Maternidade e carreira: os desafios e impactos na carreira das mulheres e como conciliar com trabalho

Conciliar maternidade e carreira ainda é um grande desafio para muitas mulheres, resultando em menor participação no mercado, salários mais baixos e menos chances de promoção em relação aos homens.
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dia das mães

A jornada de conciliar maternidade e carreira continua sendo um terreno complexo para inúmeras mulheres no Brasil.

Em 2025, apesar de alguns avanços em discussões sobre diversidade e inclusão, a realidade para muitas mães profissionais ainda é marcada por desafios como o preconceito no ambiente de trabalho, a exaustiva sobrecarga de tarefas domésticas e a persistente falta de uma rede de apoio robusta.

Esses obstáculos não apenas elevam os níveis de estresse e desmotivação, mas também impactam significativamente a progressão de suas carreiras.

A maternidade, um momento de profunda transformação pessoal e familiar, deveria ser integrada ao universo profissional com naturalidade, especialmente em um cenário onde as mulheres representam uma parcela expressiva da força de trabalho.

Contudo, a “penalidade materna” — o impacto negativo da maternidade na empregabilidade e na progressão profissional das mulheres – ainda é uma barreira significativa.

Diante desse panorama, o papel do departamento de Recursos Humanos se torna crucial. Como o RH pode efetivamente simplificar essa transição para as mães, garantir sua retenção e fomentar um ambiente de trabalho verdadeiramente equitativo?

Neste artigo, exploraremos os desafios enfrentados pelas mães no mercado de trabalho em 2025 e detalharemos as estratégias que o RH pode implementar para construir um futuro profissional mais justo e acolhedor para essas profissionais.

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Maternidade e carreira: um panorama que exige atenção

A dificuldade de conciliar maternidade e carreira, seja pela carga social que pesa sobre a mulher, seja pela inabilidade das empresas em lidar com as mães. Os dados recentes revelam a persistência da desigualdade:

  • Flexibilidade Insuficiente: Apenas uma minoria das empresas brasileiras (40%) adere ao programa “Empresa Cidadã” para estender a licença-maternidade para 180 dias, limitando o tempo de adaptação das mães e bebês.
  • A “Penalidade Materna” é Real: Mulheres com filhos enfrentam uma probabilidade 80% menor de serem contratadas em comparação com mulheres sem filhos com qualificações semelhantes (Fonte: Revista Fortune). Essa estatística alarmante sublinha o viés inconsciente que ainda permeia os processos seletivos.
  • Responsabilidade Financeira e Salários Desiguais: Apesar de 46% das mães serem as principais responsáveis financeiras por seus lares, elas frequentemente recebem salários inferiores e têm menos oportunidades de ascensão profissional (Fonte: Mintel “Mkt para Mães 2025”).
  • Empreendedorismo por Necessidade: Um número expressivo de mulheres (10,1 milhões) lidera seus próprios negócios no Brasil, sendo 52% delas mães. Muitas recorrem ao empreendedorismo em busca da flexibilidade que o mercado de trabalho tradicional nem sempre oferece (Fonte: Pesquisa Globo/PiniOn – jan/25).
  • Saúde Mental em Risco: A sobrecarga é uma das maiores preocupações das mães em 2025. Mais de 25% das mães relatam sintomas de depressão pós-parto, um quadro muitas vezes agravado pela falta de suporte no ambiente de trabalho (Fonte: Fundação Oswaldo Cruz).
  • Jornadas Exaustivas e Falta de Apoio Doméstico: Uma parcela significativa de mães (67%) dedica seu dia integralmente aos cuidados dos filhos, conciliando essa responsabilidade com jornadas profissionais exaustivas (Fonte: Pesquisa Globo – jan/25 – PiniOn – Dia das Mães 2025). Além disso, 60% das mães expressam o desejo de receber ajuda para manter a casa limpa, evidenciando a persistente dupla jornada (Fonte: Globo/PiniOn).

Veja mais: Saúde Mental no Trabalho: a nova liderança exige mais que performance — exige consciência

Como a maternidade impacta no trabalho?

Pesquisas e relatos de especialistas indicam que mulheres grávidas ou com filhos podem enfrentar situações de preconceito no ambiente corporativo.

Questões pessoais relacionadas ao planejamento familiar ou sobre a rotina de cuidados com os filhos durante o expediente ainda aparecem em entrevistas e no cotidiano profissional, o que levanta debates sobre os limites éticos e legais desse tipo de abordagem.

Outro ponto frequentemente mencionado por profissionais da área de recursos humanos é o receio que muitas mulheres sentem em relação à estabilidade no emprego após a licença-maternidade.

Esse temor pode afetar a saúde emocional e a segurança no retorno ao trabalho, especialmente em ambientes onde não há políticas claras de acolhimento ou reintegração.

O aspecto emocional também merece atenção. A culpa por deixar os filhos para retornar ao trabalho é apontada como um desafio recorrente, principalmente entre mães que não contam com uma rede de apoio sólida — seja familiar ou social — para compartilhar as responsabilidades do cuidado.

Com o avanço do trabalho remoto, muitos acreditaram que a rotina profissional das mães seria facilitada. No entanto, estudos mostram que, na prática, o home office pode gerar uma sobrecarga ainda maior.

Isso ocorre devido à dificuldade de equilibrar as demandas profissionais com as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos, especialmente quando não há uma divisão equitativa das responsabilidades no lar.

Por fim, especialistas em carreira e equidade de gênero também observam que a percepção de interrupção na trajetória profissional é comum entre mulheres que se tornam mães.

Algumas relatam ter perdido oportunidades ou ter visto colegas sem filhos avançarem com mais rapidez em suas carreiras.as mulheres dedicam o dobro do tempo em tarefas domésticas em relação aos homens. 

Leia também:

O papel estratégico do RH na conciliação maternidade carreira

dia das mães

O papel do RH é garantir boas experiências para os colaboradores, de modo que eles se mantenham motivados e produtivos.

Dessa forma, é importante que o setor pense nas novas mães e tente oferecer um ambiente acolhedor e seguro para elas durante a gravidez e após o parto.

Para tanto, é possível incluir algumas ações de acolhimento. A seguir, listamos dicas para você colocar em prática.

Estratégias práticas para o RH acolher mães em 2025

Para construir um ambiente de trabalho mais inclusivo e acolhedor para as mães, o RH pode implementar as seguintes ações estratégicas:

Criar ou adaptar espaços de amamentação e coleta de leite materno confortáveis e privativos dentro da empresa.

1. Flexibilidade real e adaptável

  • Implementar modelos de trabalho híbrido com horários flexíveis que permitam ajustes para consultas médicas, eventos escolares e outras necessidades familiares.
  • Adotar um sistema de banco de horas flexível para que as mães possam compensar horários em caso de imprevistos com os filhos.
  • Priorizar a gestão por metas e resultados, oferecendo autonomia para que as profissionais organizem seu tempo de trabalho de forma eficiente.

2. Estruturas de apoio concretas

  • Criar ou adaptar espaços de amamentação e coleta de leite materno confortáveis e privativos dentro da empresa.
  • Estabelecer parcerias com creches de qualidade ou oferecer auxílio-creche para facilitar o cuidado dos filhos durante a jornada de trabalho.
  • Desenvolver programas de mentoria específicos para mães que estão retornando da licença-maternidade, oferecendo suporte e orientação para a reintegração profissional.
  • Incentivar a criação de grupos de apoio internos onde mães possam compartilhar experiências, desafios e soluções em um ambiente seguro e de confiança.

3. Cultura organizacional inclusiva e consciente

  • Implementar treinamentos regulares para líderes e equipes sobre vieses inconscientes relacionados à maternidade e gênero, promovendo uma cultura de respeito e equidade.
  • Revisar e humanizar os processos de recrutamento e seleção, eliminando perguntas discriminatórias sobre planos de ter filhos ou sobre o cuidado dos filhos.
  • Celebrar o Dia das Mães e outras datas relevantes com ações que reconheçam a importância das mães profissionais e suas contribuições para a empresa.

4. Benefícios ampliados e pensados para a maternidade

  • Adotar a licença-maternidade estendida de 180 dias, demonstrando um compromisso real com o bem-estar da mãe e do bebê.
  • Considerar a extensão da licença-paternidade para incentivar uma divisão mais equitativa das responsabilidades parentais.
  • Oferecer auxílio psicológico e programas de bem-estar específicos para gestantes e mães no pós-parto, reconhecendo as demandas emocionais dessa fase.
  • Desenvolver programas de reintegração profissional pós-licença-maternidade que facilitem o retorno gradual e evitem a evasão dessas profissionais.
  • Explorar benefícios como o congelamento de óvulos como um apoio ao planejamento familiar das colaboradoras, como já fazem empresas como Fleury, Mercado Livre, Ambev, Google e Meta.

Como equilibrar carreira e maternidade?

Conciliar carreira e maternidade é um desafio que muitas mulheres enfrentam. Encontrar o equilíbrio entre as responsabilidades profissionais e maternas pode ser difícil, mas não impossível.

Aqui estão algumas dicas que podem te ajudar:

Planejamento

  • Organize seu tempo: Tenha um planejamento de horários para conciliar as demandas da casa, do trabalho e do cuidado com o bebê.
  • Defina prioridades: Determine quais tarefas são mais importantes e urgentes e quais podem ser delegadas ou adiadas.
  • Comunique-se: Seja transparente com seu empregador e colegas sobre suas necessidades como mãe.

Apoio

  • Rede de apoio: Conte com a ajuda de familiares, amigos, babás ou creches para cuidar do bebê enquanto você trabalha.
  • Apoio profissional: Busque empresas que ofereçam políticas de apoio à maternidade, como licença-maternidade estendida, horários flexíveis e trabalho remoto.
  • Grupos de apoio: Participe de grupos de apoio à maternidade para trocar experiências com outras mulheres que enfrentam os mesmos desafios.

Autocuidado

  • Cuide de si mesma: Reserve tempo para descansar, se alimentar bem e praticar atividades físicas.
  • Gerencie o estresse: Técnicas como meditação e yoga podem te ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade.
  • Tenha expectativas realistas: Não tente ser perfeita em tudo. Aceite que haverá dias mais desafiadores e que você não precisa fazer tudo sozinha.

Como é trabalhar em maternidade?

Trabalhar na maternidade é uma experiência desafiadora, gratificante e única. As profissionais que atuam nesse ambiente têm a oportunidade de fazer a diferença na vida de mães e bebês em um momento muito especial e delicado.

Algumas das principais responsabilidades dos profissionais da maternidade incluem:

  • Prestar assistência às mães durante o parto e o pós-parto: isso inclui monitorar os sinais vitais da mãe e do bebê, administrar medicamentos, realizar exames e oferecer suporte emocional.
  • Cuidar dos recém-nascidos: as profissionais da maternidade são responsáveis por alimentar, trocar fraldas, dar banho e cuidar da higiene dos bebês.
  • Oferecer orientação e educação às mães: as profissionais da maternidade podem fornecer informações sobre amamentação, cuidados com o bebê e saúde da mulher.
  • Manter o ambiente da maternidade limpo e seguro: as profissionais da maternidade são responsáveis por limpar e desinfetar os quartos, os equipamentos e os instrumentos utilizados.

Quais os direitos da mulher na gravidez e no pós-parto?

Além de propor ações para garantir uma melhor qualidade de vida e experiência para as mulheres, é fundamental que o RH conheça os direitos trabalhistas antes, durante e após o parto para evitar problemas judiciais.

Direitos da mulher durante a gravidez

A mulher grávida tem direito à estabilidade garantida por até 5 meses depois do parto, mesmo que esteja cumprindo aviso prévio ou no período de experiência. Esse direito só pode ser perdido em caso de falta grave.

No entanto, caso exerça uma função que comprometa a sua saúde, a gestante tem direito à mudança de cargo sem alteração de salário e benefícios.

Ao longo da gestação, a mulher pode se ausentar do trabalho, durante a jornada, pelo tempo necessário, para a realização de, no mínimo, seis consultas médicas e exames complementares.

Direitos da mulher no pós-parto

A legislação brasileira assegura diversos direitos às mulheres no período pós-parto, com o objetivo de garantir saúde, bem-estar e proteção à maternidade.

Um dos principais é a licença-maternidade remunerada, que pode ter início até 28 dias antes da Data Provável de Parto (DPP) e tem duração padrão de 120 dias.

Esse período pode ser ampliado para até 180 dias em empresas que aderiram ao programa “Empresa Cidadã”, do Governo Federal.

Vale destacar que esse benefício também se aplica em casos de adoção, guarda judicial de menores de idade e natimorto. Apesar disso, dados mostram que apenas 40% das mulheres com direito à extensão da licença efetivamente a utilizam.

Já as mulheres desempregadas, trabalhadoras informais ou empreendedoras têm direito ao salário-maternidade, benefício pago pela Previdência Social. O valor é calculado com base no salário de contribuição da beneficiária.

A estabilidade no emprego também é garantida por lei. A gestante não pode ser demitida sem justa causa desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto — mesmo que esteja em aviso prévio ou período de experiência.

Se a função exercida oferecer riscos à saúde, a mulher pode solicitar a mudança de cargo temporária, sem perda salarial ou de benefícios. Durante a gestação, a colaboradora também tem direito a ausentar-se do trabalho para realizar, no mínimo, seis consultas médicas e exames complementares, sem prejuízo do salário.

Outro direito previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é o de dois intervalos de 30 minutos durante a jornada, destinados à amamentação até que o bebê complete seis meses de vida.

Por fim, se a natureza do trabalho permitir, a gestante pode solicitar o regime de home office durante a gravidez, medida que tem sido adotada por muitas empresas desde o período da pandemia.

Qual é o maior desafio da maternidade?

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O maior desafio da maternidade é algo subjetivo e individual, pois cada mulher tem suas próprias experiências e vivências. No entanto, alguns desafios comuns que muitas mães enfrentam incluem:

  • Encontrar o equilíbrio entre carreira e maternidade: conciliar as demandas do trabalho com os cuidados do bebê e da casa pode ser extremamente desafiador.
  • Lidar com a privação de sono: o sono é um dos recursos mais escassos para as mães, principalmente nos primeiros meses de vida do bebê.
  • Gerenciar o estresse e a ansiedade: a responsabilidade de cuidar de um filho pode gerar grande carga mental e emocional.
  • Lidar com as mudanças no corpo e na autoestima: a gravidez e o parto podem trazer mudanças significativas no corpo da mulher, o que pode afetar sua autoestima.
  • Manter um relacionamento saudável com o parceiro: a chegada de um filho pode gerar novos desafios para o relacionamento do casal.
  • Lidar com a culpa: as mães podem se sentir culpadas por não conseguirem dedicar todo o seu tempo ao bebê ou por não serem “perfeitas”.

É importante lembrar que não existe uma fórmula mágica para a maternidade. Cada mãe deve encontrar o seu próprio caminho e fazer o que for melhor para si mesma e para sua família.

Qual é a importância da maternidade?

A maternidade é uma experiência que pode ser extremamente importante na vida de uma mulher. Ela pode trazer consigo uma série de benefícios, tanto para a mãe quanto para o filho.

Para a mãe

  • A maternidade pode proporcionar um senso de realização e propósito. Cuidar de um filho pode ser uma experiência muito gratificante e pode ajudar a mulher a se sentir realizada como pessoa.
  • A maternidade pode fortalecer o vínculo entre a mãe e o filho. O contato próximo entre a mãe e o filho durante os primeiros anos de vida é essencial para o desenvolvimento emocional da criança.
  • A maternidade pode ajudar a mulher a desenvolver novas habilidades. Cuidar de um filho exige uma série de habilidades, como paciência, organização e responsabilidade.

Para o filho

  • A maternidade garante um ambiente seguro e acolhedor para o desenvolvimento da criança. A mãe é a principal responsável por fornecer ao filho o amor, o carinho e a atenção que ele precisa para se desenvolver de forma saudável.
  • A maternidade contribui para o desenvolvimento emocional da criança. O vínculo entre a mãe e o filho é essencial para a formação da autoestima e da segurança emocional da criança.
  • A maternidade ajuda a criança a aprender valores importantes. A mãe é o principal modelo de comportamento para a criança, e ela pode ajudá-la a aprender valores importantes como respeito, compaixão e responsabilidade.

É importante lembrar que a maternidade não é uma experiência fácil. Ela pode ser desafiadora e exige muito tempo, esforço e dedicação. No entanto, os benefícios da maternidade podem ser muito maiores que os desafios.

Conclusão sobre maternidade e carreira

A maternidade não deve ser vista como um obstáculo para a carreira de uma mulher, mas sim como uma fase da vida que exige compreensão, adaptação e, acima de tudo, apoio.

Em 2025, o departamento de Recursos Humanos tem a oportunidade e a responsabilidade de liderar essa transformação dentro das organizações.

Empresas que implementam políticas e práticas que genuinamente acolhem e valorizam as mães profissionais colhem frutos significativos: maior retenção de talentos, aumento da produtividade de equipes mais engajadas e uma reputação de marca empregadora fortalecida, atraindo profissionais que valorizam a diversidade e o bem-estar.

O momento de agir é agora. Que tal o RH começar hoje a construir um ambiente de trabalho onde a maternidade e a carreira possam florescer em harmonia?

Fontes e Referências:

Mintel “Mkt para Mães 2025”

Pesquisa Globo/PiniOn (2025)

Exame.com: “Dia das Mães: Apesar de avanços, maternidade ainda é empecilho na carreira”

IBGE, Fiocruz, Ministério do Trabalho

Gerente de Gente na Sólides Tecnologia, com mais de 20 anos de experiência em segmentos de varejo e tecnologia. Atuação em diversas áreas da gestão de pessoas, como Treinamento, Desenvolvimento, Recrutamento, Seleção, Departamento Pessoal, Remuneração e Performance. MBA em Gestão Estratégica de Negócios Especialista em Psicologia Organizacional Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching Psicóloga

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