Desigualdade salarial no Brasil: mulheres ganham 20,9% a menos, aponta relatório

A desigualdade salarial de gênero no Brasil se mantém estável. Em 2025, mulheres ganham 20,9% menos que homens (R$ 3.755,01 vs. R$ 4.745,53), similar a 2023 e superior a 2022.
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desigualdade salarial entre homens e mulhere redação

Mesmo com o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial entre mulheres e homens persiste de forma significativa no Brasil. 

Segundo o 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade Salarial, divulgado em março de 2025 pelos Ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres, as mulheres brasileiras recebem, em média, 20,9% menos que os homens.

A média salarial masculina é de R$ 4.745,53, enquanto a feminina é de R$ 3.755,01.

Esse cenário revela uma desigualdade que afeta diferentes níveis hierárquicos e setores do mercado. 

Mesmo entre profissionais com cargos semelhantes ou formação equivalente, a diferença persiste. 

Nas funções de direção e gerência, por exemplo, mulheres recebem 73,2% dos salários dos homens. 

Em cargos de nível superior, o percentual é de 68,5%. Já nas atividades administrativas, elas ganham 79,8% do valor pago aos profissionais do sexo masculino.

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O que causa a desigualdade salarial?

Diversos fatores contribuem para a desigualdade salarial entre homens e mulheres. A cultura organizacional de muitas empresas ainda carrega estereótipos de gênero, o que influencia nas promoções, distribuição de tarefas e oportunidades de crescimento.

A maternidade também é vista como um fator de impacto, sendo muitas vezes interpretada de forma negativa por empregadores.

Outro ponto crítico é o acúmulo de responsabilidades fora do ambiente de trabalho. A maioria das mulheres brasileiras ainda assume, majoritariamente, os cuidados com os filhos, idosos e afazeres domésticos. 

Essa sobrecarga limita o tempo e a energia que podem ser dedicados à carreira — especialmente quando a empresa não oferece apoio, como flexibilização de jornada ou benefícios voltados à parentalidade.

O que são desigualdades salariais?

As desigualdades salariais ocorrem quando dois ou mais profissionais exercem a mesma função, com o mesmo grau de responsabilidade e qualificação, mas recebem remunerações diferentes. 

Essas diferenças podem ser motivadas por fatores como gênero, cor, idade, orientação sexual ou deficiência, e representam uma violação aos princípios da igualdade no trabalho.

A prática perpetua desigualdades históricas, reduz o poder aquisitivo das mulheres e limita seu acesso a melhores condições de vida. 

Além disso, prejudica o desenvolvimento econômico como um todo, uma vez que impede a plena contribuição de uma parte significativa da força de trabalho.

Desigualdade maior para mulheres negras

O levantamento também evidencia que a desigualdade é ainda mais severa para mulheres negras. 

A média salarial desse grupo é de R$ 2.864,39, o que representa apenas 47,4% do que recebem homens não negros (R$ 6.033,15). 

Em edições anteriores do relatório, essa proporção era de 50,3%, indicando um agravamento da distorção.

Apesar disso, houve um avanço na inserção de mulheres negras no mercado formal. O número de trabalhadoras negras aumentou de 3,2 milhões para 3,8 milhões. 

Além disso, caiu o número de empresas com até 10% de funcionárias negras, de 21.680 para 20.452 estabelecimentos.

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O que explica as diferenças salariais?

pessoa calculando folha de salário e remuneração|pessoa com carteira de trabalho e notas de dinheiro

A diferença de salário entre homens e mulheres pode ser explicada, em parte, pela segregação ocupacional. 

Homens tendem a ocupar cargos com maiores salários e maior poder de decisão. Já as mulheres são mais comuns em funções administrativas, educacionais e de cuidados, que têm remuneração historicamente mais baixa.

Além disso, mesmo quando atuam nos mesmos setores, as mulheres enfrentam barreiras para subir na hierarquia, conhecidas como “teto de vidro”. 

Esse fenômeno impede o avanço profissional feminino, apesar de competência e resultados equivalentes.

Impacto econômico da desigualdade

Caso a remuneração das mulheres fosse igual à dos homens em funções equivalentes, a economia brasileira teria recebido R$ 95 bilhões a mais em 2024, segundo estimativas do relatório. 

Esse valor evidencia o quanto a desigualdade não é apenas uma questão de justiça social, mas também um problema econômico.

Apesar das distorções, o relatório também aponta avanços. Houve aumento no número de empresas com diferença salarial de até 5% entre homens e mulheres. 

Além disso, a participação feminina na massa total de rendimentos passou de 35,7% para 37,4% entre 2015 e 2024, reflexo do crescimento da presença feminina com carteira assinada, hoje representando 40,6% dos trabalhadores formais.

O que a CLT diz sobre igualdade salarial?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece, no artigo 461, que empregados que exercem a mesma função devem receber salários iguais, independentemente de sexo, idade, nacionalidade ou estado civil. 

A lei exige que haja igualdade de remuneração para trabalho de igual valor.

A legislação também passou por atualizações recentes com a sanção da Lei da Igualdade Salarial, em julho de 2023. 

Essa norma obriga empresas com mais de 100 empregados a divulgarem relatórios semestrais de transparência salarial e implementarem medidas como canais de denúncia, programas de diversidade e capacitação para mulheres.

Caminhos para a igualdade

Para avançar na redução das desigualdades salariais, especialistas apontam a importância de políticas públicas e privadas de promoção da equidade de gênero. 

Entre as ações recomendadas estão:

  • Auditorias salariais regulares;
  • Programas de mentorias e liderança feminina;
  • Licenças parentais compartilhadas;
  • Transparência em promoções e aumentos salariais;
  • Combate a vieses inconscientes nos processos seletivos e avaliações de desempenho.

Essas medidas ajudam a criar ambientes mais justos e inclusivos, nos quais todos os profissionais possam desenvolver seu potencial plenamente.

Conclusão

O 3º Relatório de Transparência Salarial revela um retrato nítido das desigualdades persistentes no mercado de trabalho brasileiro. 

Apesar dos avanços, o fosso entre homens e mulheres permanece amplo, especialmente para mulheres negras.

A promoção da igualdade salarial exige compromisso coletivo, mudanças estruturais e a construção de uma cultura corporativa baseada na equidade e no respeito à diversidade.

A continuidade da divulgação desses relatórios e o cumprimento da legislação vigente são passos fundamentais para que o país avance em direção a um mercado de trabalho mais justo, produtivo e representativo.

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