*Por Cris Moreira, jornalista, professora, escritora e palestrante.
Já parou para analisar quem você é para você? No contexto do branding pessoal, essa pode parecer uma pergunta simples, mas ela carrega um grau profundo de complexidade.
Entender quem somos exige coragem, presença e disposição para mergulhar nas camadas mais profundas da nossa identidade.
Esse exercício, embora desafiador, é totalmente acessível e necessário. Trata-se de um passo fundamental no caminho do que chamamos de autoconhecimento.
A partir daí você começa a moldar a sua marca que vai apresentar para o mundo, com nome e sobrenome. Ela não se trata apenas de uma imagem externa, mas da essência que guia suas atitudes, decisões e relações.
É aquilo que permanece quando você sai de uma sala: a impressão que deixa, o valor que entrega, o sentimento que provoca.
Descobrir e fortalecer essa marca exige conexão profunda com quem você é, e não com o que esperam que você seja.
Nesse processo, duas palavras gritam quando falamos de marca pessoal: exclusividade , seguida de originalidade.
Nada se compara a você. Começando pela sua voz, única no mundo, passando pelo jeito como se comporta, fala, age… até sua gargalhada.
Nada é mais espontâneo. E, nesta era de tecnologia acelerada, que substitui seres humanos (embora seja desenvolvida por eles), nada é tão seu quanto você mesmo. Inclusive, eu procuro.
Procuro o tal do propósito que todas as palestras que já assisti recomendam que eu encontre. E adivinha? O meu propósito é ser eu, e já é muita coisa.
Criar sua marca pessoal com presença é, em primeiro lugar, fazer aquela “pizza” chamada análise SWOT, que deriva das palavras em inglês Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). É isso, mesmo. Do marketing para a vida.
Com honestidade, divida e declare: quais são seus pontos fortes? Suas fraquezas (que podem virar forças)? Quais são suas oportunidades e riscos?
Some tudo aos seus valores e objetivos. Mas cuidado. Pequenas metas são mais alcançáveis e trazem resultados mais rápidos e eficazes do que grandes objetivos que podem te deixar com a sensação de fracasso.
Ninguém fica rico em uma semana. Se alguém já te convidou com um “vamos ganhar muito dinheiro com isso”, corre!
A segunda dica que eu te ofereço é: invista em você. Em atualização, um fortalecimento da sua identidade pessoal, no reconhecimento dos seus talentos e paixões.
Nem tudo que você expõe precisa estar ativamente ligado ao trabalho. Mostre o que faz na vida pessoal que, consequentemente, contribui para uma melhor performance.
Conteúdos de lifestyle, de rotina, constroem conceitos e ativam minha percepção sobre sua energia. E não tem nada que impulsione mais os relacionamentos do que isso: afinidades. Isso vai te motivar a inspirar pessoas, sem a pretensão exclusiva de vender algo.
Seja você ilimitado para o mundo, mas principalmente para si, no que faz sentido avançar e progredir.
Um dos pontos mais relevantes e, também mais polêmicos, é o posicionamento no sentido de autenticidade.
Esse conceito vai muito além da forma como você deseja ser percebido pelos outros, mas mas por você. Antes de qualquer coisa, trata-se de como você se enxerga, se reconhece e se posiciona diante de si mesmo e do mundo.
Ter um posicionamento autêntico é sustentar suas escolhas com coerência, agir em sintonia com os seus valores, e assumir, sem medo, o que te diferencia — mesmo que isso vá contra o que é tendência ou “esperado”. Ser autêntica é um dos meus.
Trato meus alunos de forma personalizada e única. Não me preocupo com o julgamento das pessoas sobre o que eu faço (aprendi depois dos “enta”) e também não pego carona em todas as trends e modismos que aparecem por aí.
Você pode tomar essa decisão libertadora de não fazer o que todo mundo faz. Como diz o título da minha biografia: “Eu não sou todo mundo.”
Crie sua rede. Sua teia. Com os fios e pontas que construíram a cronologia da sua história. Nada é mais exclusivo que isso: o que você viveu até aqui, de onde saiu, onde chegou, pelo que passou. Conte seus perrengues.
Isso conecta. Isso cria empatia. É pela vivência pessoal que se abre espaço para compartilhar experiências, conhecimento e insights e, assim, construir confiança e credibilidade.
Contra a sua história, não existem objeções. Aliás, contra nada. Você não precisa se justificar por quem é, e menos ainda por quem não é.
Aproveite conversas informais para tirar ideias de conteúdo. Fale, se exponha, se mostre. Sem medidas, sem julgamento.
Somos todos humanos. Erramos. Mas acertamos mais. E não há arrogância alguma em reconhecer isso. Aprenda com seus acertos e ensine também. Sem falsa modéstia.
Agora é hora de brilhar.
Luzes. Abre sua câmera. E me diz: quem é você? Qual é o seu branding pessoal?
O mundo espera a sua história.
