Mesmo com o avanço de novas modalidades de investimento e a crescente digitalização do mercado financeiro, a tradicional poupança no Brasil ainda se mantém como a aplicação mais popular entre os brasileiros.
Dados da pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em parceria com o Datafolha, revelam que 37% da população realiza algum tipo de investimento — e a caderneta de poupança lidera a lista.
Segundo o levantamento, 23% dos brasileiros deixam seus recursos na poupança.
Isso equivale a cerca de 32 milhões de pessoas. Apesar de expressivo, esse percentual representa uma leve queda em relação ao ano anterior, quando era de 25%.
Ainda assim, a preferência pela poupança permanece mesmo entre as classes sociais mais altas, como A e B, indicando um cenário de baixa diversificação e busca por segurança.

Qual é o nível de poupança no Brasil?
O estudo da Anbima indica que, embora a poupança seja ainda majoritária, há sinais de mudança no comportamento do investidor brasileiro.
Hoje, cerca de 27 milhões de pessoas já investem em dois ou mais produtos financeiros — o que representa quase 20% da população adulta.
Esse número vem crescendo à medida que o acesso à informação aumenta e novas plataformas de investimentos se tornam mais acessíveis.
Entre os entrevistados das classes A e B, por exemplo, 31% ainda têm a poupança como principal aplicação.
No entanto, 15% já aplicam em títulos privados, 13% em fundos de investimento, 8% em moedas digitais, 7% em imóveis e 6% em ações.

Esses dados mostram que a diversificação é mais comum entre os que têm maior poder aquisitivo, mas mesmo nesse grupo a poupança segue sendo um porto seguro.
Já nas classes C, D e E, o cenário é diferente. A caderneta de poupança se mantém como a escolha dominante, com menor presença de outros produtos financeiros.
A segurança e a familiaridade com o produto são os principais motivos apontados por esses investidores.
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Quanto rende hoje a poupança no Brasil?

Apesar da popularidade, a rentabilidade da poupança no Brasil é considerada baixa quando comparada a outras opções de renda fixa.
Em abril de 2025, o retorno foi de 0,64% no mês e de 7,33% no acumulado de 12 meses.
Isso significa que, na prática, muitos brasileiros ainda perdem poder de compra ao manter seus recursos exclusivamente na poupança, especialmente em contextos de inflação elevada.
Pelas regras em vigor, o rendimento da poupança depende da taxa Selic:
- Se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, como atualmente, a poupança rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR), o que equivale a 6,17% ao ano + TR.
- Se a Selic estiver abaixo de 8,5%, o rendimento corresponde a 70% da Selic + TR.
Ainda que seja um investimento de liquidez diária, isento de Imposto de Renda e com cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), a poupança perde para produtos como CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa em termos de retorno real.
Qual é o saldo da poupança no Brasil?
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o saldo da poupança no Brasil somava cerca de R$ 960 bilhões em março de 2025.
O valor é significativo, mas representa uma trajetória de queda em relação a anos anteriores.
A saída líquida da poupança — ou seja, a diferença entre saques e depósitos — tem sido constante, reflexo de uma maior migração para outros tipos de investimentos e, em parte, do uso do dinheiro poupado para cobrir despesas do dia a dia.
A mudança é mais visível entre os mais jovens. Na faixa etária de 16 a 28 anos, o interesse por produtos como fundos, criptomoedas e títulos privados tem aumentado.
Esse grupo demonstra maior disposição para correr riscos e diversificar suas carteiras, o que pode indicar uma transformação no perfil do investidor brasileiro nos próximos anos.
Por que a poupança ainda é a preferida?

A pesquisa da Anbima também investigou os motivos que fazem da poupança no Brasil a aplicação preferida da população.
A maioria (24%) mencionou a segurança como o principal fator. Em seguida, aparecem a facilidade na hora de aplicar (20%) e a confiança na instituição financeira (19%).
Esses dados reforçam a ideia de que muitos brasileiros ainda veem a poupança não como uma estratégia de investimento, mas como um cofre digital de acesso rápido e risco praticamente nulo.
Além disso, fatores como baixa educação financeira, receio de perder dinheiro, desconfiança de produtos mais sofisticados e falta de tempo para pesquisar novas opções contribuem para a manutenção da poupança como escolha majoritária.
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O que esperar para 2025?
Quando questionados sobre onde pretendem aplicar seus recursos em 2025, 21% dos brasileiros afirmaram que continuarão usando a poupança.
Imóveis foram citados por 12%, enquanto produtos como fundos, títulos privados e moedas digitais somaram 11%, 8% e 5%, respectivamente.
A tendência de diversificação deve continuar, especialmente entre os mais jovens, mais escolarizados e mais conectados digitalmente.
Plataformas que oferecem acesso simplificado a produtos de investimento, como fintechs e corretoras digitais, desempenham papel importante nessa transição.
A expectativa é que, com mais informação, educação financeira e acesso a ferramentas simples, a base de investidores se torne mais ampla e preparada para lidar com diferentes ciclos econômicos.
Educação financeira como pilar da mudança

A resistência à diversificação pode ser explicada, em parte, pela falta de educação financeira.
Muitos brasileiros não compreendem como funcionam produtos como Tesouro Direto, CDBs, fundos multimercado ou ETFs.
Com isso, a poupança, por ser mais conhecida e simples de operar, se torna a escolha natural — ainda que menos rentável.
Iniciativas públicas e privadas que promovem a educação financeira nas escolas, nas empresas e nos meios digitais vêm crescendo, mas ainda enfrentam desafios de escala e penetração.
Segundo especialistas, ampliar esse tipo de ação é essencial para reduzir a dependência de um único produto e aumentar a eficiência do mercado de capitais brasileiro.
Conclusão
A poupança no Brasil continua sendo o principal instrumento de investimento da maioria da população, mesmo diante de opções mais vantajosas em termos de rentabilidade.
O cenário começa a se transformar, especialmente entre os mais jovens e nas classes mais altas, mas o ritmo ainda é lento.
Para que a mudança seja mais ampla e consistente, é necessário um esforço conjunto de instituições financeiras, setor público e iniciativas educacionais.
A democratização da informação e o acesso simplificado a novos produtos são passos fundamentais para um país com um histórico de baixa cultura de investimento e alto conservadorismo financeiro.
Se por um lado a poupança oferece segurança, por outro, limita o crescimento do patrimônio a longo prazo.
A escolha pela caderneta, portanto, deve ser feita com consciência — e, preferencialmente, como parte de uma carteira diversificada, que combine proteção, liquidez e rentabilidade.
