Metas ESG já impactam salários de executivos em 78% das empresas listadas

As metas ESG (Environmental, Social, and Governance) são objetivos que as empresas estabelecem para aprimorar seu desempenho em sustentabilidade. Elas focam em como a empresa impacta o meio ambiente, a sociedade e sua própria administração, buscando um desenvolvimento mais responsável.
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A sustentabilidade tem se consolidado como um pilar central na estratégia corporativa global, e um estudo recente da KPMG reforça essa tendência ao revelar que as metas ESG já impactam os salários de executivos em 78% das empresas de capital aberto. 

A pesquisa, que analisou 375 companhias em 15 países, sinaliza uma nova era na gestão, onde a performance em áreas como mudanças climáticas, diversidade e governança se torna crucial para a definição de bônus e participação nos lucros.

A adoção de metas ESG na remuneração executiva é reflexo de uma estratégia cada vez mais estruturada para mitigar riscos, gerar valor sustentável e atender às crescentes expectativas de investidores e da sociedade. 

Com isso, empresas que não entregam resultados ambientais e sociais perdem credibilidade — e líderes podem perder parte dos seus bônus.

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O que são metas de ESG?

As metas ESG representam compromissos mensuráveis assumidos pelas organizações em relação a práticas ambientais (E), sociais (S) e de governança corporativa (G). 

Esses objetivos visam promover uma atuação empresarial mais responsável e sustentável, impactando positivamente o meio ambiente, os colaboradores, a comunidade e o mercado como um todo.

Na prática, as metas ESG podem incluir desde a redução da pegada de carbono até o aumento da presença de mulheres em cargos de liderança, o respeito aos direitos humanos nas cadeias produtivas e a transparência na gestão organizacional

A inclusão desses critérios na remuneração da alta liderança tem como finalidade assegurar que os compromissos assumidos saiam do papel e se tornem parte do core business.

Como as metas ESG influenciam bônus e salários

ESG corporativa

Entre as companhias analisadas pela KPMG que vinculam metas sustentáveis à remuneração, 37% aplicam os critérios tanto em bônus de curto quanto de longo prazo. 

Outras 23% fazem isso apenas no longo prazo e 40% adotam as metas ESG exclusivamente para o bônus anual.

De acordo com a líder de ESG da KPMG nas Américas, Nelmara Arbex, esse modelo cria incentivos concretos para que as lideranças executem as estratégias com foco em sustentabilidade. 

“Se a empresa não atinge a meta — como reduzir emissões de gases de efeito estufa ou ampliar a diversidade na alta gestão — a remuneração variável do executivo é impactada negativamente”, afirma.

Para garantir que os compromissos sejam de fato cumpridos, é essencial estabelecer critérios claros, métricas objetivas e relatórios de sustentabilidade robustos. 

“Tudo o que tem meta e forma de medir pode ser atrelado à remuneração variável”, destaca Arbex.

Quais são os 17 objetivos da ESG?

Embora o ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU não sejam sinônimos, ambos se complementam. 

As metas ESG corporativas muitas vezes se baseiam nos 17 ODS, que incluem:

  1. Erradicação da pobreza
  2. Fome zero e agricultura sustentável
  3. Saúde e bem-estar
  4. Educação de qualidade
  5. Igualdade de gênero
  6. Água potável e saneamento
  7. Energia limpa e acessível
  8. Trabalho decente e crescimento econômico
  9. Indústria, inovação e infraestrutura
  10. Redução das desigualdades
  11. Cidades e comunidades sustentáveis
  12. Consumo e produção responsáveis
  13. Ação contra a mudança global do clima
  14. Vida na água
  15. Vida terrestre
  16. Paz, justiça e instituições eficazes
  17. Parcerias e meios de implementação

Esses objetivos servem como norte para a formulação de metas ESG em empresas que buscam alinhar propósito, impacto e resultado financeiro.

Práticas no Brasil: de Natura à Vivo

loja Natura

Embora o estudo da KPMG não tenha incluído empresas brasileiras, a tendência também é observada no país. 

Companhias como Natura, Ambev, Grupo Boticário, Klabin e Vivo já integram metas ESG à estrutura de remuneração executiva há alguns anos.

A Natura é considerada pioneira nesse campo. Desde 2022, passou a incorporar objetivos sociais e ambientais em sua estratégia de longo prazo e nos pacotes de remuneração e benefícios dos líderes. 

A Klabin, por sua vez, usa um índice ESG que contempla metas como redução de CO₂, menor uso de água, uso de madeira certificada e aumento da presença feminina em cargos de liderança.

Na Vivo, 20% do bônus anual e 10% da remuneração de longo prazo dos executivos estão ligados a mais de cem indicadores ambientais e sociais. 

O Grupo Boticário inclui metas de diversidade, inclusão e economia circular. Já na Ambev, cada diretoria executiva possui ao menos uma meta ESG entre suas obrigações.

Quais são os 3 pilares da ESG?

metas ESG

As metas ESG são estruturadas sobre três pilares fundamentais:

  • Ambiental/ Environmental (E): Envolve ações contra mudanças climáticas, uso de recursos naturais, emissão de poluentes e gestão de resíduos.
  • Social (S): Trata de diversidade, inclusão, direitos humanos, relações trabalhistas, saúde e segurança dos colaboradores.
  • Governança (G): Refere-se à ética corporativa, transparência, estrutura de conselhos, compliance e combate à corrupção.

Esses pilares ajudam empresas e investidores a avaliarem o comprometimento de uma organização com a sustentabilidade, tanto em suas práticas internas quanto no impacto externo.

Quais são as 3 metas extraordinárias do desenvolvimento sustentável?

Além dos 17 ODS, especialistas apontam três metas extraordinárias como essenciais para garantir a efetividade das práticas ESG nas empresas:

  1. Neutralidade de carbono até 2050;
  2. Equidade de gênero na liderança até 2030;
  3. Governança ética e transparente como padrão mínimo global.

Esses objetivos exigem comprometimento de longo prazo e integração transversal nas estratégias corporativas.

ESG como resposta à pressão (e à oportunidade)

A crescente adoção de metas ESG na remuneração da liderança responde à pressão de investidores, clientes e colaboradores.

Mas não se trata apenas de cumprir uma agenda externa — é também uma forma de proteger o negócio.

Ignorar mudanças climáticas, por exemplo, pode gerar prejuízos reais, como interrupções logísticas, escassez de insumos e desvalorização de ativos.

A diversidade, por sua vez, está diretamente ligada à atração de talentos, engajamento dos colaboradores e reputação da marca.

“Empresas que negligenciam o ESG tendem a enfrentar mais riscos operacionais e reputacionais. Já aquelas que se antecipam e integram essas metas à gestão estão mais preparadas para competir em um mercado que valoriza sustentabilidade”, afirma Arbex.

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Futuro das metas ESG na liderança corporativa

A tendência é que o vínculo entre metas ESG e remuneração se torne ainda mais sofisticado nos próximos anos, especialmente diante de regulações mais rigorosas e demandas crescentes por transparência.

Empresas que medem e divulgam seus indicadores com clareza — e que efetivamente conectam esses dados às decisões de negócio — estarão em posição privilegiada no mercado global. 

Para os executivos, o recado é claro: liderar com propósito e responsabilidade já deixou de ser opcional. Agora, é critério de avaliação e de remuneração.

As informações desta reportagem são baseadas em um estudo da KPMG e declarações de Nelmara Arbex, líder de ESG da KPMG nas Américas. Os exemplos de empresas brasileiras como Natura, Klabin, Volkswagen, Ambev, Grupo Boticário e Vivo foram detalhados pela Forbes Brasil.

Publicitária e Analista de Conteúdo com formação em redação jornalística, especialista em análise de tendências de RH, carreiras e comportamento organizacional. Crio conteúdos estratégicos, baseados em dados e insights de especialistas, para auxiliar gestores na tomada de decisões em gestão de pessoas.

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