Tarifaço e alta no IOF ameaçam PMEs e podem eliminar 110 mil empregos

Tarifaço dos EUA e alta do IOF no Brasil pressionam PMEs, elevam custos e podem causar perda de 110 mil empregos, segundo entidades do setor.
6 min. de leitura
Donald Trump apresenta quadro com tarifas cobradas de países que exportam para os EUA, destacando política de tarifaço.
Trump exibe quadro com tarifas recíprocas, justificando o tarifaço sobre produtos estrangeiros — medida que impacta exportações brasileiras.

O ambiente de negócios para pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras ficou em alerta nas últimas semanas com dois movimentos simultâneos: o anúncio do tarifaço de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, válido a partir de 1º de agosto, e a decisão do STF de manter as alíquotas elevadas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Ambas as medidas afetam diretamente o caixa, a competitividade e a sobrevivência de empresas de menor porte, especialmente aquelas que exportam ou dependem de insumos importados. Setores como carnes, máquinas agrícolas, suco de laranja e aeronaves estão entre os mais prejudicados pela nova política tarifária americana — uma retomada da postura protecionista de Donald Trump.

Do lado interno, a manutenção do IOF elevado torna mais caro o capital de giro, a antecipação de recebíveis e as operações de câmbio, restringindo o acesso ao crédito num momento de aumento de custos e incerteza externa. 

Além disso, estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que os efeitos do tarifaço podem ser significativos, com uma queda de 0,16% no PIB (cerca de R$ 19,2 bilhões) e um corte de R$ 52 bilhões nas exportações e eliminação de até 110 mil empregos.

Empresários, especialistas e entidades do setor defendem medidas emergenciais, como revisão de enquadramentos tributários, adesão a regimes de incentivo (como drawback e Reintegra), além de pressionar o governo federal por acordos comerciais e compensações econômicas.

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O que é o tarifaço?

O termo “tarifaço” se refere ao aumento generalizado de tarifas de importação por parte de um país. No caso atual, trata-se da decisão do presidente americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre certos produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto de 2025. A medida faz parte de uma política de proteção à indústria norte-americana.

Ainda que a tarifa se concentre em setores como máquinas agrícolas, carnes e aeronaves, o impacto se espalha para toda a cadeia de produção, atingindo fornecedores menores — muitos deles pequenas e médias empresas brasileiras.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os efeitos podem ser expressivos: queda de 0,16% no PIB, equivalente a R$ 19,2 bilhões, além de uma redução de R$ 52 bilhões nas exportações e perda de até 110 mil empregos.

O que é IOF?

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um tributo federal brasileiro aplicado sobre diversas operações financeiras, incluindo:

  • Crédito (empréstimos, capital de giro);
  • Câmbio;
  • Seguros;
  • Investimentos.

No primeiro semestre de 2025, o governo brasileiro publicou um decreto aumentando as alíquotas do IOF, o que foi posteriormente validado pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão do STF, confirmada em julho, mantém o aumento para empresas, com exceção apenas das operações de crédito do tipo “forfait”.

Para as PMEs, isso significa:

  • Maior custo para obtenção de crédito bancário;
  • Dificuldade em antecipar recebíveis com boas taxas;
  • Encarecimento de contratos com fornecedores internacionais.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o novo patamar do IOF afeta diretamente a capacidade de investimento das empresas de menor porte, comprometendo sua operação em um momento de forte instabilidade.

Leia também: Elevado IOF pressiona empresas, com impacto maior nas pequenas companhias

Tarifaço e IOF colocam PMEs sob fogo cruzado

Fernando Haddad concede entrevista sobre impacto fiscal de tarifaço e IOF nas pequenas empresas.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comenta medidas econômicas que podem afetar pequenas e médias empresas brasileiras.

As pequenas e médias empresas estão no centro da crise. De um lado, o tarifaço limita suas possibilidades de exportação e prejudica sua presença em mercados estratégicos. Do outro, o aumento do IOF encarece o funcionamento interno e os meios de financiamento disponíveis.

Lucas Mantovani, advogado empresarial e sócio da SAFIE, resume:

“O pequeno empresário brasileiro está sob fogo cruzado. De fora, vem o tarifaço de 50%, que pode corroer margens ou inviabilizar contratos. De dentro, o aumento do IOF encarece capital de giro e operações financeiras para quem já tem pouco poder de barganha.”

Os setores mais prejudicados, segundo especialistas, incluem:

  • Agroindústria e frigoríficos;
  • Indústrias metalmecânica e aeronáutica;
  • Exportadores de commodities agrícolas;
  • Empresas com operação dolarizada ou que dependem de importação de insumos.

O que pode ser feito?

Diante desse cenário adverso, especialistas e entidades sugerem que as PMEs adotem medidas imediatas para mitigar os impactos:

1. Revisão do enquadramento tributário

Empresas devem avaliar se o regime atual (Simples, Lucro Presumido ou Real) ainda é o mais eficiente diante da nova realidade fiscal e cambial.

2. Antecipação de embarques e renegociação de contratos

Exportadores podem tentar acelerar operações antes da vigência do tarifaço ou incluir cláusulas tarifárias nos contratos com clientes internacionais.

3. Adesão a incentivos fiscais e programas de apoio

Existem regimes que podem aliviar a carga tributária ou oferecer algum tipo de compensação:

Drawback: suspensão de tributos em insumos importados para exportação;

Reintegra: devolução de parte dos tributos da cadeia exportadora;

Programa Acredita Exportação: aprovado no Senado, prevê devolução de até 3% em tributos para micro e pequenas exportadoras.

4. Monitoramento jurídico e articulação institucional

Empresários devem acompanhar as tratativas do governo com os EUA e as decisões do Congresso Nacional. Existe também a possibilidade de o Brasil aplicar medidas de reciprocidade contra produtos americanos.

Veja também:

Conclusão

A sobreposição entre o tarifaço dos EUA e o IOF elevado no Brasil gera um cenário crítico para as pequenas e médias empresas, que já operam com margens apertadas e dificuldade de acesso a crédito.

Com perdas projetadas de bilhões de reais e o risco concreto de eliminação de 110 mil empregos, o momento exige respostas rápidas e estratégicas — tanto por parte dos empresários quanto do governo federal.

O futuro das PMEs brasileiras, que representam uma parcela essencial da economia nacional e da geração de empregos, dependerá da capacidade de adaptação e do apoio institucional para enfrentar esse novo ambiente internacional e tributário.

Camila Rocha, é uma profissional experiente em publicidade. Com formação pela Fumec, ela coordena atualmente a BU de Educação na Sólides Tecnologia, onde trabalha há 6 anos. Sua expertise em liderança e estratégias de educação corporativa tem sido fundamental para impulsionar o crescimento e o desenvolvimento dos colaboradores.

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