Participar do maior evento de RH foi, acima de tudo, uma oportunidade valiosa para ouvir, trocar e refletir sobre o momento do setor.
Entre estandes, palestras e reencontros, ficou claro que o RH está se movimentando, mas ainda com importantes pontos de atenção para consolidar uma transformação consistente.
Abaixo, compartilho meus principais insights.
People Analytics foi uma pauta muito relevante — mas ainda precisamos de uma base sólida nas empresas
Muitas das apresentações giraram em torno da importância dos dados no RH.
O People Analytics apareceu com força, mas a sensação é que ainda estamos falando para empresas que enfrentam desafios no básico: ter uma base organizada e rica de dados de pessoas.
Antes de dashboards e modelos preditivos, vem a lição de casa — consolidar informações, estruturar processos e criar cultura de análise.
Sem isso, o potencial estratégico não sai do papel.
RH com visão de negócio: a virada que está crescendo

Uma fala recorrente em diversos painéis – e que merece destaque – foi a necessidade do RH ter visão de negócio para se tornar realmente estratégico.
Isso significa que todas as ações da área precisam ser justificadas com uma perspectiva sistêmica de retorno para a organização e seus stakeholders, o famoso ROI.
Cada vez mais, vejo lideranças reconhecerem o papel central da gestão de pessoas nos resultados da empresa.
A oportunidade é única de o RH assumir uma posição protagonista nas empresas e, para ser aproveitada, demanda que os times de people, apoiados pelo CEO e fundadores, estruturem a área, assim como processos e projetos bem orientados aos objetivos da empresa como um todo.
Essa é uma grande mudança de mentalidade e que vem ganhando força em todo o setor.
Soluções generalistas por todos os lados — e um mercado em busca de diferenciação
Foi possível observar uma grande competição entre ferramentas que prometem “fazer tudo” para o RH. É uma estratégia ambiciosa, mas arriscada.
Em muitos casos, a impressão que fiquei é de que há mais foco em expandir escopo e, consequentemente, faturamento onde já existe contrato, do que em maximizar o valor para o cliente.
Normalmente, essas soluções não atendem às necessidades dos clientes com a profundidade que as iniciativas mais especializadas conseguem.
Esse movimento cria um ambiente extremamente concorrido — um “mar vermelho” onde se diferenciar é o maior desafio.
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Inovação de nicho: 3 bons exemplos para acompanhar
Em contraste com as soluções generalistas, alguns cases especializados chamaram a minha atenção pela criatividade e foco.
Destaco três que achei especialmente interessantes:
1. Prepara.me – gestão e qualidade em offboarding
Definitivamente, processos demissionais têm enorme impacto em employer branding. Forma de comunicar, escuta real, pacotes financeiros diferenciados, apoio psicológico e/ou de recolocação, dentre outras ações.
Todos podem ser de grande ajuda a alguém que será desligado. No entanto, ainda parecem receber pouca atenção estratégica das empresas.
Ótimo ver soluções olhando exclusivamente para isso, ajudando empresas a fazer e medir.
2. Leggal – legal care: acesso a advogados para uso pessoal como benefício
Confesso que nunca tinha pensado nisso antes de ver. É muito interessante toda a rede de advogados e a forma de conectá-los rapidamente para pessoas que busquem apoio em necessidades pessoais.
Vejo ótimo potencial e chance de ser muito valorizado pelas pessoas no Brasil, especialmente para desafios de direito do consumidor que são tão comuns.
3. Academia da Respiração – programa de práticas de respiração para bem-estar.
Impressionante como o tema respiração parece estar crescendo em diversas esferas: livros, palestras, estudos científicos, escolas, etc.
Agora como benefício aos colaboradores, é um ótimo investimento de bem-estar e, consequentemente, na produtividade da equipe.
Vejo soluções como essas entrando nas empresas com mentalidade mais inovadora, que se desafiam continuamente a ir além da média do mercado.
E essa é uma tendência. Onde houver dor e as plataformas faz-tudo não conseguirem focar para resolver, surgirão soluções especializadas inovando.
IA no RH: promessa onipresente, entrega ainda é incógnita

Surpresa, mas nem tanto: a inteligência artificial foi um dos grandes temas da feira. Diversas soluções apresentaram funcionalidades integradas com IA.
A tendência é real e irreversível, mas, apesar das promessas grandiosas, a impressão é que ainda estamos na fase de experimentação.
Em muitos casos, falta clareza em elementos fundamentais, como segurança dos dados, proposta de valor para o cliente e diferenciação.
E mais:
- Quais são as competências necessárias para os usuários, internos ou externos a utilizarem com qualidade e sem grandes riscos?
- O mercado está pronto?
- Quais formações são necessárias para o uso seguro e responsável?
- Se a IA alucinar, o usuário estará pronto para identificar?
- Qual o prejuízo máximo caso a IA falhe diante do proposto pela fornecedora e do esperado pelo cliente?
Se até a OpenAI precisou criar sua própria “Academy” para assegurar o uso adequado de suas IAs, a necessidade de capacitação surgirá sempre que elas interagirem diretamente com usuários.
Por outro lado, foi especialmente inspiradora a apresentação do Alessio Alionço, da Pipefy, sobre o uso de IA e low code em processos de RH.
Ele trouxe casos concretos, ganhos objetivos e uma visão madura sobre como a tecnologia pode realmente gerar impacto quando aplicada com critério.
Acredito que o desafio será mesmo a maturidade das empresas, tanto em processos quanto em capacitação da equipe, para escolher e utilizar as ferramentas com qualidade.
Feiras: sempre um toque especial dos encontros e reencontros
Por fim, não dá para deixar de mencionar uma das melhores partes de eventos como esse: reencontrar amigos e colegas de mercado. Foi o meu caso, inclusive, reencontrando amigos.
Isso acaba dando um toque muito especial para a experiência geral do evento.
Por isso sempre mando mensagem antes para todos os colegas que acredito que possam estar presentes para garantir que nos encontremos, sem contar os casos espontâneos que são ainda mais legais.
O RH Summit 2025 foi um retrato dinâmico de um setor em transformação.
Entre tendências e inovações, para mim, o evento reforçou a oportunidade única do setor de ocupar uma posição estratégica no futuro de todas as organizações.
Para aproveitar essa chance, o RH deve:
- Buscar formações modernas na área e dominar o produto e novos modelos de negócio.
- Fazer a interlocução com outras áreas e benchmarking do que funciona em outras empresas.
- Manter-se atualizado com as novidades do mercado, sem deixar de lado a coragem para inovar.
