A contabilidade orientada por dados está deixando de ser uma tendência para se tornar uma exigência de sobrevivência no mundo corporativo.
Um levantamento recente da Deloitte, intitulado Data-Driven Accounting 2025, apontou que companhias que ainda operam sem a integração entre dados contábeis e ferramentas analíticas sofrem perdas de até 22% na receita anual
O estudo, realizado com 1.430 executivos financeiros de médias e grandes empresas da América Latina, revela que a baixa adesão às tecnologias preditivas ainda é uma realidade: apenas 38% das empresas entrevistadas utilizam recursos como dashboards contábeis, análises automatizadas e simulações de cenários econômicos.
Contabilidade nas empresas e o impacto direto na receita
A ausência de práticas de contabilidade nas empresas orientada por dados não afeta apenas a eficiência dos processos contábeis, mas compromete toda a cadeia de decisões de uma organização.
De acordo com o relatório, entre as empresas que ainda não utilizam essas ferramentas, 61% relatam retrabalho constante, baixa previsibilidade e decisões mal embasadas como os principais entraves à gestão eficiente.
Além disso, o vice-presidente do SERAC, Jhonny Martins, especialista em contabilidade consultiva, reforça a gravidade da situação, especialmente entre as pequenas e médias empresas (PMEs).
“Empresas que operam no escuro, sem acesso a dados interpretáveis em tempo real, acabam tomando decisões por intuição. Isso compromete não só o faturamento, mas também a longevidade do negócio”, afirma.
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Qual a importância da contabilidade nas empresas?

A contabilidade vai muito além do cumprimento de obrigações legais. Ela é fundamental para garantir a sustentabilidade financeira, a organização dos fluxos de caixa e a tomada de decisões estratégicas.
Quando orientada por dados, ganha ainda mais relevância, pois permite aos gestores uma leitura dinâmica da saúde financeira da empresa.
Nesse sentido, Jhonny Martins explica que, com o uso de dashboards contábeis e análises preditivas, é possível prever inadimplência, fazer simulações tributárias, ajustar precificações e identificar gargalos operacionais.
“É uma virada estratégica que transforma a contabilidade de um centro de custo em alavanca de crescimento”, explica.
Além disso, empresas que adotam práticas de contabilidade baseadas em dados apresentaram desempenho até 31% superior em EBITDA nos últimos dois anos, segundo o mesmo estudo da Deloitte.
Ou seja, os impactos positivos são significativos e mensuráveis.
O que é a contabilidade nas empresas?
De forma geral, a contabilidade nas empresas é o sistema que registra, organiza e interpreta as movimentações financeiras de uma organização.
É por meio dela que se realiza o controle do patrimônio, a apuração de impostos e a geração de relatórios que subsidiam decisões estratégicas.
Contudo, no cenário atual, a contabilidade tradicional já não é suficiente. A exigência do mercado e as transformações digitais pedem uma evolução para a contabilidade orientada por dados, que une tecnologia, inteligência artificial e análise preditiva à rotina contábil.
Isso significa sair do modo reativo — em que se apura o que já aconteceu — para um modelo proativo e preditivo, capaz de antecipar cenários, prevenir perdas e identificar oportunidades de otimização.
Dessa forma, os gestores passam a contar com uma base sólida de informações para agir com mais segurança.
Qual é o principal objetivo da contabilidade financeira?
O objetivo central da contabilidade financeira é fornecer informações claras, precisas e tempestivas sobre a situação econômica e financeira da empresa.
Essas informações são utilizadas por gestores, investidores, credores e órgãos reguladores para tomar decisões fundamentadas.
Quando aliada à tecnologia, a contabilidade financeira se torna ainda mais poderosa. Ela passa a integrar dados de diferentes áreas da empresa e traduzir essas informações em indicadores de performance, análise de riscos e planejamento estratégico.
Portanto, entender a contabilidade como parte de um sistema de inteligência empresarial — e não apenas como uma obrigação fiscal — é essencial para quem busca competitividade no mercado atual.
“O maior erro é encarar a contabilidade como uma tarefa burocrática. Ela é um dos principais pilares de inteligência de negócios. E com dados, se torna uma ferramenta essencial para quem quer crescer de forma sustentável”, comenta Jhonny Martins.
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Barreiras culturais e tecnológicas

Apesar da crescente oferta de soluções digitais no setor contábil, muitas empresas, especialmente as PMEs, ainda resistem à transformação. Para o especialista do SERAC, o obstáculo vai além do acesso à tecnologia: está enraizado na cultura de gestão.
“Não basta contratar um software. É preciso mudar o olhar sobre a contabilidade. Enquanto ela for vista apenas como uma obrigação fiscal, as empresas continuarão operando no escuro. Mudar essa mentalidade é urgente”, alerta.
Por outro lado, a resistência à mudança pode ter origens diversas — desde a falta de conhecimento sobre os benefícios da contabilidade nas empresas baseada em dados até o receio de investir em tecnologia sem retorno imediato.
No entanto, os números do estudo da Deloitte mostram que quem não se adapta corre riscos reais de perder competitividade.
Tendência irreversível: o futuro é orientado por dados
A expectativa do setor é que, até 2027, cerca de 70% das empresas de médio porte já tenham implementado alguma forma de contabilidade preditiva.
O movimento deve ser impulsionado por dois fatores principais: a necessidade de adaptação a um cenário econômico volátil e as exigências regulatórias cada vez mais rígidas.
Consequentemente, a adoção da contabilidade orientada por dados se tornará uma exigência de mercado — e não apenas uma escolha estratégica.
Para Jhonny Martins, essa transição é inevitável: “Deixar dinheiro na mesa em um ambiente de margens apertadas pode ser fatal. Quem ainda não começou essa jornada precisa se movimentar. A contabilidade orientada por dados não é mais uma vantagem competitiva. É uma condição de sobrevivência.”
Além da competitividade, a contabilidade baseada em dados se conecta a outra agenda urgente: a transparência.
Empresas que integram dados financeiros e operacionais em tempo real têm mais capacidade de prestar contas a investidores, bancos e órgãos fiscalizadores — e, com isso, ganham confiança e reputação no mercado.
Conclusão: contabilidade como diferencial estratégico
A adoção da contabilidade orientada por dados representa uma mudança de paradigma na gestão empresarial.
Deixa-se para trás o modelo passivo, limitado a registros e obrigações legais, e avança-se para um modelo ativo, estratégico e integrado.
Assim, os dados não substituem o contador, mas potencializam seu papel. O profissional contábil do futuro — e já do presente — é aquele que interpreta informações, antecipa cenários e orienta decisões.
E as empresas que entenderem isso primeiro sairão na frente.
Ignorar essa tendência, como mostra o estudo, é colocar em risco até 22% da receita anual. E em um ambiente de negócios cada vez mais desafiador, essa pode ser a diferença entre prosperar e fechar as portas.
