empresa, afetando a produtividade e o clima organizacional.
Portanto, como disse a especialista em carreiras Madalena Feliciano, “as empresas que não se adaptarem às novas demandas do mercado de trabalho correm o risco de perder seus melhores talentos”.
